Policia Judiciária No Estado Democrático De Direito
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Policia Judiciária No Estado Democrático De Direito


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ao máximo as liberdades individuais dos cidadãos e coibir eventuais abusos, no exercício do poder punitivo estatal. Destarte, pode-se afirmar que o conceito de probidade administrativa, em se tratando do inquérito policial, fica quase restrito à análise da legalidade stricto sensu, de vez que, na maioria das situações, o que é moralmente adequado já foi positivado como uma garantia penal ou processual penal. A título de exemplo, veja-se a proibição do uso de provas ilícitas, bem como as destas derivadas, norma tipicamente mais afeta ao campo da moralidade (cujo mandamento moral seria: "os fins não justificam os meios"), do que ao campo da legalidade propriamente dito, que, no entanto, encontra assento no próprio texto constitucional.
3.1.9d PRINCÍPIO DA PUBLICIDADE
O princípio da publicidade aplica-se à Administração Pública, por força do que dispõe o caput do art. 37 da Constituição Federal. No que tange ao inquérito policial, por disposição expressa do caput art. 20 do Código de Processo Penal, há que se falar em uma publicidade relativa, que, por determinação legal, deve ser restringida quando a elucidação do fato ou o interesse da sociedade assim o exigirem
3.1.9e PRINCÍPIO DA IMPESSOALIDADE
Trata se de principio previsto na Carta mãe, no caput do art. 37 da Constituição Federal, bem como no art. 2º, parágrafo único, III, da Lei nº 9.784/99. (No inquérito policial, tal princípio pode ser visto sob dois aspectos: a) em relação ao (s) investigado(s); e b) relativamente à própria Polícia Judiciária. No primeiro sentido, implica que o inquérito policial não pode ser utilizado com vistas a prejudicar ou
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beneficiar determinadas pessoas, mas, tão somente, para apurar a verdade real sobre o fato criminoso, com vistas à sua repressão e à prevenção de novos crimes. No segundo sentido, previsto expressamente no art. 2º, parágrafo único, III, da Lei nº 9.784/99, estabelece-se que o inquérito policial é realização da Polícia Judiciária e não dos policiais que o conduzem em nome do órgão policial, razão pela qual não pode ele ser utilizado para a promoção pessoal dos agentes ou autoridades envolvidos na investigação nele realizada.
3.1.9f PRINCÍPIO DA CELERIDADE
Inserido no art. 5º, LXXVIII da Constituição Federal por meio da Emenda Constitucional nº 45/2004, referido princípio determina que o inquérito policial seja concluído no menor tempo possível. Permitem-se, contudo, justificadas prorrogações de prazo e tramitação superior ao prazo estabelecido no Código de Processo Penal ou legislação especial, desde que proporcionais às dificuldades impostas pela própria natureza ou condições em que foi praticado o crime investigado. Referido princípio encerra tanto uma garantia para o investigado, no sentido de não permanecer nesta condição mais tempo do que o necessário para o esclarecimento do fato e apuração da sua participação no crime, quanto em uma garantia para a própria sociedade de que o fato criminoso por ela repudiado será apurado de forma eficiente, possibilitando a repressão da sua prática no menor prazo possível.
3.1.9g PRINCÍPIO DO CONTROLE
Pela normatividade desse princípio, é feita a fiscalização das atividades exercidas pela Polícia Judiciária, com o objetivo de garantir a observância de suas finalidades institucionais e coibir eventuais abusos ou desvios de finalidade que possam ocorrer durante a investigação do fato criminoso. O controle das atividades
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de polícia judiciária é feito tanto internamente (autotutela), pelas Corregedorias de Polícia, quanto externamente, pelo Ministério Público. O controle feito pelo Poder Judiciário decorre do que estabelece o art. 5º, XXXV, da Constituição Federal, bem como das disposições constantes dos artigos 4º a 23 do Código de Processo Penal, que determinam que o inquérito policial seja sempre fiscalizado pelo Juízo competente para processar e julgar a futura ação penal que visa instruir.
3.1.9h PRINCÍPIO DA ECONOMIA PROCESSUAL
No inquérito policial, tal princípio obriga a autoridade policial a utilizar os meios mais racionais na busca de provas e indícios durante a instrução do inquérito policial, condenando a adoção de linhas investigativas ou de diligências que possam resultar em conclusões às quais se poderia chegar mais rapidamente com a adoção de outras medidas mais céleres. Justifica-se, desta forma, a produção, no inquérito policial, de "prova emprestada", sobretudo a testemunhal e a documental decorrentes de procedimento administrativo de apuração realizado por outros órgãos públicos quando estas, por si sós, servirem para a instrução do inquérito policial ou muito contribuírem para tal finalidade.
3.1.9i PRINCÍPIO DA OFICIALIDADE
Por este princípio o Inquérito Policial só pode ser executado por um órgão oficial e respaldado pela legalidade.
3.1.9j PRINCÍPIO DO IMPULSO OFICIAL
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Significa que uma vez instaurado o IP a sua movimentação, ou seja, o seu andamento é feito por ato de ofício da Autoridade Policial. Em sendo o inquérito policial atividade de persecução exercida, geralmente, pelas Polícias Judiciárias, é ele uma atividade oficial de Estado. Por força desse princípio, salvo as exceções expressamente previstas em lei, a atividade de investigação realizada tipicamente no inquérito policial, como a realização de oitivas, requisição de exames periciais, etc, somente pode ser desenvolvida por Delegados de Polícia, ou sob a supervisão destes, por seus agentes
3.1.9l PRINCÍPIOS DA INDISPONIBILIDADE
Previsão explícita no art. 17 do Código de Processo Penal e traduz o mandamento de que, uma vez iniciado o inquérito policial, ele deve obrigatoriamente prosseguir até a sua conclusão, não se permitindo à autoridade policial dispor do inquérito policial instaurado. O IP somente poderá ser arquivado por decisão judicial, após manifestação do Ministério Público nesse sentido. 3.1.9m PRINCÍPIO DA VERDADE REAL
Princípio, também, aplicável ao inquérito policial no sentido de que se deve dar à investigação a maior amplitude e a maior profundidade possíveis, não se contentando com uma verdade formal, limitada, criada por presunções ou ficções, mas buscando-se identificar a verdadeira forma como os fatos investigados ocorreram. Impõe-se à autoridade policial, portanto, a busca da verdade real, ainda que a vontade das partes de direito material envolvidas no inquérito policial não corresponda a essa determinação legal.
3.1.9n PRINCÍPIO DA NÃO CONTRADITORIEDADE
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No IP não existe pluralidade de partes e sua característica inquisitorial dispensa o contraditório.
3.1.9o PRINCÍPIO DA IMPARCIALIDADE
No inquérito policial, por ser um procedimento administrativo que busca a apuração da verdade real relativamente à prática de determinado crime, deve-ser desenvolvido de forma imparcial, tanto pela autoridade policial que o preside, quanto pelos demais servidores que o auxiliam.
3.1.9p PRINCÍPIO DA LIBERDADE DE PROVAS
Segundo o Mestre Gomes (2008) neste princípio que é derivado do princípio da verdade real, as partes contam com liberdade para a obtenção, apresentação e produção da prova, mas essa liberdade tem limites. Nem tudo que pode ser útil para a descoberta da verdade está amparado pelo direito vigente. O direito não deve ser realizado a qualquer preço. Por isso mesmo o que vale então no processo penal é a verdade processual, que significa a verdade que pode ser (jurídica e validamente) comprovada e a que fica (efetivamente) demonstrada nos autos.
3.1.9q PRINCÍPIO DA INADMISSIBILIDADE DAS PROVAS ILÍCITAS
São inadmissíveis, no processo, as provas obtidas por meios ilícitos - CF, art. 5º, inc. LVI. Nesse dispositivo constitucional reside o princípio da inadmissibilidade das provas ilícitas que, finalmente, foram devidamente disciplinadas pela legislação ordinária (por força da Lei 11.690/2008). Provas ilícitas, em virtude da nova redação dada ao art. 157 do CPP pela Lei 11.690/2008, são "as obtidas em violação a
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normas constitucionais ou legais". Em outras palavras: prova ilícita é a que viola regra de direito material,