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INTRODUÇÃO AO ESTUDO DO DIREITO

SEMANA 9
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SEMANA 09

A LEI DE INTRODUÇÃO ÀS NORMAS DO DIREITO BRASILEIRO

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CONTEÚDO DESTA SEMANA
1 - A LEI DE INTRODUÇÃO ÀS NORMAS DO DIREITO BRASILEIRO.
1.1 A importância da LINDB.
1.2 Validade das normas jurídicas.
1.3 Princípio da obrigatoriedade e da continuidade das leis.
1.4 Vigência da lei e conhecimento da lei.
1.5 Revogação da lei .
	15.1. Ab-rogação.
	1.5.2 Derrogação.
1.6 Repristinação no ordenamento jurídico brasileiro.

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2 - DIREITO INTERTEMPORAL NO CONTEXTO DA LINDB E DA CONSTITUIÇÃO BRASILEIRA.
2.1 A questão da retroatividade, irretroatividade e ultratividade das leis.
2.2 . Obstáculos constitucionais a retroatividade da lei nova.
2.2.1 Ato Jurídico Perfeito.
2.2.2 Direito Adquirido (doutrinas de Gabba, Roubier e Lassalle).
2.2.3 Coisa Julgada.
2.3 Leis temporárias e perpétuas, comuns e especiais.

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AULA 1
Compreender a importância da Lei de Introdução às normas do Direito Brasileiro como importante instrumento que regula a vigência, a validade, a eficácia, a aplicação, a interpretação e a revogação de normas no direito brasileiro.
Introduzir para o aluno a concepção de validade normativa à luz da Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro.
Identificar o processo de vigência legislativa.
Conhecer os institutos da vacatio legis e repristinação no ordenamento jurídico pátrio.
Conceber o ordenamento jurídico como um sistema que doutrinariamente pode ser concebido como fechado ou aberto.
Compreender o conceito de direito intertemporal.
Estabelecer a distinção entre retroatividade e irretroatividade das leis no tempo.
Aplicar os princípios possibilitadores da resolução dos conflitos de leis no tempo.
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Nossos objetivos nesse encontro

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A Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro – LINDB (antiga LICC)
AULA 1
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É uma "lei sobre a lei".
Foi editada em 1942, e está em vigor até hoje.
Seu objetivo foi orientar a aplicação do código civil, preencher lacunas e dirimir questões que foram surgindo entre a edição do primeiro código civil (em 1916) e a edição da LICC.
Segundo Maria Helena Diniz, a LINDB contém normas sobre normas, assinalando-lhes a maneira de aplicação e entendimento, predeterminando as fontes do direito positivo, indicando-lhes as dimensões espácio temporais.

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A Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro
É uma "lei sobre a lei".
Foi editada em 1942, e está em vigor até hoje.
Seu objetivo foi orientar a aplicação do código civil, preencher lacunas e dirimir questões que foram surgindo entre a edição do primeiro código civil (em 1916) e a edição da LICC.
Segundo Maria Helena Diniz, a LINDB contém normas sobre normas, assinalando-lhes a maneira de aplicação e entendimento, predeterminando as fontes do direito positivo, indicando-lhes as dimensões espácio temporais.

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Moral
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Pontos fundamentais da LICC
A Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro fixa e define algumas questões básicas, como o tempo de vigor da lei, o momento dos efeitos da lei, e a validade da lei para todos.

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Caracteriza-se por ser um metadireito ou supradireito, na medida em que dispõe sobre a própria estrutura e funcionamento das normas, coordenando a aplicação de toda e qualquer lei, e não apenas dos preceitos de ordem civil.

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O início da vigência da Lei
Após a sanção, a lei já existe e é válida, tendo em vista que a promulgação é ato declaratório de sua existência. Todavia só terá vigência a partir da data disposta nela mesma.

Pode ocorrer que a lei não mencione a data a  partir da qual vigorará. Neste caso, prevalece a regra geral do art. 1º da LINDB - entrará em vigor 45 dias após a data de sua publicação.

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Chama-se VACATIO LEGIS o período que medeia a data de publicação da lei e a de sua entrada em vigor. Com o período da vacatio legis (vacância da lei), o próprio legislador procura facilitar ao cidadão o cumprimento da lei, facultando o seu conhecimento prévio.
Nada impede, contudo, que a vigência da lei nova seja imediata, dispensando-se a vacatio legis.

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Forma de contagem do prazo da vacatio legis
Dias corridos, com exclusão do dia de começo e inclusão do de encerramento, computados domingos e feriados.
Não se aplica, portanto, ao cômputo da vacatio legis o princípio da prorrogação para o dia útil imediato quando o último dia do prazo for domingo ou feriado – como se faz normalmente com os prazos processuais.

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Princípio da Obrigatoriedade da Lei (Art. 1º e Art. 3º, LINDB)
A lei, a partir do momento em que entra em vigor, é obrigatória para todos os seus destinatários, não podendo o juiz negar-se a aplicá-la ao caso sub judice. Entrando em vigor, a ninguém é lícito ignorar a lei.
Veja que a obrigatoriedade da lei não está condicionada ao seu efetivo conhecimento, pois a lei é aplicável a todos, desde que publicada, independentemente de seu conhecimento.

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Princípio da Continuidade  das  Leis
Este princípio está contemplado no art. 2º da LINDB, quando menciona que uma lei só deixa de vigorar quando modificada ou revogada por outra posterior.

OBS.: Revogação total ou parcial (ab-rogação ou derrogação) e Revogação expressa ou tácita.

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A lei nova revoga a anterior quando trata sobre o mesmo assunto de forma diversa. Assim, nos fatos ocorridos após a sua revogação, a lei antiga não produzirá qualquer efeito, cessando, desta forma, sua eficácia.
Observe, contudo, que com relação aos fatos ocorridos anteriormente à edição da nova lei, a lei antiga poderá continuar produzindo efeitos. Tal fenômeno é chamado de ultratividade da lei.

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A questão da Repristinação
A lei posterior revoga a anterior quando trata da mesma matéria de forma contrária. Uma vez revogada a lei nova, volta a vigorar a lei antiga?
Art. 2º, § 3º, da LINDB: “Salvo disposição em contrário, a lei revogada não se restaura por ter a lei revogadora perdido a vigência”.

Repristinação seria o restabelecimento da lei revogada após a perda da vigência da lei revogadora.
Tal fato, como vimos, não é possível em nosso ordenamento jurídico, salvo disposição expressa em contrário.

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Tal dispositivo não se aplica às leis temporárias:

Art. 2º, caput: “Não se destinando à vigência temporária, a lei terá vigor até que outra a modifique ou  revogue.”

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Eficácia da lei no tempo
Em duas hipóteses:
Se a lei já tem fixado seu tempo de duração, com o decurso de prazo determinado, ela perde sua eficácia e vigência;
Se ela não tem prazo determinado de duração, permanece atuando no mundo jurídico até que seja modificada ou revogada por outra de hierarquia igual ou superior (LINDB, art. 2º) - é o princípio da continuidade das leis.

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Da colisão de uma lei nova com uma lei anterior podem surgir conflitos – são os chamados conflitos de lei no tempo.
Muitas vezes permanecem as conseqüências da lei antiga, sob a vigência da lei nova. E, muitas vezes, situações que foram criadas pela lei antiga já não encontrarão apoio na lei nova. Então há que se estudar até que ponto a lei antiga pode gerar efeitos e até que ponto a lei nova não pode impedir esses efeitos da lei antiga. Chamaremos tal fenômeno de direito intertemporal.

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São os princípios jurídicos que estabelecem as grandes linhas do direito intertemporal. Entre tais princípios, estão os da retroatividade e da não retroatividade da lei e são tratados dessa forma:

A norma que atinge os efeitos de atos jurídicos praticados sob o império da lei revogada é retroativa, tem eficácia pretérita; a que não se aplica a qualquer situação jurídica constituída anteriormente é irretroativa, hipótese em que a norma revogada permanece vinculante para os casos anteriores à sua revogação.

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Em princípio, as leis não devem retroagir; em face do seu caráter prospectivo, devem disciplinar situações futuras. O fundamento maior do princípio da irretroatividade, consagrado na doutrina e pela generalidade das  legislações, é a proteção do indivíduo contra possível arbitrariedade