Policia Judiciária No Estado Democrático De Direito
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Policia Judiciária No Estado Democrático De Direito


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condições de aplicar uma punição justa, ou absolver o réu se for o caso. Quanto à introdução do Inquérito Policial em nosso ordenamento jurídico, TOURINHO FILHO, (1998. p.722), nos diz o seguinte:
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As Ordenações Filipinas não se reportavam ao termo Inquérito Policial, este, teve origem em Roma, com passagens pela Idade Média. Foi, contudo, com a Lei nº 2.033, de 20-09-1871, regulamentada pelo Decreto-lei nº 4.824, de 28-11-1871, que surgiu, entre nós, o Inquérito Policial. O Inquérito Policial com esse \u201cnomen iuris\u201d e com características fundamentais próprias, originou-se no Direito brasileiro a partir do desdobramento e evolução do sumário de culpa elaborado pelos Juízes de Paz à época da promulgação do Decreto nº 4.824, de 22 de novembro de 1871, que regulamentou a Lei nº 2.033, de 20 de setembro do mesmo ano. Desta forma, já há quase um século e meio que o Inquérito Policial é o instrumento oficial da persecução criminal extra-juditio.
3.1.1 CONCEITO
Como o próprio nome diz, Inquérito Policial é o procedimento feito pela polícia Judiciária. Representa o conjunto de diligências realizadas, por esta força policial, visando apurar a prática de uma infração penal e sua autoria. Trata-se de procedimento administrativo e informativo que visa reunir os elementos necessários para a apuração de uma infração penal. Nesse sentido, Capez (2005, p. 67), nos informa:
\u201cè o conjunto de diligências realizadas pela policia judiciária para a apuração de uma infração penal e de sua autoria, a fim de que o titular da ação penal possa ingressar em juízo. Trata-se de procedimento persecutório de caráter administrativo instaurado pela autoridade policial. Tem como destinatário imediato o Ministério Público, titular exclusivo da ação penal pública (CF, art. 129, I), e o titular da ação penal privada (CPP, art. 30); como destinatário mediato o juiz, que se utilizara dos elementos de informação nele constantes, para o recebimento da peça inicial e para a formação do seu convencimento quanto à necessidade de decretação de medidas cautelares\u201d.
No mesmo sentido (SIQUEIRA apud GARCIA, 1987, p.5) \u201cInvestigação é uma atividade estatal destinada a preparar a ação penal\u201d É uma atividade estatal porque há um órgão público que se interessa pela ação penal. O artigo 4º do Código de Processo Penal, afirma que a elaboração do Inquérito Policial constitui umas das funções da Polícia Judiciária: \u201cA Policia Judiciária será exercida pelas autoridades policiais no território de suas respectivas circunscrições e terá por fim a apuração das infrações penais e da sua autoria\u201d.
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Para Mirabete (2000, p.76), trata-se de uma instrução de coleta de elementos por vezes difíceis:
\u201cInquérito Policial é todo procedimento policial destinado a reunir os elementos necessários à apuração da pratica de uma infração penal e de sua autoria. Trata-se de uma instrução provisória, preparatória, informativa, em que se colhem elementos por vezes difíceis de obter na instrução judiciária (...)\u201d.
O Inquérito Policial, por ser uma peça meramente administrativa não é condição sine qua non para a propositura da ação penal, nesse sentido Greco Filho (1997, p.91) relata:
\u201co Inquérito Policial é uma peça escrita, preparatória da ação penal, de natureza inquisitiva (...). Não é condição ou pré-requisito para o exercício da ação penal, tanto que pode ser substituído por outras peças de informação, desde que suficientes para sustentar a acusação... a atividade que se desenvolve no inquérito é administrativa, não se aplicando a ela os princípios da atividade jurisdicional, como o contraditório, a publicidade e nulidades\u201d.
É através do Inquérito Policial a Polícia Judiciária materializa as investigações que darão suporte ao Processo Penal e servirá de base para que o Ministério Público ofereça a Denúncia; integra, pois, o jus persequendi para a aplicação do jus puniendi (GARCIA, 1987, p.5).
3.1.2 FINALIDADE DA PERSECUÇÃO PENAL
O objeto da persecução penal é a apuração da conduta delituosa. O primeiro momento dessa apuração é realizado pela Polícia Judiciária, que procura apurar o fato e descobrir a autoria. Para Capez (2005) a finalidade do inquérito policial é a apuração de fato que configure infração penal e respectiva autoria para servir de base à ação penal ou às providências cautelares.
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3.1.3. ÓRGÃO DA PERSECUÇÃO PENAL
Regra geral a Investigação Criminal é de competência da Polícia Judiciária (Federal e Estadual) e o Ministério Público, porém, no Brasil, outros órgãos também investigam: Polícia ostensiva ou de segurança, Policia Militar Ambiental, Policia Militar nos crimes militares, autoridades ambientais. Outras autoridades que investigam delitos: Coaf, Banco Central, CPI investiga e têm os mesmos poderes dos magistrados, ressalvadas as seguintes hipóteses (Reserva Constitucional de Jurisdição): decretar prisão - busca domiciliar e interceptação telefônica. 3.1.4 NATUREZA
O Código de Processo Penal nos seus artigos 4º a 23 especifica as normas pertinentes à elaboração do Inquérito Policial, tais como o procedimento e a formalização. No entanto, o Inquérito Policial não é Processo, e sim um Procedimento Administrativo. Defendendo o status de procedimento administrativo do Inquérito Policial, Mirabete (1994) distingue a investigação policial da instrução criminal: não é o inquérito processo, mas procedimento administrativo informativo, destinado a fornecer ao órgão da acusação o mínimo de elementos necessários à propositura da ação penal. A investigação procedida pela autoridade policial não se confunde com a instrução criminal, distinguindo-se no Código de Processo Penal o inquérito policial (arts. 4º ao 23) da instrução criminal (arts. 394 ao 405). Ampla maioria da doutrina entende o Inquérito Policial como procedimento Administrativo, já que ainda não se iniciou a relação processual, porém alguns Doutrinadores, como Bismael Batista Moraes repulsam essa idéia. Defendem-na como se fosse um procedimento de características flagrantemente híbridas. Para o mestre Moraes (1999) não se justifica dizer-se que o inquérito policial é apenas procedimento administrativo, como se tivesse ele validade jurídicoprocessual em inúmeros dos seus atos e, mesmo, às vezes, no seu todo \u2013 como, p. ex., nos casos de prisão em flagrante de que se origine. Se não o quisermos sentir
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como procedimento híbrido, compostos de atos de ordem administrativa e atos de valor processual definitivo, não podemos negar que o inquérito policial seja um procedimento extrajudicial de natureza processual, de vez que inserido no Código de Processo Penal e realizado pela Polícia Judiciária. Apesar dessa minoritária divergência doutrinária, para o presente trabalho considera-se o Inquérito Policial com natureza administrativa.
3.1.5 FINALIDADE
No Inquérito Policial inexiste acusação formal, como no Processo Penal. No entanto, apesar de ser administrativa, sua finalidade é judiciária e por isso a Polícia competente para fazê-lo é a Judiciária. Para Greco Filho (1990) a finalidade investigatória do Inquérito Policial cumpre dois objetivos, mas à Polícia Judiciária apenas um interessa: dar elementos para a formação da opinio delicti do órgão acusador, isto é, a convicção do órgão do Ministério Público, ou querelante, no sentido de que há prova suficiente do crime e da autoria.
3.1.6 CARACTERÍSTICAS
Dissertando acerca das características do IP, Capez (2005) nos ensina que o Inquérito Policial é um instrumento escrito e graças às suas finalidades, não se concebe a existência de uma investigação verbal. Por isso, todas as peças do inquérito policial serão, num só processo, reduzidas a escrito ou datilografadas e, neste caso, rubricadas pela autoridade (CPP, art. 9º). O inquérito policial também é sigiloso e a Autoridade Policial assegurará o sigilo necessário à elucidação do fato ou exigido pelo interesse da sociedade. Essa característica do sigilo do inquérito decorre de seu caráter inquisitivo. Sobre esse tema, observa Marques:
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\u201cO inquérito policial não é um processo, mas simples