Apostila UNIJUÍ - Gestão da produção
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Apostila UNIJUÍ - Gestão da produção


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básicas que devem ser estipuladas para se ter um programa de produção são: quanti-
dade e tempo. Atenção: é necessário que essas duas variáveis estejam explicitadas para que se 
configure um programa de produção. Assar 10 kg de picanha pode ser um bom programa, mas 
isto ainda não constitui um programa de produção, uma vez que faltou estipular o prazo. 
Exemplos de programa de produção: produzir 300 calças em quatro dias ou, também, três 
toneladas de um produto das 14 às 18 horas.
Carga de máquina: é a quantidade necessária de tempo de funcionamento de uma má-
quina e/ou equipamento, a fim de cumprir um determinado volume de produção. Nesse sentido, 
entendemos volume de produção como a atividade a ser executada por (ou com) aquela máquina, 
representado pelo tempo de fabricação das peças ou produtos que devem ser processados nesse 
dia de trabalho.
Exemplo: uma máquina de costura que precisa ficar 380 minutos funcionando num dia de 
trabalho para que sejam costuradas 100 calças a um tempo médio de 3,8 minutos por calça.
Carga de mão de obra: significa a determinação dos recursos de mão de obra necessários 
para cumprir um determinado programa de produção num específico período de tempo. 
Exemplo: digamos que para cumprir determinada atividade sejam necessárias 32 horas 
de trabalho humano. Para realizar esta tarefa num dia de trabalho de 8 horas, portanto, será 
necessário contar com 4 pessoas. 
seção 6.4
objetivos da determinação da carga de Máquina e da carga de Mão de obra
Vários objetivos podem ser listados:
\u2013 determinar se um equipamento tem capacidade de produzir o volume de produção programado;
\u2013 possibilitar a total utilização do equipamento;
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gestão da ProdUção
\u2013 determinar a necessidade ou não da compra de outro equipamento similar;
\u2013 possibilitar a análise da utilização do equipamento;
\u2013 facilitar a determinação do grau de eficiência do equipamento; 
\u2013 demonstrar claramente se o equipamento está sendo bem ou mal aproveitado;
\u2212 estabelecer a quantidade correta de mão de obra;
\u2212 manter o custo dos produtos dentro de um padrão de mão de obra preestabelecido;
\u2212 facilitar a distribuição do pessoal;
\u2212 garantir a versatilidade no controle da mão de obra e nos ajustes de produção.
seção 6.5
Fatores da carga de Máquina e carga de Mão de obra
Os fatores básicos que influenciam no cálculo da carga de máquina e carga de mão de 
obra são os seguintes:
a) programa de produção;
b) tempo padrão do processo;
c) produtividade;
d) eficiência.
Todos estes fatores influenciam diretamente no cálculo da carga de máquina e da mão de 
obra, como veremos. Vamos abordar primeiro o programa de produção e o tempo padrão. Poste-
riormente incluiremos os outros dois fatores no cálculo.
a) Programa de Produção
Como vimos anteriormente, um programa de produção significa a quantidade de peças (ou 
produtos ou unidades) que uma empresa ou setor deverá fabricar em um determinado período 
de tempo. Vamos ver mais alguns exemplos:
\u2013 produzir 5.700kg de um determinado produto em \u201cx\u201d dias;
\u2013 montar 30.000 geladeiras em 4 meses
\u2013 aprontar 600 metros de calçamento viário em 2 meses de trabalho.
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Fernanda Pasqualini \u2013 alceu de oliveira lopes \u2013 dieter siedenberg
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b) tempo Padrão da operação
É o tempo consumido por determinado conjunto de equipamento/pessoa para realizar uma 
operação na produção de uma unidade. Este tempo é estabelecido com base em algumas medi-
ções e mecanismos reguladores do processo de produção, de forma a propiciar uma produção 
contínua e eficaz, sem afetar fisicamente o operador.
A fim de garantir uma perfeita ergonomia, um ritmo adequado e evitar riscos de Lesão por 
Esforço Repetitivo (LER), são embutidos no cálculo da carga de máquina alguns fatores, como 
a tolerância e o fator de ritmo. 
A tolerância é dada em percentual (5%, 10%, 15%) e significa que o operador dispõe de 
um tempo a mais do que o efetivamente necessário para realizar aquela operação. Por exemplo: 
ao atribuir uma tolerância de 15% sobre o tempo estipulado para um trabalhador realizar de-
terminada tarefa num dia de trabalho; isso significa que este operador disporá de 72 minutos/
dia (480 min/dia x 15%) adicionais para realizar o seu trabalho, propiciando um ritmo menos 
mecânico ao processo. Logicamente estes 72 minutos/dia de tolerância estão distribuídos nos 
diversos processos realizados.
A determinação de um percentual de tolerância adequado a uma linha de produção é 
uma questão de bom senso e capacidade administrativa. Em geral, tolerâncias de 5% a 10% são 
perfeitamente admissíveis e necessárias. 
Há, porém, outro aspecto que precisa ser considerado num processo de produção: a ca-
pacidade individual. Para avaliar este aspecto normalmente se considera o chamado \u201cCHA\u201d, ou 
seja, o Conhecimento, as Habilidades e as Atitudes do operador. A um operador que detenha 
CHA normal, será atribuído um fator de ritmo = 1. A um operador muito bem qualificado será 
atribuído, por exemplo, um fator de ritmo = 0,9. Já de um operador sem experiência, em treina-
mento, não se pode esperar que consiga realizar a tarefa na mesma velocidade que o operador 
qualificado; portanto atribuímos a ele, por exemplo, um fator de ritmo = 1,12.
Ora, o que acontece quando alguém dispõe de um tempo estipulado de, digamos, 12 minutos 
para realizar determinada tarefa e tem atribuído um fator de ritmo = 1,12 por ser inexperiente na 
função? Neste caso se considera que este operador poderá realizar esta tarefa em 13,44 minutos 
(12 x 1,12). Já no caso de se tratar de um operador especializado, onde o fator de ritmo atribuído 
seja, digamos, 0,9 esta mesma tarefa deverá ser realizada em 10,8 minutos (12 x 0,9).
De que forma esse fator de ritmo e a tolerância incidem sobre o tempo padrão? Como ve-
remos a seguir, tanto a tolerância quanto o fator de ritmo alteram (aceleram ou desaceleram) o 
tempo médio para que uma determinada operação seja realizada. Ademais, devemos considerar 
que, além destes fatores (tolerância e fator de ritmo), também podem ser levados em conta ainda 
outros aspectos relevantes na determinação do tempo padrão de uma operação. 
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gestão da ProdUção
Enfim, para calcular o tempo padrão de uma determinada operação, ela deve ser desdo-
brada em seus elementos mais simples, permitindo uma medição, aferição e correção de tempos 
e movimentos, bem como a detecção de falhas no método.
Tomemos como exemplo para determinação do tempo padrão a operação \u201cfurar uma peça\u201d, 
supondo que sejam três as atividades realizadas continuamente:
1) pegar a peça e fixar no dispositivo;
2) furar;
3) retirar e guardar.
Suponhamos ainda que foram feitas algumas medições prévias com o objetivo de estabele-
cer o tempo padrão da referida operação, considerando ainda uma tolerância de 15% e um fator 
de ritmo = 1,12 (aprendiz).
As medições são registradas sempre em frações de minutos, uma vez que ações corretivas 
em frações de segundos são operacionalmente impensáveis.
É necessário considerar também que para obter um tempo médio da operação \u201cfurar uma 
peça\u201d, o número de medições realizadas deverá ser estatisticamente representativo, abrangen-
do todas as situações possíveis, porém, para fins de demonstração, consideremos somente as 
seguintes medições:
Medições 
realizadas \uf0f2
Etapas da operação
Detalhamento de informações
Pegar e fixar Furar Retirar e Guardar
Peça 1 0,10 0,15 0,06 São cronometradas várias peças para poder 
tirar uma média razoávelPeça 2 0,09 0,14 0,07
Peça 3 - 0,15 0,06
Não foi cronometrada a primeira etapa das 
três operações
Peça 4 0,11 0,16 0,08 Todos os tempos são cronometrados em centé-
simos de minutosPeça 5 0,10 0,17 0,07
0,40 0,77 0,34 \uf08c Tempo total cronometrado