Policia Judiciária No Estado Democrático De Direito
69 pág.

Policia Judiciária No Estado Democrático De Direito


DisciplinaIntrodução ao Direito I86.608 materiais502.616 seguidores
Pré-visualização16 páginas
justiça, à moradia, aos transportes e outros, no entanto, sabemos que sem segurança nenhum destes importantes direitos essenciais à sadia qualidade de vida das pessoas poderão ser exercidos. Por isso, parece-nos razoável concluir que a segurança é, antes de tudo, um pré-requisito para que outros importantes direitos possam ser efetivados. Talvez por isso muitos não se dêem conta de tão valiosa que é a segurança, haja vista ser um requisito intrínseco das demais atividades humanas.
Neste contexto podemos considerar a segurança pública como dever de todos e obrigação do Estado, para que possamos atingir a sadia qualidade de vida para todos.
26
Sendo a segurança pública uma atividade decorrente do poder de polícia estatal que abrange ordem pública, prevenção de infrações penais, defesa civil, engenharia e fiscalização de tráfego, controle e fiscalização de determinadas atividades comerciais, dentre várias outras atividades desempenhadas pelo poder público, secundariamente relacionadas com a segurança da população e que, por isso, devem ser contabilizadas no entendimento de segurança pública, tais como organização de espaços públicos, iluminação e limpeza públicas e sinalização, conforme (LOPES, on-line, 2009). Como se verifica, a segurança pública engloba uma série de atividades que visam à prevenção, não apenas de infrações penais, mas também de acidentes, disseminação de doenças e conflitos sociais, que podem afetar de uma maneira geral a segurança da população. A segurança pública é desempenhada pelo poder público em nosso país, sendo que algumas importantes atividades relacionadas, em especial aquelas relacionadas à prevenção e repressão ao crime, ao patrulhamento ostensivo e à fiscalização, prevenção e combate aos incêndios, são atribuídas aos Estados. A polícia judiciária é atividade atribuída às Polícias Civis, no âmbito estadual, e à Polícia Federal na esfera de competência das infrações penais federais. Ambas as instituições possuem outras atribuições que são diretamente afetas à área de segurança pública. As funções de polícia judiciária, no entanto, apesar de estarem relacionadas com a segurança pública, não podem ser diretamente a ela relacionadas, (LOPES, on-line, 2009). Após a reforma do Código de Processo Penal de 1940, lutou-se pela adoção do juizado de instrução, vislumbra-se nas lições de Lopes (2009, on-line):
Desde a reforma do Código de Processo Penal na década de 40, talvez pela forte influência européia de nossa legislação, lutou-se pela adoção do juizado de instrução. Apesar da antiguidade do debate, ainda hoje a discussão é recorrente sobre esse tema e, inclusive, há projeto em trâmite na Câmara dos Deputados buscando aprovação para a adoção desse sistema. Em outro campo de discussão, questiona-se a conveniência de transferir essa atribuição a outras instituições, tais como o Ministério Público, como já ocorre em alguns países da Europa, inclusive em Portugal. Apesar das muitas discussões doutrinárias e políticas, muitos entendem que o sistema atual de apuração das infrações penais é o ideal, pois este sistema atual é perfeitamente adequado a nossa realidade e se coaduna muito bem com o conjunto de garantias individuais contidos na Constituição da República, apenas necessitando de alguns poucos aprimoramentos, tais como a adoção de prerrogativas e garantias que lhe conferissem maior
27
independência, já que o inquérito policial deve ser entendido como instrumento legal destinado à apuração dos fatos de maneira imparcial.
Por isso, no Brasil existem muitas discussões a respeito da polícia judiciária, inclusive no Congresso Nacional, por onde tramitam diversos projetos de lei e de emenda constitucional relacionados com o tema, inclusive com a adoção do juizado de instrução em substituição ao tradicional sistema de polícia judiciária. (LOPES, online, 2009). O inquérito policial se destina na busca da verdade real e de base para a propositura para a ação penal pelo Ministério Publico ou pela parte nos casos de ação penal privada. A investigação policial deve ser realizada de maneira célere, mas sendo observadas todas as formas para se alcançar a verdade real, a fim de que não se percam as provas ainda presentes com o calor dos acontecimentos, por isso não devem ser tomadas decisões precipitadas. Apesar das instituições incumbidas da polícia judiciária também guardarem relação com atividades afetas à segurança pública, as discussões jurídicas e críticas a respeito da forma como vem sendo desempenhada essa atividade. Mesmo diante das reformas e do sistema que venha a ser adotado no futuro, o ideal seria que a polícia judiciária se mantivesse estruturada de forma a permanecer independente do Ministério Público e do Poder Judiciário, mas complementando-se com essas instituições, mas sem integrá-las. A polícia judiciária deve fazer parte do sistema de justiça criminal, posto que sua vocação é pela busca da verdade real. Por isso deve ser mantida independente das instituições encarregadas de acusar, de defender e de julgar. (LOPES, on-line, 2009). A atividade investigativa deve sofrer o controle externo por parte do Poder Judiciário e do Ministério Público, bem como do controle interno, para o aprimoramento de suas atividades e para a confiabilidade dos seus procedimentos. Os desafios do sistema de segurança pública é a contenção da criminalidade, conforme preleciona Rodrigues (2010, on-line):
O grande desafio dos sistemas de segurança pública é a contenção da criminalidade, cujos índices estão aumentando nas últimas décadas. Os crimes contra a vida, principalmente o homicídio, na grande maioria dos casos, estão relacionados ao tráfico ilícito de entorpecentes. Com esse delito advêm os crimes contra o patrimônio, considerados um câncer das polícias no tocante à apuração e investigação, pelo elevado índice de
28
incidência e pela dificuldade na elucidação dos casos, em razão da falta de testemunhas e pelo forma que são feitas pelos infratores. A sociedade objetiva combater a escalada da violência e o estabelecimento de uma aceitável segurança social. Por isso, sempre que são cometidos crimes que chocam a coletividade ou a quantidade de crimes supera o limite do suportável, as autoridades são convocadas a prestar esclarecimentos sobre as atitudes tomadas pelos órgãos públicos no intuito de conter e punir os infratores da lei.
Ultimamente foram criadas leis com exageradas punições em decorrência de alguns casos ocorridos no Brasil, onde a sociedade exige punições mais severas para a prática de determinados crimes e em razão da influência da mídia e para satisfazer a sociedade, cria-se leis penais de forma rápida, sem passar pelo crivo das discussões e da constitucionalidade.
29
CAPÍTULO III
PRINCIPAL OBJETO DE TRABALHO DA POLÍCIA JUDICIÁRIA Trata-se do Inquérito Policial cuja importância, na investigação preliminar, vem sendo demonstrada a cada dia. São raríssimas as ações penais que foram propostas sem base em tal instrumento.
3. 1 HISTÓRICO
Para o Mestre Garcia (1987), antes de se chegar ao estágio atual de organização do Estado, diversas modalidades de represálias para determinadas condutas existiram, destacando-se a vingança privada. Entretanto, surgindo o Estado politicamente organizado, este chamou a si o direito de punir os infratores das regras de conduta, desaparecendo a vingança privada. Normas de conduta foram ditadas e codificadas no que se convencionou chamar de direito substantivo; no caso, o Direito Penal. Sempre que alguém viola tais normas, pratica uma infração, surgindo para o Estado o direito de punir o infrator. A própria lei estabelece um limite de reserva legal, de forma que não existirá crime sem lei anterior que o defina: nullun crimen, nulla poena sine lege. Assim, passou o Estado a ser o único detentor do jus puniendi. Mas a punição não é aplicada de maneira arbitrária e indiscriminada. Devem obedecer algumas regras, que também são codificadas no chamado direito adjetivo ou Direito Processual Penal. É necessário um processo para que o juiz tenha