Policia Judiciária No Estado Democrático De Direito
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Policia Judiciária No Estado Democrático De Direito


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conduta realizada.
2.1 O PODER DE POLÍCIA NO ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO
A polícia judiciária possui o intuito de punir os infratores da lei penal. Para exercer estas leis, a Administração não pode deixar de exercer sua autoridade indistintamente sobre todos os cidadãos que estejam sujeitos ao império destas leis. A polícia administrativa incide sobre bens e direitos ou atividades enquanto que a polícia judiciária incide sobre pessoas. Ex: a polícia militar e civil são corporações privativas pertencentes à polícia judiciária. O poder de polícia é discricionário, porque em grande parte dos casos concretos, a Administração tem que decidir qual o melhor momento de agir, qual o meio de ação mais adequado, qual a sanção cabível diante das previstas na norma legal, por existirem brechas na lei. Para Di Pietro (2010) o poder de polícia é a atividade do Estado consistente em limitar o exercício dos direitos individuais em benefício do interesse publico. O indivíduo ainda que de forma tentada lesa o bem jurídico, ao praticar, aquele dispositivo legal, retribui à sua conduta, uma pena a qual lhe será imposta, respondendo pela conduta praticada ainda que de forma tentada. Trata-se do princípio da subsunção, segundo o qual, o indivíduo subsume-se ao tipo penal no exato instante em que ultrapassa a linha que o separa do direito de outrem.
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Para Moraes (2006) o poder de polícia administrativa é a competência administrativa de disciplinar o exercício da autonomia privada para a realização de direitos fundamentais e da democracia, segundo princípios da legalidade e da proporcionalidade. No mesmo sentido Mello (1999) afirma que o poder de polícia é uma atividade negativa por impor uma abstenção ao particular, uma obrigação de não fazer. As restrições impostas são para evitar que as atividades ou situações pretendidas pelos particulares sejam feitas de maneira maléfica ou perigosa.
2.1.1 DIREITOS CONSAGRADOS NO ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO ASSEGURADOS NA CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988
A nossa Constituição Federal cuidou de definir a dignidade humana, como inerente à aplicação do ordenamento jurídico vigente no país. Em nossa constituição encontramos a proibição de Tribunal de Exceção, garantido, portanto, a qualquer cidadão o acesso ao Judiciário, sem criarmos um órgão especial para o seu julgamento. No Estado Democrático de Direito verifica-se o dever de cumprimento efetivo da lei tanto por parte dos cidadãos como por parte do próprio Estado, estando todos obrigados a cumpri-la. A um predomínio, neste contexto, com as características que embasaram a formação do Estado Democrático de Direito, ocorrendo à preocupação com a limitação do poder do Estado, em face às garantias oferecidas pelo texto constitucional. Por ser a Constituição Federal extremamente garantista, o direito ao contraditório e a ampla defesa estão enraizados no ordenamento jurídico, cabendo ao Estado a implementação e a execução de todos os direitos individuais. Para Zimmermman (2002) são características básicas do Estado Democrático de Direito: a) soberania popular, manifestada por meio de representantes políticos; b) sociedade política baseada numa Constituição escrita refletidora do contrato social estabelecido entre todos os membros da coletividade;
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c) respeito ao princípio da separação dos poderes, como instrumento de limitação do poder governamental; d) reconhecimento dos direitos fundamentais, que devem ser tratados como inalienáveis da pessoa humana; e) preocupação com o respeito aos direitos das minorias; f) igualdade de todos perante a lei, no que implica completa ausência de privilégios de qualquer espécie; g) responsabilidade do governante, bem como temporalidade e efetividade desse cargo público; h) garantia de pluralidade partidária; i)\u201cimpério da lei\u201d, no sentido da legalidade que se sobrepõe à própria vontade governamental.
2.1.2 CARACTERÍSTICAS NORTEADORAS DA PERSECUÇÃO PENAL NO ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO
Nota-se que a visão predominante neste contexto implica as características que embasaram a formação do Estado Democrático de Direito, ocorrendo à preocupação com a limitação do poder do Estado. Neste sentido são características do Estado Democrático de Direito: império da lei, repartição dos poderes, existência e garantia de direitos fundamentais do cidadão e unidade do ordenamento jurídico, determinando ao cidadão seus direitos e garantias tendo como medida fundamental para isso a divisão dos poderes do próprio Estado. O direito de punir do Estado tem como base, alicerce a referida divisão de poderes consoante as expressas disposições constitucionais. O Poder Executivo terá a missão de investigar por meio da Polícia Judiciária. Já ao Ministério Público caberá impetrar a ação penal. A missão do poder Judiciário será a de julgar. Esta divisão proporciona aos cidadãos a necessária segurança jurídica, inclusive àqueles que cometeram delitos uma vez que terão a certeza de que o responsável pela investigação não se confunde com o acusador nem mesmo com aquele que julga, conforme leciona (LENZA, 2010).
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A produção de prova de forma unilateral pelo Ministério Público acarreta um vício ao princípio do contraditório e da ampla defesa, tendo em vista se tratar o Ministério Público de parte no processo. Assim, teríamos a garantia constitucional do devido processo penal prejudicada, uma vez que referida cláusula visa a garantir todos os direitos dos réus, equilibrando as funções do Estado de investigar, acusar e julgar o cidadão. A defesa do Estado e das Instituições Democráticas está disciplinada na Constituição Federal de 1988, no capitulo III do Título V, onde são assegurados os direitos fundamentais. No que tange a Administração Pública esta exerce o seu poder de polícia por meio das polícias administrativas e judiciárias, sendo que os objetivos e atribuições desses órgãos policiais são dispostos na Constituição da República, assim como na legislação infraconstitucional. No tocante à Polícia Administrativa, esta, busca cumprir o seu mister constitucional agindo de forma preventiva, enquanto que a Polícia Judiciária atua de forma repressiva na busca de elementos que possam identificar a autoria e materialidade delitiva, sendo este o marco que distingue a atuação das Instituições Policiais, conforme (OLIVEIRA FILHO, on-line, 2010). A Polícia Federal e a Polícia Civil são instituídas constitucionalmente como órgãos de polícia judiciária e cabe a elas a atividade repressiva aos crimes. Tais fatos podem ser concluídos pela análise do artigo 144, §§ 1º e 4º da Carta Constitucional. (OLIVEIRA FILHO, on-line, 2010). Por isso não restam dúvidas de que o constituinte originário conferiu ao poder de investigar e apurar crimes à Polícia Judiciária, dirigidas por delegados de polícia de carreira, apesar de observamos vários órgãos estatais se investindo na investigação, papel expressamente declarado pelo constituinte como sendo da polícia judiciária. Diante do texto constitucional, à polícia judiciária brasileira no Estado Democrático de Direito cabe identificar a autoria dos crimes e a prova da materialidade, sempre garantindo e preservando o exercício dos direitos fundamentais. Outro aspecto relevante a ser considerado é que o Estado democrático de Direito só poderá ser garantido pelos órgãos estatais se houver conjugação de esforços, tendo em vista a atuação conjunta de suas ações no sentido de se fazer
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com que os procedimentos sejam mais céleres e eficazes, garantindo aos cidadãos os seus direitos e garantias fundamentais. Portanto, a cidadania está ínsita no Estado Democrático de Direito, cuja organização é criada pela Constituição Federal, onde os agentes públicos respondem pelo cumprimento de seus deveres, dando efetividade às garantias constitucionais.
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CAPÍTULO 2
A POLÍCIA JUDICIÁRIA
É essa a denominação que encontramos hoje para classificarmos a polícia investigativa, todavia a história da polícia seja investigativa ou ostensiva data de há muito tempo, como, por exemplo, no antigo Egito.
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