Apostila UNIJUÍ - Gestão da produção
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Apostila UNIJUÍ - Gestão da produção

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as condições de trabalho às características do ser humano.

A aplicação da ergonomia ao trabalho, portanto, visa a basica-

mente o aumento do conforto, a diminuição de lesões e o consequente

aumento da produtividade e qualidade de vida.

Neste contexto, precisamos avaliar a Ergonomia sob a ótica de

um alerta para a importância de se considerar além das máquinas

e equipamentos utilizados para transformar os materiais, também

toda a situação em que ocorre o relacionamento entre o homem e

o seu trabalho, ou seja, não apenas o ambiente físico, mas também

os aspectos organizacionais de como esse trabalho é programado e

controlado para produzir os resultados desejados.

Os serviços realizados na zona rural, via de regra, caracteri-

zam-se por trabalho intensivo, quando frequentemente exige-se dos

agricultores alta produtividade em tempo limitado, porém em con-

dições inadequadas, com problemas de ambiente, equipamentos e

processos. Tais condições acabam levando a insatisfações, cansaços

excessivos, queda de produtividade, problemas de saúde e acidentes

de trabalho.

Produtividade e qualidade não se alcançam com treinamento

puro e simples de pessoal, mas andam de mãos dadas com outros

critérios ergonômicos, os quais tem como principal campo de ação

a concepção de meios de trabalho adaptados às características fisio-

lógicas do homem e de suas atividades.

A pressão temporal da produção e a pouca flexibilidade do

sistema, como problemas gerados pelas características do produto

envolvendo perecibilidade e cuidados de manipulação (como é o caso

da produção de leite), e a necessidade da produção ter de se ajustar

aos horários de entrega ou transbordo do produto ao laticínio, criam

situações de tensão.

Em relação aos recursos humanos, podemos considerar as ca-

racterísticas do trabalho como um significante fator que predispõe

para a satisfação do trabalho e ao mesmo tempo é capaz de reduzir

as taxas de absenteísmo e turnover, aumentar a produtividade, me-

lhorar a moral, a motivação e desempenho dos trabalhadores, ajudar

no recrutamento, na base de conhecimento e técnicas de trabalho.

Absenteísmo

Significa o índice monitorado
na empresa de faltas
ao trabalho.

Turnover

Significa a rotatividade das
pessoas, ou seja, a relação
entre as entradas e saídas
de funcionários num
determinado período.

EaD
Fernanda Pasqualini – alceu de oliveira lopes – dieter siedenberg

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Neste sentido, podemos afirmar que o desempenho dos indivíduos dentro de uma orga-

nização está diretamente ligado à conformidade entre os seus valores pessoais e os valores da

organização, ou seja, a cultura, e o clima organizacional.

É evidente, também que, em função desta conformidade, o colaborador passa a se sentir

como parceiro e participante do processo, resultando a sua conveniência dentro da organização

não somente na satisfação das suas necessidades econômicas, mas também no cumprimento das

suas necessidades de autorrealização profissional dentro de um ambiente de trabalho bastante

agradável.

São áreas de aplicação da ergonomia:

– Ergonomia na organização do trabalho pesado

Planejar o trabalho em atividades fisicamente pesadas, com alto dispêndio de energia e,

em alguns casos, em ambientes de altas temperaturas, tendo como objetivo evitar os quadros

de fadigas.

– Biomecânica aplicada ao trabalho

É o estudo dos movimentos humanos sob a ótica da mecânica. Estuda-se as sobrecargas

na coluna vertebral, as posturas incorretas, a prevenção da fadiga muscular, a prevenção das

tendinites, as lesões por movimentos repetitivos, etc.

– Adequação ergonômica geral do posto de trabalho

Mediante estudos de antropometria, planeja-se os postos de trabalho visando a um índice

de satisfação de 90% da população trabalhadora, nos diversos tipos de trabalhos em pé, semis-

sentados ou sentados.

– Prevenção da fadiga no trabalho

Identificando e corrigindo os fatores de sobrecarga.

– Prevenção do erro humano

Que muitas vezes pode estar associado com os riscos ergonômicos. Não há um profissional

específico para lidar com os problemas e soluções no campo da ergonomia. Esse trabalho deve

ser desenvolvido por uma equipe multi e interdisciplinar na abordagem dos problemas e das

soluções ergonômicas no trabalho. Equipe multiprofissional composta por pessoas de diferentes

expertises que se complementam, tais como: médico do trabalho, engenheiro de segurança do

trabalho, engenheiro industrial, projetista, desenhista industrial, terapeuta ocupacional, fisiote-

rapeuta, gerente, supervisor, operadores de produção, etc.

Passos para a intervenção ergonômica:

– Transformar condições primitivas em postos de trabalho

– Melhorar as condições de conforto relacionadas ao ambiente de trabalho

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gestão da ProdUção

– Melhorar o método de trabalho

– Melhorar a organização do sistema de trabalho

– Ergonomia de concepção

Soluções ergonômicas mais indicadas para ajudar na resolução deste problema:

– Revezamento

– Pausas

– Melhorias na organização do trabalho

– Melhorias no método de trabalho

– Pequenas melhorias nos postos de trabalho

– Projetos de melhoria ergonômica

– Orientação ao trabalhador sobre práticas corretas.

4.3.1 – Posto de trabalho

É definido como a menor unidade produtiva em um sistema de produção. O posto de traba-

lho envolve o homem, seu local de trabalho e toda ajuda material que o indivíduo necessita para

realizar suas tarefas, abrangendo máquinas, ferramentas, equipamentos, mobiliário, softwares,

sistemas de proteção e segurança, EPIs e o próprio sistema de produção.

O projeto do posto de trabalho tem basicamente dois enfoques historicamente conheci-

dos; o enfoque taylorista e o enfoque ergonômico tradicional e, com o advento da automação,

informatização e dos novos sistemas de gestão dos negócios, o enfoque ergonômico do Posto

de Trabalho passou a ter grande importância na gestão da organização. A seguir descreve-se a

definição e a abrangência dos enfoques ergonômicos dos postos de trabalho:

– Enfoque Taylorista: é baseado no estudo dos movimentos corporais para realizar uma

tarefa e no tempo gasto em cada um desses movimentos. O melhor método de trabalho é esco-

lhido pelo menor tempo consumido na realização das tarefas. O enfoque taylorista não leva em

consideração as características físicas e psicológicas dos operadores, muito menos as necessi-

dades individuais dos mesmos.

– Enfoque Ergonômico Tradicional: é baseado no princípio da redução das exigências

biomecânicas no intuito de minimizar a fadiga física, ou seja, leva em consideração os limites

e capacidades do indivíduo na realização de suas tarefas diárias e as características físicas dos

operadores. No enfoque ergonômico tradicional, o posto de trabalho é considerado um pro-

longamento do corpo humano, uma vez que este trata apenas dos fatores físicos do posto de

trabalho. O enfoque ergonômico tradicional é aplicado na concepção e/ou adaptação de postos

de trabalhos tradicionais.

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– Enfoque Ergonômico Global: segue os mesmos princípios do enfoque ergonômico tra-

dicional, abrangendo ainda os aspectos psicológicos e cognitivos do indivíduo, bem como os

sistemas de produção incluindo os hardwares e softwares.

No enfoque ergonômico global, o posto de trabalho é considerado um prolongamento do

corpo e da mente humana, pois trata, além dos fatores físicos do posto de trabalho, os aspectos

cognitivos na interface homem x máquina e processo de produção, bem como as relações pessoais

e motivacionais no ambiente de trabalho. O enfoque ergonômico global é aplicado na concepção

e/ou adaptação