HDB - Anotação (6)
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familiares deve ser extensiva às pessoas solteiras, separadas e viúvas, nos termos da 
Súmula 364. 
 
Casamento 
 
1. Conceito 
Casamento é o vínculo jurídico entre o homem e a mulher que se unem material 
e espiritualmente para constituírem uma família. 
Trata-se de uma entidade familiar com proteção e status constitucional (art. 226 
da CF). 
 
ATENÇÃO: Em 25 de outubro de 2011, o Superior Tribunal de Justiça decidiu pela 
possibilidade de casamento entre pessoas do mesmo sexo. 
Veja os fundamentos no REsp 1183378. 
1.1 - Natureza jurídica. 
Para os autores clássicos do Direito Civil prevalece a concepção de que 
casamento é um contrato especial de direito de família
14
 onde o homem e a mulher 
constituem uma entidade familiar com vistas a estabelecer uma comunhão plena de vida 
(art. 1511), embora outros o considerem uma instituição social
15
. 
 
12
 :\u201cÉ a afetividade, e não a vontade, o elemento constitutivo dos vínculos interpessoais: o afeto 
entre as pessoas organiza e orienta o seu desenvolvimento A busca da felicidade, a supremacia do amor, a 
vitória da solidariedade ensejam o reconhecimento do afeto como único modo eficaz de definição da 
família e de preservação da vida. Esse, dos novos vértices sociais, é o mais inovador\u201d. (Dias) 
13
 A interpretação teleológica do Art. 1º, da Lei 8.009/90, revela que a norma não se limita ao 
resguardo da família. Seu escopo definitivo é a proteção de um direito fundamental da pessoa humana: o 
direito à moradia. Se assim ocorre, não faz sentido proteger quem vive em grupo e abandonar o indivíduo 
que sofre o mais doloroso dos sentimentos: a solidão. EREsp182223/SP 
EMBARGOS DE DIVERGENCIA NO RECURSO ESPECIAL - 1999/0110360-6 
 
14
 Neste sentido, Caio Mário, Instituições de Direito Civil, volume V, Editora Gen, 2010, p. 68-71. 
15
 Washington de Barros, Curso de Direito de Família, p. 17. 
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 No entender de Maria Berenice Dias
16, \u201ccasamento tanto significa o ato de 
celebração do matrimônio como a relação jurídica que dele se origina, a relação 
matrimonial. (...) O casamento é uma relação complexa, assumindo o par direitos e 
deveres recíprocos que acarretam seqüelas não só no âmbito pessoal. A partir de sua 
celebração, altera-se a situação patrimonial dos bens. A identificação do estado civil 
serve para dar publicidade, não só de sua condição pessoal, mas também de sua 
condição patrimonial, destinando-se a proporcionar segurança a terceiros\u201d . 
 
2. Efeitos: 
2.1 \u2013 Estabelecimento de comunhão plena de vida (CCB, Art. 1511); 
2.2 Direitos e deveres entre os cônjuges (CCB, art. 1565 a 1570); 
2.3 Regime patrimonial de bens (CCB, art. 1639) 
 
3. Aspectos gerais da celebração do casamento 
3.1 \u2013 Capacidade para o casamento 
 Lembrem-se sempre: A idade núbil, ou seja, aquela a partir da qual se é possível 
casar, desde que autorizados, começa aos 16 anos (art. 1517). Antes desta idade, o 
casamento só é admitido sob autorização judicial (art. 1.518 a 1.520). 
 
 3.2 Pressupostos da existência jurídica do casamento 
a) Diversidade de sexo: nesse sentido a lei é clara e não abre espaço a qualquer exegese 
extensiva (art. 1.517). As parcerias homoafetivas têm relevância jurídica e hoje são 
consideradas espécies de entidade familiar, INCLUSIVE PODENDO SER 
CONVERTIDAS EM CASAMENTO, conforme entendimento do STJ. Destaque-se 
que ainda existe previsão legal para a diversidade de sexos. 
b) Consentimento: a falta de consentimento torna inexistente o casamento. 
c) Celebração por autoridade competente: inexiste casamento se o consentimento é 
manifestado perante a quem não tem competência para celebrar o ato matrimonial. 
 
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 DIAS, Maria Berenice. Curso de Direito das Famílias. 6ª ed., Rio, Renovar, 2010 
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Casamento celebrado perante autoridade incompetente (prefeito municipal ou delegado 
de polícia) não é nulo, mas simplesmente inexistente. 
 
3.3 - Procedimentos de Habilitação 
 O casamento religioso se equipara ao civil. O legislador, no art. 1.515 do 
Código Civil, explicita os modos pelos quais se alcançam os efeitos civis: 
a) Habilitação prévia: os nubentes se apresentam ao oficial do registro civil e se 
habilitam ao ato posterior. Encerrado o procedimento de habilitação (em um prazo de 
90 dias), é extraída uma \u201csentença\u201d, resultando em uma certidão a ser apresentada ao 
ministro religioso. A habilitação aqui descrita é a mesma exigida para o casamento civil 
e o procedimento visa declarar e certificar que os interessados não possuem 
impedimentos, estando aptos para o casamento. 
b) Habilitação posterior: nesse caso, primeiro é realizada a cerimônia religiosa com 
posterior competente habilitação e, por fim, a inscrição do casamento no registro 
público. O registro funciona como uma espécie de convalidação. 
 
3.4 - Celebração do casamento 
Dada a importância de que se reveste o casamento, tanto na ordem pública como 
na ordem privada, o legislador reveste-o de toda a solenidade possível. É o que se 
depreende da leitura dos arts. 1.533 a 1.538. 
a) Casamento por procuração: a lei permite a celebração do ato por procuração cuja 
eficácia não ultrapassará 90 dias, desde que o nubente impossibilitado outorgue poderes 
especiais a alguém para comparecer em seu lugar e receber, em seu nome, o outro 
consorte. Hoje, em decorrência de disposição legal expressa (art. 1.542), é 
imprescindível a escritura pública para a sua validade. Esta procuração é um ato 
eminentemente revogável até o momento da celebração do casamento. 
b) Casamento perante autoridade diplomática ou consular: dispõe o art. 7º, § 2º, da 
LICC: \u201cO casamento de estrangeiros poderá celebrar-se perante autoridades 
diplomáticas ou consulares do país de ambos os nubentes\u201d. 
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c) No caso de um dos nubentes ser brasileiro e outro estrangeiro, cessa a competência 
da autoridade consular. Se o casamento for realizado no Brasil, será aplicada a lei 
brasileira quanto aos impedimentos e às formalidades do casamento (art. 7º, § 1º, da 
LICC). 
d) Casamento nuncupativo: também chamado in extremis vitae momentis, ou in articulo 
mortis, é forma especial de celebração de casamento, prevista pelo Código Civil, 
quando um dos contraentes se encontra em iminente perigo de vida, não havendo assim 
tempo para a celebração do casamento com todo o formalismo previsto na lei civil. 
O art. 1.540 do Código Civil permite que o oficial do Registro Civil, mediante 
despacho da autoridade competente, à vista dos documentos exigidos no art. 1.525 e 
independentemente de edital de proclamas, dê a certidão de habilitação, dispensando o 
processo regular. Mas a lei chega mesmo a permitir a dispensa da autoridade 
competente se os contraentes não lograrem obter sua presença. Neste caso, os nubentes 
figurarão como celebrantes e realizarão oralmente o casamento, perante seis 
testemunhas, que não tenham parentesco em linha reta, ou na colateral, até o segundo 
grau. 
 
3.5 Das provas do casamento 
O casamento realizado no Brasil, conforme dispõe o art. 1.543, prova-se pela 
certidão do registro, que na hipótese do casamento religioso é feito em até 90 dias após 
a sua celebração (art. 1516, § 1º). A prova supletória só se torna admissível