HDB - Anotação (6)
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quando, 
preliminarmente, justifica-se a falta ou a perda do registro (ex.: passaporte, depoimento 
de testemunhas, certidão de proclamas etc.). 
O Código Civil admite uma prova indireta: a posse do estado de casados, que 
nada mais é do que a situação de duas pessoas que sempre se comportaram, privada e 
publicamente, como marido e mulher e que, para a comunidade, encontram-se no gozo 
recíproco da situação de esposos. Segundo a disposição legal, a concessão feita pelo art. 
1.545 fica subordinado a quatro pressupostos: 
a) que ambos os pais tenham falecido; 
b) que ambos os pais tenham vivido naquele estado; 
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c) que a prole comum prove que o é; 
d) que não se apresente certidão de registro civil provando a ocorrência de 
casamento. 
A regra do in dubio pro matrimonio (art. 1.547 do CC) é utilizada quando há 
dúvida sobre a prova do casamento, ou seja, quando há dúvida quanto à existência do 
ato constitutivo do vínculo conjugal, o julgador deve se inclinar pela sua existência. 
O art. 1.546 prevê a retroatividade dos efeitos do registro da sentença que 
reconhece o casamento à data de sua celebração. O artigo consagra os efeitos da 
retroação sentencial, chancelando a dimensão do afeto em detrimento do puro 
formalismo. 
O casamento celebrado no exterior é válido no Brasil, desde que registrado, 
quando do retorno dos nubentes ao País. Em assim sendo, a validade do casamento 
celebrado no estrangeiro, no consulado brasileiro, está submetida ao requisito de que 
ambos os nubentes sejam brasileiros. A eficácia do ato, no Brasil, está submetida à 
condição suspensiva, qual seja, a realização de seu registro em território nacional. Após 
o retorno dos brasileiros ao território nacional, deverá ser registrado em 180 dias, a 
contar da volta de um ou de ambos os cônjuges. 
 
3.6 Da invalidade do casamento 
a) Casamento inexistente: o casamento é inexistente quando lhe faltam um ou mais 
elementos essenciais à sua formação. O ato, não adquirindo existência, nenhum efeito 
pode produzir. 
b) Casamento nulo: segundo o disposto no art. 1.548, nulo é o casamento contraído pelo 
enfermo mental sem o necessário discernimento para os atos da vida civil (por não estar 
em seu juízo perfeito) e por infringência de impedimentos (previstos no art. 1.521, I a 
VII, do CC). A decretação da nulidade pode ser promovida pelo Ministério Público ou 
por qualquer interessado (art. 1.549). A sentença de nulidade do casamento tem caráter 
declaratório, uma vez que reconhece apenas o fato que o invalida, produzindo efeitos ex 
tunc (art. 1.563). 
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c) Casamento anulável: o art. 1.550 trata dos casos de casamento anulável que 
substituem, em linhas gerais, os outrora denominados impedimentos dirimentes 
relativos. Seis são as hipóteses legais de anulação do casamento. Não existem outras; 
logo, trata-se de uma enumeração taxativa e não exemplificativa. São elas: 
1) Quem não completou a idade mínima para casar (a regra comporta as exceções 
dos arts. 1.520 e 1.551). 
2) O menor em idade núbil, não autorizado pelo seu representante legal: entretanto, 
depois de atingi-la, poderá confirmar seu casamento, com a autorização de seus 
representantes legais, ou com suprimento judicial (art. 1.533). 
3) A ocorrência de vício de vontade: nos arts. 1.556 e 1.557, o legislador trata da 
complexa matéria da ocorrência de erro essencial de um dos nubentes quanto à 
pessoa do outro. Em seguida, arrola as hipóteses caracterizadoras daquele erro. 
São elas: 
a) o que diz respeito à sua identidade, honra e boa fama; 
b) a ignorância de crime anterior ao casamento; 
c) a ignorância, anterior ao casamento, de defeito físico irremediável ou de 
moléstia grave e transmissível, por contágio ou herança; 
d) a ignorância, anterior ao casamento, de doença mental grave. 
Com efeito, para que o erro essencial quanto à pessoa do outro nubente seja 
causa de anulabilidade do casamento, é preciso a ocorrência de três pressupostos: a) 
anterioridade do defeito ao casamento; b) desconhecimento do defeito pelo cônjuge 
enganado; c) insuportabilidade da vida em comum
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. 
 
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 Vide Apelação Cível nº 0000881-55.2008.8.19.0207 (2009.001.42565), proferida pela 8ª 
Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro: APELACAO - 1ª Ementa DES. ORLANDO 
SECCO - Julgamento: 05/11/2009 - OITAVA CAMARA CIVEL APELAÇÃO CÍVEL. Civil. 
Processual Civil. Família. Anulação de Casamento. Inicial alegando alternativamente vício de 
consentimento (coação moral) e erro substancial. Contexto fático-probatório (documentos e testemunhos) 
que, conquanto demonstre a senilidade do demandante e grande diferença de idade entre os cônjuges (51 
anos), mostra-se absolutamente divorciado das teses autorais ante a ausência de qualquer indício de erro 
ou coação. Insindicabilidade e irrelevância legal das motivações e reais sentimentos que impulsionaram a 
ré a contrair núpcias com o autor. Ausência de prova (Art.333,I,CPC). Não configuração dos vícios de 
vontade que consubstanciam as causas de pedir (Arts.1548,I e 1550,III/V,NCC). Manutenção da sentença. 
Improvimento ao Apelo. 
 
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4) O incapaz de consentir ou manifestar, de modo inequívoco, seu consentimento: 
os surdos-mudos sem educação adequada que lhes possibilite manifestar sua 
vontade não podem se casar; de igual modo, a pessoa portadora de enfermidade 
mental ou física e o toxicômano não podem se casar. 
5) Pelo mandatário, sem que ele ou outro contratante soubesse da revogação do 
mandato, não sobrevindo coabitação entre os cônjuges. 
6) Por incompetência da autoridade celebrante: o legislador está aqui se referindo à 
incompetência ratione loci (em razão do lugar da celebração), ou, então, ratione 
personarum (em razão das pessoas dos nubentes, quanto a seus domicílios). A 
incompetência ratione materiae (incompetência em razão da matéria), conforme 
vimos, gera inexistência do casamento, salvo na hipótese do art. 1.554. 
 
3.7 Casamento putativo 
Diz-se putativo o casamento que, embora nulo, ou anulável, foi contraído de 
boa-fé, por um só ou por ambos os cônjuges, reconhecendo-lhe efeitos a ordem jurídica. 
O termo vem do latim, putare, que significa \u201cimaginar\u201d. Atendendo à boa-fé e ao 
princípio da eqüidade, o ordenamento jurídico reconhece ao casamento nulo, ou 
anulável, todos os efeitos - aos filhos e ao cônjuge de boa-fé - do casamento válido. 
Declarado putativo, o casamento ganha validade e produz todos os efeitos que 
produziria o casamento válido, até a data da sentença que o invalidou. A putatividade 
pode ocorrer na própria ação anulatória ou em processo autônomo promovido pelo(s) 
cônjuge(s) enganado(s), pelos filhos ou por terceiros que tenham interesse na 
declaração, se a sentença foi omissa a esse respeito. 
 
3.8 Formalidades: 
São prescrições normativas para a celebração do casamento válido, uma vez que 
sendo ato jurídico formal, deve atender estritamente às previsões legais para sua 
celebração. São elas: 
a) Formalidades preliminares: são as que antecedem ao casamento. Elas são de 
três ordens: habilitação (arts. 1.525 e 1.526) nesta fase ocorre a apreciação dos 
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documentos, a apuração da