Apostila UNIJUÍ - Gestão da produção de bens e serviços
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Apostila UNIJUÍ - Gestão da produção de bens e serviços


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de Decisão
Seção 3.5 \u2013 Principais Técnicas de Estudo da Localização
Seção 3.1
Origem dos Conceitos e Instrumentos
Como veremos, a maior parte dos conceitos e instrumentos é adaptada da gestão em-
presarial, cuja finalidade é sabida: geração de lucro com o desenvolvimento da atividade a
que se propõe. Já as unidades públicas produtoras de bens e/ou prestadoras de serviços não
são regidas por esta finalidade, embora a racionalização e a responsabilidade no desenvol-
vimento das atividades desenvolvidas também sejam fatores presentes.
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Seja como for, no estudo da localização (ou re-localização) organizacional nenhum
procedimento pode garantir que se tenha escolhido o melhor local sob todos os aspectos. O
principal desafio neste contexto é escolher o local menos desastroso. Esta afirmação induz, de
certa forma, à idéia de que um estudo para instalação de uma organização qualquer envolve
um grau de complexidade considerável, uma vez que traduz as dificuldades de concluir que
um determinado local é perfeito para a localização da referida unidade organizacional.
Tomemos como exemplo a localização de postos de pedágio num determinado território,
como demonstra a Figura 1. Ao refletir sumariamente sobre as implicações práticas da instala-
ção de um posto de pedágio num determinado ponto de uma rodovia, percebemos rapidamente
que há uma série de fatores e interesses inter-relacionados que influenciam na sua localização.
Figura 1: Localização de Postos de Pedágio no Rio Grande do Sul
Fonte: <http://www.daer.rs.gov.br/mapa_pedagio.jpg>.
No caso de localização de postos de pedágio, que fatores e interesses inter-relaciona-
dos seriam esses? Pense um pouco nisso e liste alguns exemplos.
 
 
 
 
 
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GESTÃO DA PRODUÇÃO DE BENS E SERVIÇOS
Na prática, estudos desta natureza (localização e/ou re-localização) dependem do tipo
da organização \u2013 pública ou privada \u2013, e de uma série de condicionantes e critérios envol-
vendo inúmeras variáveis e características a serem contempladas e que, portanto, não po-
dem ser ignoradas, sob pena de correr riscos de chegar a conclusões desastrosas quanto à
escolha do \u201cmelhor local\u201d.
Também é necessário observar a diferença entre a localização de organizações produ-
toras de bens e a localização de organizações de prestação de serviços. Enquanto a locali-
zação das primeiras depende do ramo de atividade desenvolvido, a localização das unidades
de prestação de serviços normalmente está associada à aglomeração e circulação de pesso-
as. Tecnicamente considera-se que \u201cbens\u201d podem ser produzidos, armazenados e posterior-
mente transportados até os consumidores, enquanto \u201cserviços\u201d são prestados e consumidos
simultaneamente.
Finalmente, é necessário considerar a dupla dimensão dos assuntos que serão aqui
abordados: por um lado a gestão de unidades de produção de bens ou de prestação de servi-
ços públicos, e, por outro, a gestão pública relacionada à critérios urbanísticos, legais, tri-
butários, de política estratégica, entre outros fatores, de unidades privadas de produção de
bens e serviços.
Seção 3.2
Perspectivas de Localização e Investimentos
A tendência, em termos de investimentos para a instalação de novas unidades
organizacionais, sobretudo aquelas ligadas à manufatura, é a de evitar a localização em
concentrações urbanas consolidadas devido ao alto custo da área nestes espaços, à difi-
culdade de funcionários se locomoverem até o local de trabalho, restrições da legislação
urbanística, fatores ambientais, políticas de desenvolvimento urbano, entre outros as-
pectos.
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Por outro lado, a tendência na instalação e ou re-localização de unidades prestadoras
de serviços segue uma lógica contrária: busca otimizar sua atividade por intermédio da
abrangência relacionada à concentração e aglomeração populacional.
Outro aspecto que precisa ser levado em consideração em qualquer caso diz respeito à
necessidade (futura) de expansão das atividades, levando-se em conta duas alternativas: au-
mentar as instalações existentes ou construir ou estabelecer outra unidade em outro local.
A primeira alternativa tem a vantagem de diluir, até certo limite, os custos fixos e
administrativos, e a segunda melhora a distribuição e permite maior flexibilidade no atendi-
mento aos mercados locais.
Moreira (1998) alerta que, de qualquer forma, tanto para unidades novas como para aque-
las já existentes, as decisões sobre localização levam a um compromisso de longo prazo, especial-
mente no caso da produção de bens, que exige grandes projetos, que, se executados, podem durar
vários anos. O impacto dessas decisões sobre os custos e as receitas é bastante significativo.
Seção 3.3
Finalidades, Contextos e Complexidade da Localização
A finalidade do estudo de localização, sob o critério econômico, é encontrar o lugar
que permita, pelo menor custo total, prestar serviços ou transformar a matéria-prima em
produtos acabados e transportá-los aos consumidores. Assim, o critério decisivo é o compa-
rativo entre as diversas localidades sob o ponto de vista econômico.
Outros critérios, no entanto, podem ser relevantes, dependendo das especificidades da
organização. Assim sendo, a decisão em termos de escolha de uma nova localização
organizacional é marcada por um grau de dificuldade importante, envolvendo a avaliação
de inúmeros fatores, conduzindo a reflexões eternas nos custos de produção, fonte de maté-
ria-prima, desperdício e qualificação de mão-de-obra, custo da expansão, políticas internas
e tendências econômicas, entre outras variáveis.
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GESTÃO DA PRODUÇÃO DE BENS E SERVIÇOS
Neste sentido, de acordo com Slack et al (1997), pode-se destacar dois grupos de fato-
res de influência: influência do fornecimento de insumos para a operação e influência da
demanda para os serviços.
Em relação à influência do fornecimento de insumos (influência sobre os custos), pode-
mos elencar fatores como custos de mão-de-obra, quando devemos considerar a produtivida-
de da mesma, os custos da terra, os custos de energia \u2013 sobretudo no caso de organizações
que usam grande quantidade de energia, como produtoras de alumínio \u2013, o custo de transpor-
te de insumos e bens produzidos, e fatores de comunidade, que são os que influenciam os
custos de uma operação e que derivam do ambiente social, político e econômico do local,
como impostos locais, restrições de movimentação de capital, assistência financeira do gover-
no, estabilidade política, assistência de planejamento do governo, atividades locais em rela-
ção a investimentos estrangeiros, língua, disponibilidade de serviços, histórico de relações
trabalhistas, absenteísmo da mão-de-obra, restrições ambientais, entre outros do gênero.
Quanto à demanda (influência sobre a receita), podemos citar fatores como a habili-
dade da mão-de-obra, como no caso de parques tecnológicos/incubadoras, que se recomen-
da posicionar próximos de universidades em função da qualificação dos recursos humanos
destas organizações e da demanda de clientes potenciais (universitários), a imagem do local
em si, citando o caso dos ternos de Savile Row (famosa rua em Londres notabilizada por
ternos de qualidade) ou roupas de Milão, a adequação do local ao tipo de negócio pretendi-
do, como no caso da instalação de um hotel luxuoso focado no turismo, o qual, logicamente,
deve ser pensado em local paradisíaco, e a conveniência para clientes, citando o caso típico
de um hospital, que deve posicionar-se próximo ao público a ser atendido.
O exemplo de uma decisão importante no mundo empresarial, citado por Slack et al
(1997), deu-se quando da definição de um novo projeto para a Eurodisney. A despeito das
experiências bem-sucedidas na Califórnia, Flórida e Japão (1983), a Walt Disney Corporation
esteve diante de um dilema quanto à decisão de construir um parque temático na Europa,
ou seja,