HDB - Anotação (6)
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DisciplinaHistória do Direito Brasileiro10.787 materiais255.834 seguidores
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descendentes e ascendentes (art. 1.829, III, do CC), seja por concorrer com 
eles à herança (art. 1.829, I e II). 
Não é correto mover a ação contra o espólio do finado pai. O espólio não tem 
personalidade jurídica, não passando de um acerca de bens. 
O art. 27 do Estatuto da Criança e do Adolescente menciona expressamente \u201cos 
herdeiros\u201d do suposto pai, mas a ação pode ser contestada por qualquer pessoa \u201cque 
justo interesse tenha\u201d (art. 1.615 do CC). A defesa pude, assim, ser apresentada pela 
 
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 \u201cÉ juridicamente possível o pedido dos netos formulado contra o avô, os seus herdeiros deste, 
visando o reconhecimento judicial da relação avoenga\u201d. REsp 604154 / RS 
 
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mulher do investigado, pelos filhos havidos no casamento ou filhos reconhecidos 
anteriormente, bem como por outros parentes sucessíveis, uma vez que a declaração do 
estado de filho repercute não apenas na relação entre as partes, como também pode 
atingir terceiros, como aquele que se considera o verdadeiro genitor. 
 
Se não houver herdeiros sucessíveis conhecidos, a ação deveraá ser movida 
contra eventuais herdeiros incertos e desconhecidos através de editais. 
 
7.5 Efeitos do reconhecimento dos filhos havidos fora do casamento 
O reconhecimento produz efeitos de natureza patrimonial e de cunho moral. O 
principal deles é estabelecer a relação jurídico de parentesco entre pai e filho. Embora 
se produzam a partir do momento de sua realização, são, porém, retroativos ou retro-
operantes (ex tunc), gerando as suas conseqüências, não da data do ato, mas retroagindo 
\u201caté o dia do nascimento do filho, ou mesmo de sua Concepção, se isto condisser com 
seus interesses\u201d. 
Com o reconhecimento, o filho ingressa na família do genitor e passa a usar o 
sobrenome deste. O registro de nascimento deve ser, pois, alterado, para que dele 
venham a constar os dados atualizados sobre sua ascendência. 
Se menor, estará sujeito ao poder familiar, gerando aos pais o poder-dever 
constante do artigo 1634 do CCB
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. 
Entre o pai e o filho reconhecido há direitos recíprocos aos alimentos (art. 1.696 
do CC) e à sucessão (art. 1.829, I e II). 
Dispõe o art. 1.616 do Código Civil que: \u201cA sentença que julgar procedente a 
ação de investigação produzirá os mesmos efeitos do reconhecimento; mas poderá 
 
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 Art. 1.634. Compete aos pais, quanto à pessoa dos filhos menores:I - dirigir-lhes a criação e 
educação; II - tê-los em sua companhia e guarda; III - conceder-lhes ou negar-lhes consentimento para 
casarem; IV - nomear-lhes tutor por testamento ou documento autêntico, se o outro dos pais não lhe 
sobreviver, ou o sobrevivo não puder exercer o poder familiar; V - representá-los, até aos dezesseis anos, 
nos atos da vida civil, e assisti-los, após essa idade, nos atos em que forem partes, suprindo-lhes o 
consentimento; VI - reclamá-los de quem ilegalmente os detenha; VII - exigir que lhes prestem 
obediência, respeito e os serviços próprios de sua idade e condição 
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ordenar que o filho se crie e eduque fora da companhia dos pais ou daquele que lhe 
contestou essa qualidade\u201d. O dispositivo permite, portanto, que, em nome do melhor 
interesse da criança, ela possa permanecer na companhia de quem a acolheu e criou. 
O reconhecimento é incondicional: não se pode subordiná-lo a condição ou a 
termo (art. 1.613 do CC). É vedado ao pai subordinar a eficácia do reconhecimento a 
determinada data ou a determinado período, afastando-se, assim, a temporariedade do 
ato. 
 
7.6 Adoção 
O princípio da isonomia dos filhos estabelecido pelo art. 227, §6º da Carta 
Constitucional estabeleceu que os filhos, havidos de qualquer relação, inclusive da 
adoção, gozam dos mesmos direitos assegurados pelo ordenamento jurídico, inclusive 
no plano sucessório. 
A adoção resulta de um ato jurídico em sentido estrito, cuja eficácia depende de 
homologação judicial, e estabelece uma nova relação parental: \u201ca adoção atribui a 
situação de filho ao adotado, desligando-o de qualquer vínculo com os pais e parentes 
consangüíneos, salvo quanto aos impedimentos para o casamento\u201d (art. 41 do ECA). 
A partir da vigência da Lei 12010/10, houve uma derrogação da lei civil em seus 
artigos 1620 a 1629, aplicando-se, na forma do artigo 1619 do Código Civil as regras 
gerais do Estatuto da Criança e do Adolescente para a adoção de maiores. Seja o 
adotando menor ou maior, a adoção só será admitida se constituir efetivo benefício ao 
adotado (art. 43 do ECA). 
Qualquer pessoa pode adotar, basta ter mais de 18 anos, independente do estado 
civil (art. 42 do ECA). A lei exige, ainda, uma diferença de idade mínima de 16 anos 
entre o adotante e o adotado (art. 42,§ 3° do ECA). Como regra geral, a adoção depende 
do consentimento do adotado, se maior de 12 anos, bem como dos seus pais ou 
representantes legais (art. 45 do ECA). Essa exigência pode ser dispensada na hipótese 
do §1º do referido dispositivo (pais desconhecidos ou do infante exposto, com pais 
desaparecidos ou destituídos do poder familiar). 
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Para que duas pessoas possam adotar, o artigo 42, § 2° do ECA exige que os 
adotantes devam ser marido e mulher ou vivam em união estável. O parágrafo 4° do 
referido dispositivo trata de uma hipótese especial em relação às pessoas divorciadas ou 
separadas: \u201cOs divorciados e os judicialmente separados poderão adotar conjuntamente, 
contado que acordem sobre a guarda e o regime de visitas, e desde que o estágio de 
convivência tenha sido iniciado na constância da sociedade conjugal\u201d. 
A sentença de adoção possui eficácia constitutiva e seus efeitos começam a fluir 
a partir do trânsito em julgado da sentença (ex nunc), não produzindo efeito retroativo, 
conforme o artigo 47, § 7° do Estatuto. O deferimento da adoção está condicionado à 
propositura da ação (art. 42, § 6º, do ECA). 
Importante destacar que a Lei 12.010/09 assegurou ao adotado o direito a 
conhecer sua origem biológica, bem como de \u201cobter acesso irrestrito ao processo no 
qual a medida foi aplicada e seus eventuais incidentes, após completar 18 anos\u201d, 
disposição contida no artigo 48 do ECA. 
 
Atenção: O direito à origem está compreendido na esfera dos direitos da personalidade 
humana mas não se confunde com o direito ao reconhecimento, pois neste último há o 
surgimento de uma relação jurídica de filiação, enquanto que no primeiro, há a 
finalidade de se identificar a ancestralidade, mas sem gerar relação jurídica de direito 
de família. 
 
No que diz respeito à adoção internacional, o Estatuto da Criança e do 
Adolescente dispõe sobre o tema em seus artigos 50 e 51. Sobre o tema, o Brasil 
ratificou a convenção relativa à proteção das crianças e à cooperação em matéria de 
adoção internacional, concluída n a cidade de Haia, Holanda, em 29.5.1993, aprovada 
pelo Decreto Legislativo n. 1, de 14.1.1999, e promulgada pelo Decreto n. 3.087, de 
21.6.1999). 
 
7.7 Poder familiar 
Fundamentação legal: 
Princípio do melhor interesse do menor: CRFB, Art. 227 
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Convenção sobre os direitos da Criança, AGO 20.11.89, com força de lei no Brasil 
através do Decreto Legislativo 28, de 24.09.1990,