HDB - Anotação (6)
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Direito de Família 
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 Tema 1 \u2013 A família contemporânea e seus princípios norteadores 
 
1.1 Introdução 
O Direito de Família é um ramo do Direito Civil que se constitui em direito 
extrapatrimonial e personalíssimo, regido por normas cogentes ou de ordem pública. 
Importante destacar que toda relação jurídica de direito de família é geradora de 
direitos/deveres entre os seus membros, que traz um poder jurídico
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 para os pais em 
relação aos filhos. 
 
1.2 Características 
Os direitos subjetivos de família são aplicáveis sob uma ótica funcional, qual 
seja: o seu exercício em função da dignidade
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 de cada membro que a compõe. O titular 
do direito é obrigado a exercê-lo pela função do direito que atende ao interesse de 
outrem. O direito subjetivo de família não se destina exclusivamente a conceder 
direitos, mas também atribui deveres aos seus titulares (Exemplo: Artigo 1696 do CCB) 
Não se aplica, em regra, ao direito de família o princípio da representação
3
. Cada 
direito e dever é exercido pelo seu próprio titular. Não são submetidos à condição ou 
termo
4
. Os direitos subjetivos nascidos da relação familiar são irrenunciáveis e 
intransmissíveis. São pretensões imprescritíveis. 
São regidos por uma intervenção mínima do Estado e dos particulares, através da 
aplicação do denominado \u201cprincípio da menor intervenção\u201d: Código Civil, Art. 1.513 É 
 
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 A noção de poder jurídico na família está atrelada a um poder-dever, pois os pais tem o dever de 
cuidado, sustento, guarda e educação dos filhos menores. A atribuição de poderes instituiu um verdadeiro 
ofício, uma situação de direito-dever: como fundamento da atribuição dos poderes existe o dever de 
exercê-los (Perlingieri, In: Perfis de Direito Civil) 
2
 Referência ao primado constitucional da dignidade da pessoa humana, contido no artigo 1º, 
inciso III da Constituição da República. 
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 Lembre-se de que há representação legal dos pais em relação aos filhos (art. 1634), a tutela e 
curatela (art. 1728 e 1767), bem como se admite o casamento por procuração, nos termos do artigo 1542 
do Código Civil. 
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 Exemplo: Não se pode casar com um período pré-estabelecido de cinco anos, ou adotar uma 
criança enquanto ela não entrar na adolescência. Os atos de direito de família são puros. 
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defeso a qualquer pessoa, de direito público ou privado, interferir na comunhão de vida 
instituída pela família. 
 
1.3 A Família na CRFB: 
 O direito de família deve ser compreendido como um meio de realização da 
pessoa humana, fundado na existência de uma família plural, democrática, que assegura 
a isonomia entre o casal e a igualdade substancial \u2013 Proteção às crianças, adolescentes, 
jovens e idosos, trazendo igualdade entre os filhos e implementando o combate à 
violência doméstica. 
 Encontramos na Constituição da República os seguintes princípios que a 
norteiam: 
Artigo 1º, III \u2013 Dignidade da Pessoa Humana 
Artigo 3°, III e IV \u2013 Igualdade substancial 
Artigo 5º, I \u2013 Isonomia entre homens e mulheres 
Art. 226 \u2013 A consagração da família plural, em uma cláusula geral de inclusão: rol 
exemplificativo, que admite diversas entidades familiares. 
Art. 227 \u2013 Proteção integral à criança, ao adolescente e ao jovem (Veja a EC 65/2010). 
Art. 227, § 6º - Igualdade Jurídica entre os filhos. 
 
 Extraímos destas disposições constitucionais os seguintes princípios: 
\u2022 Princípio da Afetividade como orientador das relações familiares5. 
\u2022 Monogamia: Princípio jurídico organizador das relações conjugais. 
\u2022 Melhor interesse da criança/adolescente6. 
 
5
 Neste sentido: Com a separação de corpos, cessa o dever de fidelidade no casamento. Afasta-se 
a análise da culpa pelo fim do matrimônio, uma vez que ele ocorre pela insuportabilidade da vida em 
comum, decorrente do desgaste do afeto que inicialmente uniu o ex-casal. TJ/RS, AC 70010772853 \u2013 j. 
20.10.2005 
 
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 Já em 1967, o Supremo Tribunal Federal decidiu: O juiz, ao dirimir divergência entre pai e mãe, 
não se deve restringir a regular visitas, estabelecendo limitados horários em dia determinado da semana, o 
que representa medida mínima. Preocupação do juiz, nesta ordenação, será propiciar a manutenção das 
relações dos pais com os filhos. É preciso fixar regras que não permitam que se desfaça a relação afetiva 
entre pai e filho, entre mãe e filho. Em relação à guarda dos filhos, em qualquer momento, o juiz pode ser 
chamado a revisar a decisão, atento ao sistema legal. O que prepondera é o interesse dos filhos, e não a 
pretensão do pai ou da mãe" (RE 60.265-RJ) 
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\u2022 Igualdade de gêneros e o respeito à diferença7. 
\u2022 Pluralidade das entidades familiares. 
\u2022 Igualdade entre homem e mulher. 
\u2022 Igualdade jurídica entre os filhos. 
\u2022 Facilitação da dissolução do casamento. 
\u2022 Filiação responsável e planejamento familiar. 
 
1.4 \u2013 Espécies de família 
1.4.1 \u2013 Matrimonial \u2013 Nascida do casamento - Artigo 226, §§ 1º e 2º da CRFB. 
1.4.2 \u2013 Informal8: 
1.4.2.1 União estável - Artigo 226, § 3º da CRFB 
1.4.2.2 Concubinato \u2013 Artigo 1727 do Código Civil 
1.4.2.3 Homoafetiva9 ou Isossexual 
1.4.3 - Monoparental - Artigo 226, § 4º da CRFB 
1.4.4 \u2013 Anaparental 10 
1.4.5 \u2013 Pluriparental ou mosaico11 
1.4.6 \u2013 Eudemonista12 
 
 
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 Neste sentido, segue trecho de decisão do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro na Apelação 
Cível nº 2008.001.47423: (...) A CONSTITUIÇÃO FEDERAL, AO GARANTIR A PENSÃO POR 
MORTE DE SEGURADO AO COMPANHEIRO, NÃO EXCLUIU OS RELACIONAMENTOS 
HOMOAFETIVOS. A AUSÊNCIA DE PREVISÃO EXPRESSA DA LEI QUE VIGIA À ÉPOCA DO 
ÓBITO NÃO PODE SER INTERPRETADA EM DESFAVOR DA APELANTE, QUE VIVIA HÁ 
MAIS DE VINTE ANOS COM A FALECIDA. 
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 Ver conceito na obra de Maria Berenice Dias: DIAS, Maria Berenice. Curso de Direito das 
Famílias. 6ª ed., Rio, Renovar, 2010, p. 46-51. 
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 Destaque-se que a inserção das uniões homoafetivas como entidades familiares não encontra 
acolhida unânime na doutrina pátria, em razão da interpretação do artigo 226, § 3º da Constituição da 
República, que estabelece com pressuposto da constituição destas relações a diversidade de sexos. 
Contudo, parece adequada a inserção das relações de pessoas do mesmo sexo como entidade familiares a 
partir de interpretações jurisprudenciais, que tem como paradigma a ADIN 4277, julgada em 04 de maio 
de 2011 pelo Supremo Tribunal Federal. Também cabe o exemplo do Recurso Especial 889.852-RS, Rel. 
Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 27/4/2010. Disponível em www.stj.gov.br. 
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 Configurada pela relação familiar composta por indivíduos não ligados por laços de casamento e 
união estável mas que tem uma relação de cooperação e solidariedade. Ex.: Irmãos que vivem juntos, 
primos, sobrinhos que estejam sob os cuidados dos tios. 
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 Configuradas pela pluralidade das relações parentais, especialmente a partir das novas uniões 
daqueles que já tem filhos de relacionamentos anteriores. 
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Atenção: O Superior Tribunal de Justiça
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 reconheceu que a proteção às entidades