Policia Judiciária No Estado Democrático De Direito
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Policia Judiciária No Estado Democrático De Direito


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de cuidados médicos sempre que tal seja necessário. ARTIGO 7.º Os funcionários responsáveis pela aplicação da lei não devem cometer qualquer ato de corrupção. Devem, igualmente, opor-se rigorosamente e combater todos os atos desta índole. ARTIGO 8.º Os funcionários responsáveis pela aplicação da lei devem respeitar a lei e o presente Código. Devem, também, na medida das suas possibilidades, evitar e opor-se vigorosamente a quaisquer violações da lei ou do Código.
A limitação dos poderes de toda autoridade incumbida de proteger o respeito pela dignidade das pessoas é imprescindível para evitar que haja arbitrariedade e opressão. Assim também o Estado, incumbido de proteger esses direitos e fazer que
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se respeitem as ações correlativas, não só é por sua vez obrigado a abster-se de ofender esses direitos, mas também a obrigação positiva da manutenção da ordem. O Projeto de Segurança Pública para o Brasil traz, em seu Capítulo 5, traz uma série de propostas de mudanças das quais destacamos: Sistema Único de Segurança Pública subordinado ao poder civil; Lei Orgânica Única para as policias estaduais; Estabelecimento de vencimento básico nacional para as polícias; Ouvidorias de Polícia autônomas e independentes. Outras orientações importantes para o bom desempenho da Polícia Judiciária: a) Desenvolver mecanismos para dar agilidade às investigações, conclusão de Inquéritos Policiais, exames periciais e demais atividades instrutoras; b) Incorporar a participação ativa da comunidade no estudo, identificação e aplicação de programas de segurança pública; c) Desenvolver programas comunitários de polícia judiciária; d) Difundir orientações básicas sobre a violência e meios de minimizar os impactos causados por ações criminosas; e) Desenvolver sistema de controle dos autores de violência; Resgatar o caráter técnico científico da Investigação Criminal; f) Extinção das carceragens nas Delegacias de Polícia Judiciária; g) Processo de seleção e treinamento mais criterioso, com exigência de nível Universitário como requisito para ingresso na carreira; h) Informatização, geoprocessamento de dados e substituição dos policiais que estão em desvio de função exercendo atividades administrativas por estagiários ou servidores de quadro Administrativo próprio; i) Autonomia administrativa , gerencial e financeira e j) Criação de um banco de dados único de caráter nacional com fotos, nomes, imagens, vozes, impressões digitais, antecedentes, estilos de atuação, fio de cabelo etc...
4.1.4 FATORES
DESENCADEADORES
DOS
DILEMAS
DO
OFÍCIO,
NA
ATIVIDADE POLÍCIA JUDICIÁRIA.
São vários os fatores da profissão policial desencadeadores de dilemas que de certa forma interferem na eficiência e, por vezes, fomentam a truculência o que faz aumentar a sensação de insegurança. A redução das taxas de criminalidade e violência é, hoje, no Brasil, do interesse de todos. Essa busca deve ser feita pelo Estado e a sociedade. Juntos reduzirão as fontes geradoras de violência e
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encontrarão mecanismos para combatê-las, ou seja, polícias mais eficientes. Para o Estado Democrático polícias eficientes são aquelas que agem a serviço da cidadania e o fazem legalmente, no estrito cumprimento das leis. Para que a Polícia Judiciária possa bem cumprir seu papel é preciso corrigir alguns dilemas como: ausência de um registro e processamento de informações de caráter nacional; falta de planejamento operacional a médios e longos prazos; métodos de recrutamento e treinamento de pessoal deficiente; ausência de cultura técnica científica de investigação policial nas atividades diretamente ligadas às investigações; função mais voltada à repressão em detrimento da prevenção; controle externo e correição interna deficiente e, o mais grave, grande quantidade de policiais exercendo, concomitantemente, outras atividades para complementar a renda em razão dos salários miseráveis que lhes são pagos pelo Estado. Além desses fatores, podem ser associados outros tantos como: Stress profissional que nesta atividade é muito alto; o alcoolismo, o uso de drogas ilícitas, a falta de ética profissional etc...
4.1.5 MÉTODOS A SEREM ADOTADOS PELA POLÍCIA JUDICIÁRIA QUANTO À GESTÃO PÚBLICA
A importância do Planejamento estratégico, hodiernamente, é indiscutível, seja no setor privado, seja no setor público. Esse conceito se firma quando as mudanças de paradigmas, no mundo, vêm acelerando as transformações nos ambientes de todas as organizações, notadamente, nas organizações públicas. Assim, as organizações públicas só conseguirão cumprir o seu papel no atendimento à sociedade, se conseguir assimilar e ajustar-se à conjuntura. Diferente não pode ser o pensamento em relação à Polícia Judiciária, que alias, é um dos órgãos públicos em que mais se exige o planejamento de ações. Nesse sentido são as palavras de Marcelino:
\u201cVerifica-se que nas últimas três décadas, as praticas do planejamento estratégico passaram a ser aplicadas de forma mais consistente nas organizações públicas, a partir das reformas dos órgãos do Estado orientadas sob o enfoque do modelo gerencial, que passou a dar ênfase aos conceitos de eficiência, eficácia e efetividade governamental\u201d MARCELINO (2008, p. 115).
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Dentre os novos métodos adotados pela Administração Pública para melhorar o seu desempenho, deve-se ressaltar a importância da Gestão Pública Contemporânea. Nesse diapasão, surge na Área de Segurança Pública, para fazer frente ao crescente aumento da violência, a necessidade do Planejamento Estratégico das Ações Policiais. O uso desta técnica pode significar o encurtamento do caminho para atingir os objetivos da organização Policial. O planejamento estratégico contribui também para estimular os administradores a pensar em termos do que é importante ou relativamente importante, e também a se concentrar em assuntos de maior relevância. Visão estratégica e habilidade gerencial são dois fatores importantes na interpretação dos problemas a serem atacados. A administração deve estar atenta para que a visão estratégica seja concatenada com a capacidade de ação, de modo que suas ações sejam postas em práticas, somente depois de identificados os riscos e as oportunidades. Pereira (2009, p.128), ressalta que diversos países já estão utilizando o planejamento estratégico na orientação de suas administrações públicas, como, por exemplo: definições estratégicas e produtos - usuários, no Chile; elaboração dos planos de gestão como base para o orçamento publica, no Uruguai; elaboração do orçamento público, nos Estados Unidos da América, dentre outros. Para esse autor, o processo de elaboração do Planejamento Estratégico é dividido em diversos planos que juntos formam um todo, sendo que o planejamento se concretiza na etapa de execução, no momento da execução das ações estratégicas. Para Stoner e Freeman (apud PEREIRA, 2009) o Planejamento pode ser concretizado observando quatro passos básicos e adaptado às necessidades das atividades e aos níveis de organizações, conforme os seguintes: Passo 1 \u2013 Estabelecer um objetivo ou um conjunto de objetivos. Passo 2 \u2013 Definir a situação atual, ou seja, analisar até que ponto a organização esta afastada de seus objetivos e com que recursos ela pode contar para atingi-los. Passo 3 \u2013 Orientar-se no sentido de identificar que fatores internos e externos podem ajudar ou criar problemas para a organização. Passo 4 \u2013 Elaborar um plano ou conjunto de ações para atingir os objetivos. Escolher a forma mais apropriada para a concretização.
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Passo 5 \u2013 O último passo pode ser desnecessário se o planejador, após o exame da situação atual, verificar que o plano está sendo executado a contento e atingirá o objetivo. A Polícia Judiciária, como órgão da Administração Pública, deve pautar suas ações de forma organizada e planejada. O planejamento estratégico é um sistema que pode contribuir para estimular os operadores da Segurança Pública a pensar em termos do que é importante ou relativamente importante, concentrando-se sobre os assuntos de maior relevância. O planejamento