HDB - Anotação (6)
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b) faculta ao cônjuge manter o sobrenome do outro
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, mas traz no artigo 1578 hipóteses 
para a perda do direito de usar o sobrenome do outro, pena que se concretizará se não 
ocorrer alguma das hipóteses previstas nos incisos do citado artigo: I - evidente prejuízo 
para sua identificação; II - manifesta distinção entre o seu nome de família e o dos 
filhos havidos da união dissolvida; III - dano grave reconhecido na decisão judicial; c) 
impossibilita a realização de novas núpcias; d) autoriza a conversão em divórcio, 
cumprido o prazo de um ano de vigência da separação; 
 
 A ação de conversão de separação em divórcio (o chamado divórcio indireto) 
inegavelmente persiste no sistema para que as pessoas que atualmente não estão 
divorciadas possam romper o vínculo, já que a emenda constitucional não as transforma 
em divorciadas. Contudo, o prazo de 1 ano previsto para a conversão no caput do art. 
1.580 do Código Civil não mais existe. Assim, imaginemos que o casal se separou 
judicialmente ou por escritura pública na véspera da promulgação da PEC. No dia 
seguinte, tais pessoas poderiam ter se beneficiado da conversão sem necessidade de 
observância de qualquer prazo. 
 
c) em consequência do poder familiar, emerge o direito de se pleitear a guarda dos 
filhos incapazes na forma do artigo 1583, podendo ser estabelecida a guarda unilateral 
ou compartilhada. 
 
4.1.2 Efeitos patrimoniais 
a) põe fim ao regime matrimonial de bens; 
b) substitui o dever de sustento pela obrigação alimentar; 
c) extingue o direito sucessório entre os cônjuges; 
d) pode dar origem à indenização por perdas e danos se ocorrerem prejuízos morais ou 
patrimoniais, desde que se configure a prática de ato ilícito ou abuso de direito. 
 
 
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 Para alguns autores, o direito de usar o sobrenome do outro se constitui um direito da 
personalidade e, portanto, torna-se bem jurídico indisponível. 
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A sentença de divórcio produz os seguintes efeitos: 
a) dissolve definitivamente o vínculo matrimonial; 
b) põe fim aos deveres conjugais; 
c) extingue o regime matrimonial de bens, sem que seja necessário efetuar a partilha dos 
bens, havendo o estabelecimento de condomínio entre o casal, conforme dispõe o artigo 
1580 do CCB
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; 
d) faz cessar o direito sucessório; 
e) não admite reconciliação entre os cônjuges; 
f) possibilita novo casamento aos divorciados; 
g) mantém inalterados os direitos e deveres dos pais em relação aos filhos. 
 
4.1.3 Dissolução extrajudicial do casamento 
A partir de 2007, com a vigência da Lei 11.441, de 04 de janeiro de 2007, o 
Código de Processo Civil passou admitir a possibilidade da realização de 
procedimento extrajudicial para a dissolução do casamento, bem como os inventários e 
as partilhas, que deve ser realizados extrajudicialmente por escritura pública (art. 
1.124-A do CPC). 
O procedimento extrajudicial é facultativo, não podendo o juiz se recusar a 
homologar o pedido feito em sede judicial
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. 
As partes precisam ser assistidas por advogado, podendo o mesmo profissional 
representar ambos os cônjuges. Da escritura devem constar estipulações quanto à 
pensão alimentícia, à partilha dos bens
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, à mantença do nome de casado ou ao retorno 
do nome de solteiro. Os cônjuges podem escolher livremente o Tabelionato, não 
havendo qualquer regra que fixe competência. 
 
 
26
 Súmula 197 do STJ: O divórcio direto pode ser concedido sem que haja prévia partilha de 
bens\u201d. 
27
 Neste diapasão dispõe a Resolução 35/2007 do Conselho Nacional de Justiça. 
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 Mesmo que não façam a partilha imediata, com a permanência dos bens em condomínio. 
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A manifestação de vontade declinada na escritura é irretratável, mas, como se 
trata de negócio jurídico, pode ser anulada por incapacidade ou por vício de 
consentimento. 
 Quanto à medida cautelar de separação de corpos, prevista no artigo 888, inciso 
VI do Código de Processo Civil, há sua permanência em vigor e produzindo plenos 
efeitos. Esta eficácia está restrita à tutela dos interesses do autor, não sendo mais 
utilizada como termo inicial para a contagem do prazo para a concessão do divórcio 
previsto art. 1580, caput do Código Civil ou para a caracterização da \u201cculpa\u201d de um dos 
cônjuges pelo denominado \u201cabandono de lar\u201d. Neste caso, cabe à parte interessada cabe 
o pedido de divórcio, sem a necessidade de qualquer requisito preliminar. 
 
Atenção: A separação de fato, que conforme Orlando Gomes é a \u201ccessação da vida em 
comum\u201d, produz efeitos jurídicos entre o casal. O primeiro deles é a possibilidade do 
separado de fato contrair união estável (art. 1723, § 1º, in fine). Quanto aos efeitos 
patrimoniais, deve-se elencar: 1) Cessação dos efeitos do regime patrimonial de bens 
(os bens havidos após a separação de fato não serão objeto de comunhão); 2) extingue-
se a capacidade sucessória, nos termos do artigo 1830 do CCB. 
 
 
5. Regime patrimonial de bens 
 
É a disciplina legal dos efeitos patrimoniais do casamento, podendo ser 
considerado como o conjunto de princípios que regulam a situação patrimonial do casal. 
O art. 1.639 do Código Civil resgata o princípio da autonomia da vontade, em 
matéria de regime de bens, permitindo aos cônjuges estipular o que lhes aprouver. Na 
realidade, o legislador criou três hipóteses de incidência de regras em matéria de regime 
de bens: 
a) os cônjuges escolhem o que lhes aprouver
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: materializando sua escolha em 
documento próprio (pacto antenupcial - art. 1.640, c/c art. 1.653)
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; 
 
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 Para Gustavo Tepedino (In: Temas de Direito Civil, 2008, Renovar), \u201ca validade das cláusulas 
formuladas por iniciativa das partes, seja no âmbito do casamento, seja em pactos atinentes a outras 
formações familiares, deve levar em consideração a função instrumental da família no desenvolvimento 
da pessoa humana. Serão merecedoras de tutela as cláusulas que promovam a dignidade de cada 
integrante da família à luz dos princípios da solidariedade e da igualdade\u201d. 
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b) os cônjuges aderem ao regime legal: sem convenção, aceitando em bloco o regime da 
comunhão parcial de bens (art. 1.640). 
c) os cônjuges estão submetidos ao regime da separação total de bens obrigatória: não 
há pacto antenupcial e se houvesse, este seria nulo, pois há a imposição do regime 
quando um ou ambos os cônjuges tiverem mais de 70 anos
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, se houver necessidade de 
autorização judicial para o casamento ou se estiverem presentes as causas suspensivas 
(art. 1641) 
 
Atenção: O Recurso Especial nº 1.190.722/SP reconheceu a possibilidade de aplicação 
do Regime da Separação Obrigatória de Bens à União Estável, mas esta posição não é 
unânime. Veja trecho do voto: II - A não extensão do regime da separação obrigatória 
de bens, em razão da senilidade do de cujus, constante do artigo 1641, II, do Código 
Civil, à união estável equivaleria, em tais situações, ao desestímulo ao casamento, o 
que, certamente, discrepa da finalidade arraigada no ordenamento jurídico nacional, o 
qual se propõe a facilitar a convolação da união estável em casamento, e não o 
contrário(...) 
 
Não havendo a imposição do regime da separação obrigatória, a liberdade dos 
cônjuges no exercício