HDB - Anotação (6)
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pode ser elemento gerador de 
obrigação alimentar. 
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c) Princípio da complementaridade: se o parente convocado não estiver habilitado a 
cumprir a obrigação totalmente (art. 1.698 do CC), poderá chamar outros parentes, de 
grau imediato, para concorrer no cumprimento da dívida alimentar. 
d) Princípio da mutabilidade (ou da variabilidade da prestação): a decisão judicial sobre 
alimentos faz coisa julgada formal, mas não material, isto é, ela é mutável, podendo ser 
modificada a qualquer tempo, sempre em decorrência da variação financeira das partes 
interessadas (art. 1.699 do CC). Se o quantum da pensão alimentícia subordina-se a um 
critério de proporcionalidade entre as necessidades do alimentado e os recursos do 
alimentante, sempre que o binômio se alterar produzirá efeitos imediatos sobre a 
pensão, provocando exoneração, redução ou majoração. Desse modo, entende-se que a 
revisão é da essência da obrigação alimentar . 
e) Princípio da transmissibilidade: os alimentos poderão ser cobrados do espólio, ou de 
cada herdeiro, mas sempre no limite das forças do monte, respondendo cada herdeiro 
proporcionalmente à parte que lhe couber na herança. 
f) Princípio da alternatividade: os alimentos podem ser pagos em espécie (moradia, 
alimentação, vestuário etc.) ou em dinheiro, mediante o pagamento da prestação 
pecuniária. O art. 1.701 do Código Civil confere ao devedor de alimentos a faculdade de 
optar entre o cumprimento da pensão em espécie ou em dinheiro, isto é, o dispositivo 
legal prescreve uma obrigação alternativa. O direito de escolha, porém, não é absoluto, 
pois o parágrafo único do artigo confere ao juiz, se as circunstâncias o exigirem, o poder 
de fixar a forma do cumprimento da prestação. 
g) Princípio da irrenunciabilidade: Conforme dispõe o artigo 1707 do Código Civil, os 
alimentos não podem ser objeto de renúncia, questão que deve ser analisada com 
temperamento, pois já estava consolidado o entendimento de que há renunciabilidade 
dos alimentos entre os cônjuges. Neste sentido, a III Jornada de Direito Civil do 
Conselho de Justiça Federal editou o enunciado 263: O artigo 1707 do Código Civil não 
impede seja reconhecida válida e eficaz a renúncia manifestada por ocasião do divórcio 
(direto ou indireto) ou da dissolução da \u201cunião estável\u201d. A irrenunciabilidade do direito 
a alimentos somente é admitida enquanto subsista vínculo de Direito de Família\u201d. 
 
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9.4 Fontes da obrigação alimentar: 
a) Vontade das partes: embora hipótese rara, ela pode se materializar nos casos de 
separação consensual, na qual o marido (ou a mulher) convenciona a pensão a ser paga 
ao outro cônjuge. Também pode derivar de disposição testamentária (art. 1.920). 
b) Parentesco: a lei impõe aos pais o encargo de prover a mantença da família e, por 
decorrência jurídica, a eles compete sustentar e educar os filhos. Da mesma forma, aos 
filhos compete sustentar os pais, na velhice e quando necessitem de auxílio. 
c) Casamento e união estável: por torça do princípio constitucional que inseriu as uniões 
estáveis como espécie do gênero maior \u201centidades familiares\u201d, os companheiros 
também podem pedir uns aos outros os alimentos de que necessitem para viver (art. 
1.694). 
d) Ato ilícito: quando o causador do dano fica obrigado a reparar o prejuízo mediante 
pagamento de uma indenização, a pensão alimentar decorre da responsabilidade civil. É 
o que decorre do disposto no art. 918, inc. II. 
 
9.5 Natureza da obrigação 
 A obrigação de prestar alimentos é personalíssima, sendo o respectivo crédito 
insuscetível de cessão, compensação ou penhora. 
 Sendo proteção à vida, o inadimplemento desta obrigação pode gerar a prisão 
civil do devedor de alimentos, nos termos do artigo 5º, LXVII . Nesta hipótese, o credor 
poderá requerer a prisão civil do devedor conforme procedimento especial de execução 
previsto no artigo 733 do Código de Processo Civil. Atente-se para a Súmula 309 do 
Superior Tribunal de Justiça, que entende possível a prisão civil do devedor de 
alimentos com relação aos débitos alimentares vencidos nos três meses anteriores à data 
do procedimento de execução e as cotas que vencerem no curso do processo. 
 Cabe a discussão pela utilização do artigo 473-J do CPC para a execução dos 
alimentos, uma vez que tal procedimento traria maior efetividade à demanda do 
alimentado
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. 
 
60 Neste sentido, Alexandre Câmara. Se a peça for execução de alimentos, use o rito especial, 
pois é a expressa previsão da lei. 
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 Os valores pagos a título de alimentos são irrepetíveis, não sendo suscetíveis de 
devolução ou de serem objeto de ação de repetição de indébito. As prestações pagas 
exaurem-se em si mesmas
61
. 
 A obrigação de prestar alimentos é divisível, conforme disposição do artigo 
1698, onde cada obrigado efetuará a prestação devida na proporção de seus recursos. 
Atentem para exceção trazida pelo Estatuto do Idoso, onde aqueles que são 
considerados devedores de alimentos em relação ao idoso são considerados 
solidariamente responsáveis (art. 12, Lei 10.741/03). 
 
9.6 Exoneração da obrigação alimentar 
As três hipóteses arroladas no caput do art. 1.708 do Código Civil (casamento, 
união estável ou concubinato), na medida em que acarretam o vínculo do credor da 
pensão à outra pessoa, são suficientes para justificar a cessação do pagamento da dívida 
alimentar. Cessa o dever de prestar alimento em caráter definitivo porque o credor se 
encontra vinculado a outra pessoa. O parágrafo único do referido artigo introduz a 
hipótese de ingratidão do alimentário como causa extintiva da obrigação do devedor. 
Destaque-se que qualquer alteração na prestação de alimentos deve ser realizada 
mediante as garantias do devido processo legal e do contraditório, conforme dispõe a 
súmula 358 do Superior Tribunal de Justiça. 
 
9.7 Atualização da dívida alimentar 
No art. 1.710 do Código Civil, a atualização monetária é feita por fórmula mais 
ampla (índice oficial regularmente estabelecido) que subsiste por tempo indeterminado, 
sem risco de perda de parâmetro oficial quando da desvalorização da moeda nacional. 
 
Atenção: LEI Nº 12.415, DE 9 DE JUNHO DE 2011 
 
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 PENSÃO ALIMENTÍCIA. INCIDÊNCIA.TRÂNSITO EM JULGADO. Este Superior 
Tribunal já se manifestou no sentido de que os efeitos da exoneração da pensão alimentícia não retroagem 
à data da citação, mas apenas têm incidência a partir do trânsito em julgado da decisão. No caso, não há 
notícia de qualquer provimento liminar ou de antecipação de tutela nos autos da ação de exoneração que 
liberasse o recorrido do dever de prestar alimentos. Precedentes citados: REsp 7.696-SP, DJ 11/12/1985; 
REsp 172.526-RS, DJ 15/3/1999, e REsp 513.645-SP, DJ 20/10/2003. (STJ, REsp 886.537-MG, Rel. 
Min. Sidnei Beneti, julgado em 8/4/2008. Info 351) 
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Acrescenta parágrafo único ao art. 130 da Lei n
o
 
8.069, de 13 de julho de 1990 (Estatuto da 
Criança e do Adolescente), para determinar que 
alimentos provisórios sejam fixados 
cautelarmente em favor da criança ou 
adolescente cujo agressor seja afastado da 
moradia comum