HDB - Anotação (6)
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ECA \u2013 Lei 8069/90 
 
 
Segundo Caio Mário, o poder familiar pode ser compreendido como o 
\u201ccomplexo de direitos e deveres quanto à pessoa e bens do filho, exercidos pelos pais na 
mais estreita colaboração e em igualdade de condições, segundo o artigo 226, § 5° da 
Constituição da República. 
O poder familiar, que se traduz modernamente numa idéia de poder-função ou 
direito-dever, nada mais é do que um feixe de relações jurídicas emanadas da filiação. A 
idéia predominante é de que a potestas, como era conhecido o poder familiar à época do 
direito romano, deixou de ser uma prerrogativa do pai para se afirmar como a fixação 
jurídica do interesse dos filhos
45
. 
O poder familiar hoje é regulado pelo Código Civil (arts. 1.630 a 1.638) e pelo 
Estatuto da Criança e do Adolescente, que trata do direito à convivência familiar e 
comunitária (arts. 21 a 24) e da perda e suspensão do poder familiar (arts. 155 a 163). 
O poder familiar decorre tanto da paternidade natural como da filiação legal e é 
irrenunciável, intransferível, inalienável e imprescritível. As obrigações que dele fluem 
são personalíssimas. 
Todos os filhos, de zero a 18 anos, estão sujeitos ao poder familiar, que é 
exercido pelos pais. Falecidos ou desconhecidos ambos os genitores, os filhos ficarão 
sob tutela (art. 1.728 do CC). O poder familiar é irrenunciável, intransferível, 
inalienável e imprescritível. As obrigações que dele fluem são personalíssimas. 
O poder familiar é sempre compartilhado entre os genitores. O desaparecimento 
do relacionamento entre pais (casamento ou união estável) não interfere no poder 
familiar (art. 1.632 do CC). 
 
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 O poder familiar é fruto do Princípio da Dignidade da Pessoa Humana (CRFB, art. 1°, III). 
Tem como fundamentos: Cooperação, Reciprocidade afetiva, Responsabilidade recíproca e Acolhimento. 
 
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O Estado pode, em determinadas situações, interferir no exercício do poder 
familiar. Surgem, assim, as hipóteses de suspensão destituição, as quais constituem 
sanções aplicadas aos genitores pela infração dos deveres inerentes ao poder familiar. A 
perda ou suspensão do poder familiar de um ou ambos os pais não retira do filho menor 
o direito de ser alimentado por eles. 
A suspensão do poder familiar representa medida menos grave, daí porque é 
sujeita a revisão. Superadas as causas que a provocaram, pode ser cancelada a 
convivência familiar atender ao interesse dos filhos. A suspensão é facultativa, podendo 
o juiz deixar de aplicá-la. A suspensão do exercício do poder familiar cabe nas hipóteses 
de abuso de autoridade (art. 1.637 do CC). 
Distingue a doutrina a noção de perda e extinção do poder familiar. Perda é uma 
sanção imposta pelo Estado, enquanto a extinção ocorre pela morte, emancipação ou 
extinção do sujeito passivo. 
A perda do poder familiar é sanção de maior alcance e corresponde à 
infringência de um dever mais relevante, sendo medida imperativa, e não facultativa, 
nas hipóteses do art. 1.638 do CC. 
 
7.8 \u2013 Guarda 
 Pode ser compreendida como o direito-dever dos pais de terem consigo seus 
filhos, com vistas a garantir o seu pleno desenvolvimento. 
 A guarda poderá ser deferida a um dos genitores ou a alguém que o substitua
46
, 
conforme o melhor interesse do menor
47
. Neste caso temos a guarda unilateral. Ao outro 
 
46
 Neste sentido, a decisão prolatada no Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro: 0014841-
55.2004.8.19.0066 - APELACAO - 1ª Ementa DES. SIDNEY HARTUNG - Julgamento: 13/07/2010 - 
QUARTA CAMARA CIVEL GUARDA DE MENOR 
DISPUTA ENTRE PAI E IRMAO CONCESSAO DA GUARDA AO IRMAO 
ESTUDO SOCIAL E PSICOLOGICO FAVORAVEL 
INTERESSE DA CRIANCA APELAÇÃO CÍVEL - GUARDA DE MENOR ENTRE PAI E IRMÃ. - 
SENTENÇA CONCEDENDO A GUARDA À IRMÃ. ESTUDO SOCIAL E PSICOSSOCIAL. - A 
decisão que decide a guarda deve buscar sempre a proteção dos interesses do menor. - Com o falecimento 
de sua genitora, a menor, então com 7 anos de idade, passou a residir com a irmã, indicada pelos estudos 
psicossociais ser a melhor pessoa a obter a guarda da criança que, aos 11 anos de idade presta depoimento 
demonstrando sua vontade de permanecer com a requerente. - Sentença que deve ser mantida diante do 
contexto probatório, principalmente porque o requerido já foi pronunciado perante o Tribunal do Júri pela 
morte da genitora da criança, estando o processo pendente de julgamento. - O direito à visitação foi 
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genitor, portanto, restará o direito de visita, forma de regulamentação do direito à 
convivência familiar
48
. 
 
A lei nº 12.398, de 28 de março de 2011 alterou o artigo 1.589, Parágrafo 
único do Código Civil e regulou o direito de visitação aos avós, nos 
seguintes termos: \u201cO direito de visita estende-se a qualquer dos avós, a 
critério do juiz, observados os interesses da criança ou do adolescente.\u201d 
Esta orientação já era seguida pela jurisprudência pátria e estava 
consubstanciada na IV Jornada de Direito Civil do CJF no Enunciado 333 - 
O direito de visita pode ser estendido aos avós e pessoas com as quais a 
criança ou o adolescente mantenha vínculo afetivo, atendendo ao seu 
melhor interesse. 
 
 
A guarda unilateral, a despeito de regular os interesses do menor, limita a 
convivência com o genitor não-guardião. A partir desta concepção, surgiu a modalidade 
de guarda compartilhada, consolidada na jurisprudência pátria e que foi inserta no 
ordenamento juridico brasileiro por força da Lei n. 11.698/2008, que alterou o Código 
Civil em seu artigo 1583 e seguintes. 
Guarda conjunta ou compartilhada
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 significa mais prerrogativas aos pais, 
 
negado, o que, por ora, deve ser mantido. - Regularização de situação fática já existente que se mostra a 
melhor forma de preservar os interesses da menor, tendo sido neste sentido o parecer do Ministério 
Público. - RECURSO A QUE SE NEGA PROVIMENTO. Ementário: 40/2010 - N. 7 - 14/10/2010 
 
 
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 I Jornada de Direito Civil do CJF: Enunciado 102 \u2013 Artigo 1584: A expressão \u201cmelhores 
condições\u201d no exercício da guarda, na hipótese do artigo 1.584, significa atender ao melhor interesse 
da criança. 
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 Art. 1.589. O pai ou a mãe, em cuja guarda não estejam os filhos, poderá visitá-los e tê-los em 
sua companhia, segundo o que acordar com o outro cônjuge, ou for fixado pelo juiz, bem como fiscalizar 
sua manutenção e educação. 
 
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fazendo com que estejam presentes de forma mais intensa na vida dos filhos. A 
participação no processo de desenvolvimento integral dos filhos leva à pluralização de 
responsabilidades, estabelecendo verdadeira democratização de sentimentos. A 
proposta é manter os laços de afetividade, minorando os efeitos que a separação sempre 
acarreta nos filhos e conferindo aos pais o exercício da função parental de forma 
igualitária. 
De acordo com o art. 1.584 do CC, a guarda unilateral ou a guarda 
compartilhada poderá ser requerida por consenso, pelo pai e pela mãe, ou por qualquer 
deles, em ação autônoma de separação, de divórcio, de dissolução de união estável ou 
em medida cautelar; ou decretada pelo juiz, em atenção a necessidades específicas do 
filho, ou em razão da distribuição de tempo necessário