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DisciplinaFisiologia Humana I16.217 materiais660.712 seguidores
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LH, FSH, LH e FSH pós-GnRH, estradiol (meninas) e testosterona (meninos) \u2013 em caso de
suspeita de puberdade precoce central
17 hidroxiprogesterona, testosterona, androstenediona, sulfato de dehidroepiandrosterona
\u2013 em caso de pubarca precoce
Citologia do esfregaço vaginal
A Puberdade precoce central é dependente de gonadotrofinas; cursa com aceleração da velo-
cidade de crescimento e da maturação esquelética; é idiopática na maioria dos casos, principal-
mente em meninas. O hamartoma hipotalâmico é a lesão mais comumente detectada.
A Puberdade precoce periférica é gonadotrofina independente.
A Adrenarca prematura é a causa mais comum de pubarca precoce isolada, sendo uma condi-
ção benigna, mas que pode ser a manifestação inicial da síndrome plurimetabólica em meninas.
Não ocorre aceleração da velocidade de crescimento e da idade óssea significantes. A conduta é
expectante.
Na telarca prematura ocorre desenvolvimento mamário isolado, sem desenvolvimento de
outros caracteres sexuais e sem aceleração da velocidade de crescimento e da idade óssea. É uma
condição benigna, sendo a conduta expectante.
TRATAMENTO
Está indicado nos casos de Puberdade precoce central com previsão para baixa estatura na
idade adulta, e também por causa do trauma psicossocial. É feito por endocrinologiasta pediatra,
com análogos do GnRH de longa ação. O tratamento dos tumores, defeitos enzimáticos, da síndrome
de Mc Cune Albright e da Testitoxicose é particularizado e foge ao escopo deste resumo.
COMO PREVENIR
O diagnóstico precoce da puberdade precoce será feito quando uma criança faz acompanhamento
pediátrico regular, prevenindo complicações como baixa estatura na idade adulta e trauma psicossocial.
Problemas Comuns em Ambulatório Pediátrico
79Manual Prático de Atendimento em Consultório e Ambulatório de Pediatria
A puberdade precoce também pode ser a primeira manifestação de um tumor de SNC, de
suprarrenal ou de gônadas. O diagnóstico rápido destes tumores pode implicar em melhor prog-
nóstico para o tratamento.
O uso dos esteróides exógenos deve ser evitado, como no caso de contraceptivos orais com
estrogênio em nutrizes. Quando necessário, deve ser feito de forma criteriosa e sob supervisão
pediátrica estrita, como por exemplo, no emprego de cremes de estrogênio para sinéquias de
pequenos lábios em meninas.
DOENÇAS GÊNITO-URINÁRIAS
ADERÊNCIA BALANOPREPUCIAL, FIMOSE E BALANOPOSTITE
DIAGNÓSTICO
A fimose é diagnosticada quando um orifício prepucial estreito impede a exposição da
glande. Quase todos os neonatos apresentam esta característica, que é assim considerada fi-
siológica. Ao longo dos primeiros 3 anos de vida as adesões entre o prepúcio e a glande vão
sendo lisadas e o anel fimótico distal vai desaparecendo, de modo que em 70 a 90% dos
meninos não circuncidados o prpúcio se torna retrátil após 3 anos. Este percentual vai aumen-
tando até a puberdade.
Nos meninos mais velhos a fimose pode ser fisiológica, pode ser patológica (decorrente
de inflamação e cicatrização) ou pode ocorrer após circuncisão. O prepúcio retraído à
força no passado também pode resultar em fissuras e formação de cicatriz, com fimose
patológica.
Pequenas coleções de smegma entre o prepúcio não descolado e a glande, visíveis através da
pele, são normais.
Complicações da fimose: balanopostite
parafimose
TRATAMENTO
Fimose
A dilatação manual do prepúcio estreitado por descolamento abrupto sem anestesia é
desaconselhada, por ser extremamente dolorosa e causar traumatismo local, produzindo trauma
emocional à criança.
O anel prepucial deve ser avaliado. Se for de calibre adequado, tentativas de descolamento
suaves durante o banho devem ser realizadas. Pode-se também aplicar no prepúcio creme de
corticóide de baixa potência 3 vezes ao dia por 1 mês, o que promove a redução do anel fimótico
em 2/3 dos casos. Quando o descolamento não é obtido na infância, deve-se aguardar até a
puberdade, quando as ereções promoverão o descolamento gradual.
Indicações da postectomia: prepúcio de calibre estreito, que impede a exposição da glande,
balanopostite recorrente, abaulamento do prepúcio à micção, e parafimose.
Balanopostite
No caso de sinais e sintomas leves, pode ser utilizado pomada ou creme à base de corticóide
de baixa potência e antibiótico. No caso de infecção secundária, utiliza-se antibioticoterapia
sistêmica.
Parafimose
Lubrificação do prepúcio e da glande; comprime-se a glande e ao mesmo tempo se exerce
tração distal do prepúcio a fim de se puxar o anel fimótico para adiante do sulco coronal.
Problemas Comuns em Ambulatório Pediátrico
80 Manual Prático de Atendimento em Consultório e Ambulatório de Pediatria
O tratamento também pode ser com injeção de hialuronidase na mucosa prepucial edemaciada,
seguido da redução imediata depois de aliviado o edema.
Em raros casos, a circuncisão de urgência sob anestesia geral é necessária.
HEMATÚRIA
DEFINIÇÃO
Presença de 5 ou mais hemácias por campo microscópico em aumento de 400 vezes, após
centrifugação da amostra urinária, em pelo menos 2 exames de urina, em ocasiões diferentes.
Ocorre de forma assintomática em 0,5- 2% das crianças em idade escolar. Testes com fitas reagentes
podem levar a falso-positivos, na presença de mioglobina, hemoglobina ou drogas oxidantes.
É macroscópica quando a coloração da urina sugere a presença de sangue, e microscópica
quando as hemácias são detectadas somente pela sedimentoscopia urinária.
CAUSAS
Hematúria glomerular
Doença renal isolada: nefropatia por IgA, síndrome de Alport,doença da membrana basal
fina, glomerulonefrite pós-infecciosa, nefropatia membranosa, glomerulonefrite
membranoproliferativa, glomerulosclerose segmentar e focal, doença anti-membrana basal
glomerular
Doença sistêmica: nefrite do LES, nefrite da púrpura de Henoch-Schönlein, granulomatose
de Wegener, poliarterite nodosa, síndrome de Godpasture, síndrome hemolítico-urêmica,
glomerulopatia da anemia falciforme, nefopatia da SIDA
Hematúria extraglomerular
Trato urinário alto
Tubulointersticial: pielonefrite, nefrite intersticial, necrose tubular aguda, necrose papilar,
nefrocalcinose
Vascular: trombose, malformações, síndrome do quebra-nozes
Cristalúria: Ca, oxalato, ácido úrico
Hemoglobinopatia
Anatômica: hidronefrose, doença cística renal (rins policísticos, displasia multicística)
Tumor: Wilms, rabdomiossarcoma, angiomiolipoma
Trauma
Trato urinário baixo
Inflamação: cistite, uretrite
Urolitíase, trauma, coagulopatia, exercício pesado, síndrome de Munchausen, síndrome
de Munchausen por procuração
DIAGNÓSTICO
SINAIS E SINTOMAS
SINAIS SINTOMAS
Cor da urina, edema, hipertensão arterial, Oligúria, disúria, polaciúria, cólicas
infecção respiratória ou gastrointestinal, renais, artralgia, cefaléia, alterações visuias.
artrite, massa em flanco, epistaxe,
ICC, trauma, malformações congênitas,
lesões de pele
Problemas Comuns em Ambulatório Pediátrico
81Manual Prático de Atendimento em Consultório e Ambulatório de Pediatria
EXAMES COMPLEMENTARES
Iniciais
EAS e estudo morfológico das hemácias sob microscopia de fase
Outros
Hematúria com > 80% das hemácias dismórficas e/ou cilindros hemáticos e/ou proteinúria
e/ou síndrome nefrítica aguda = hematúria glomerular: solicitar hemograma, Na, K, Ca, U, Cr,
albumina, colesterol, C3, C4, ASO, ANA, cultura de swab de orofaringe e de pele, proteinúria de
24h e clearance de creatinina
Hematúria com < 20% das hemácias dismórficas e/ou os outros achados = hematúria
extraglomerular: solicitar:
\u2013 etapa 1: urocultura
\u2013 etapa 2: Ca e Cr urinários, teste de afoiçamento, US de rim e vias urinárias
\u2013 etapa 3: EAS de irmãos e pais; Na, K, Ca, U, Cr; em caso de cristalúria, urolitíase ou
nefrocalcinose: urina de 24h para Ca, Cr, ácido úrico e oxalato; em caso de hidronefrose ou
pielocaliectase: urografia excretora, cintigrafia renal
TRATAMENTO