HDB - Anotação (6)
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DisciplinaHistória do Direito Brasileiro10.325 materiais252.784 seguidores
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capacidade dos nubentes e a inexistência dos impedimentos 
matrimoniais; publicação dos editais (art. 1.527) a dispensa dos editais é possível nas 
seguintes hipóteses: se ficar comprovada a urgência (grave enfermidade, parto 
eminente, viagem inadiável) e também no caso de casamento nuncupativo; e emissão do 
certificado da habilitação (arts. 1.533 a 1.538) o oficial extrairá o certificado de 
habilitação durando, a eficácia da habilitação, por 90 dias. 
b) Formalidades concomitantes: são as que acompanham a cerimônia e vêm 
detalhadamente previstas nos arts. 1.533 a 1.538. Importante notar que sua 
inobservância determina a nulidade do ato. 
 
3.9 Dos impedimentos matrimoniais 
São as circunstâncias que impossibilitam a realização de determinado 
casamento; em outras palavras, é a ausência de requisito ou ausência de qualidade que a 
lei articulou entre as condições que invalidam ou apenas proíbem a união civil. 
Desde já é importante observar a diferença entre incapacidade e impedimento 
matrimonial. A incapacidade é geral, a pessoa considerada incapaz não pode se casar 
com quem quer que seja (ex.: pessoa casada). O impedimento matrimonial é relativo, 
sendo um óbice estabelecido por lei em razão de determinada posição jurídica, ou seja, 
a pessoa considerada impedida não pode se casar com determinada pessoa ou enquanto 
ostentar determinada estado (ex.: não podem se casar os irmãos - art. 1.521, IV nem as 
pessoas que ostentarem a condição de casadas
18
). 
Os impedimentos eram classificados na lei civil anterior como dirimentes 
públicos ou absolutos, dirimentes relativos e impedientes
19
. Contudo, o legislador 
considera como impedimento somente aquelas causas capazes de trazer a nulidade do 
casamento. 
 
18
 Atenção: Os impedimentos do casamento também impedem o reconhecimento da união estável, 
com exceção das pessoas casadas que estejam separadas de direito (judicial ou extrajudicialmente) ou os 
separados de fato (Art. 1723, § 1°) 
19
 No Código de 1916, impedimentos dirimentes relativos geravam a anulabilidade e os 
impedimentos impedientes traziam a restrição quanto ao regime patrimonial de bens que hoje se 
denomina causa suspensiva (art. 1523) 
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Os impedimentos matrimoniais, previstos no artigo 1521 do Código Civil são 
classificados em três categorias: impedimentos resultantes do parentesco (art. 1.521, I a 
V); impedimentos resultantes de vínculo (art. 1.521, VI); e impedimentos resultantes de 
crime (art. 1.521, VII). Acarretam, como efeito, a nulidade do casamento. Considerando 
o interesse público neles estampados, podem ser argüidos por qualquer interessado e 
pelo Ministério Público. 
 
4 \u2013 Dissolução da sociedade conjugal 
 O Brasil adota por princípio a dissolubilidade do vínculo conjugal, conforme 
disposto no artigo 226, § 6° da CRFB, alterado em julho de 2010 pela Emenda 
Constitucional 66/2010. A partir deste princípio se reforça o fundamento de que o 
pedido de divórcio é um direito potestativo do casal, podendo ser exercido sempre que 
um deles não quiser manter a relação conjugal. 
 As causas de dissolução poderão ser concomitantes à constituição do vinculo 
conjugal, sendo a nulidade e a anulabilidade e posteriores à celebração do casamento. 
Por causas posteriores de dissolução se tem a morte e o divórcio, embora o Código Civil 
mantenha previsão em seu artigo 1571 em relação à separação. 
 Há hoje uma grande discussão em relação à modificação quanto à dissolução do 
casamento em razão da Emenda Constitucional 66/2010. Para alguns autores, não 
existem mais requisitos objetivos (tempo de casamento, separação de fato anterior) ou 
subjetivos (culpa de uma das partes, impossibilidade de manutenção do vínculo) 
20
. Para 
Rodrigo da Cunha Pereira
21
, houve a derrogação dos artigos da lei civil que tratavam da 
separação judicial. Neste caso, trata-se de uma revogação tácita e que traz a extinção 
simultânea da sociedade e do vínculo conjugal
22
. 
 
20
 Neste sentido, Rodrigo da Cunha Pereira e Maria Berenice Dias. Vide www.ibdfam.org.br. 
21
 Idem. 
22
 O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro tem defendido esta tese, a exemplo: 0002282-
97.2003.8.19.0067 - APELACAO - 1ª Ementa DES. HELENA CANDIDA LISBOA GAEDE - 
Julgamento: 27/08/2010 - TERCEIRA CAMARA CIVEL. APELAÇÃO CÍVEL. DIVÓRCIO 
DIRETO CONSENSUAL. DETERMINAÇÃO PARA QUE FOSSE APRESENTADA A 
DECLARAÇÃO DE DUAS TESTEMUNHAS ACERCA DO LAPSO TEMPORAL DA SEPARAÇÃO. 
PARALISAÇÃO POR CINCO ANOS. EXTINÇÃO POR ABANDONO. META 2. O ART.226 §6 DA 
CRFB, COM REDAÇÃO ALTERADA PELA EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 66/2010, NÃO 
TRAZ MAIS NENHUM REQUISITO TEMPORAL PARA A DECRETAÇÃO DO DIVÓRCIO, QUE 
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 Para Maria Berenice Dias, \u201cé necessário alertar que a novidade atinge as ações 
em andamento. Todos os processos de separação perderam o objeto por impossibilidade 
jurídica do pedido (CPC 267, inc. VI). Não podem seguir tramitando demandas que 
buscam uma resposta não mais contemplada no ordenamento jurídico\u201d. (In: Divórcio já! 
Editora Revista dos Tribunais, 2010) 
Outras vozes tem se levantado
23
 e dito que a norma constitucional não vedou a 
separação e que, portanto, ela ainda estaria em vigor. Em razão da grande discussão 
sobre o tema serão mantidos os tópicos acerca da separação. 
 
 
 4.1. Efeitos da separação e do divórcio 
Com base na interpretação de que não cabe interpretação revogatória do instituto 
da separação à luz da nova redação constitucional (atenção, pois este entendimento é 
minoritário), pode-se pensar nos efeitos dos dois institutos para a ruptura do casamento. 
Os efeitos da separação de direito
24
 e do divórcio atingem tanto a pessoa dos 
cônjuges quanto o seu patrimônio, por isso se fala em efeitos pessoais e efeitos 
patrimoniais. 
 
4.1.1. Efeitos pessoais 
a) põe termo aos deveres recíprocos do casamento; 
 
PODERÁ SER OBTIDO A QUALQUER TEMPO. ASSIM, AS EXIGÊNCIAS NÃO MAIS 
SUBSISTEM PARA A CONCESSÃO DO DIVÓRCIO. ANULAÇÃO DA SENTENÇA PARA 
PROSSEGUIMENTO DO FEITO. PROVIMENTO DO RECURSO 
 
23
 O Desembargador Sérgio Grishow, do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul publicou artigo 
em que defendeu que a Constituição Federal não revogou a separação judicial, mas apenas suprimiu os 
requisitos do divórcio. A separação judicial apenas foi elidida como exigência para o divórcio, mas 
permanece no sistema brasileiro, enquanto não revogado o Código Civil. Muitos pensam assim. A 
Constituição fala que o casamento é dissolvido pelo divórcio; ora, a separação não dissolve casamento, 
mas sim a sociedade conjugal. Alguns asseveram que ela é inútil. Não é bem assim. Desde que não 
atrapalhe o divórcio, pode continuar no Código Civil. A verdade é que pode ser o único caminho para 
aqueles cuja religião não admite o divórcio. A Constituição, ao nela constar que o casamento pode ser 
dissolvido pelo divórcio, não especifica requisitos, com o que sustentável que continuem regidos pelo 
Código Civil. In: Calma com a separação e o divórcio! Sérgio Gischkow, disponível em http://magrs.net. 
 
24
 Aqui nos referimos tanto à judicial quanto à extrajudicial. O conceito de \u201cseparação de direito\u201d 
se opõe à separação de fato, que se constitui a partir da cessação da vida em comum. 
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