LINGUAGEM ANIMAL - RESUMO (1)
5 pág.

LINGUAGEM ANIMAL - RESUMO (1)


DisciplinaLinguagem e Cognição24 materiais342 seguidores
Pré-visualização2 páginas
arachnoides) da Estação Biológica de Caratinga, em Minas Gerais, uma área de 
Mata Atlântica ainda preservada. 
A partir da fonética acústica, que estuda os sons da fala humana, Demolin, Ades e 
Mendes analisaram chamados longos usados em distâncias acima de 50 metros entre membros 
do grupo, identificados como relinchos, e chamados curtos, identificados como estacados, 
usados em distâncias curtas. 
` Mendes, que é professor da Universidade Católica de Goiás, e Ades, da USP, acreditam 
que o alto grau de dispersão dos muriquis e a densa vegetação do seu habitat podem ter 
favorecido a evolução das complexas vocalizações nessa espécie, por dificultar outro tipo de 
comunicação, a visual. \u201cPosturas, movimentos e expressões faciais são muito importantes para 
os primatas, mas necessitam de ambientes mais abertos para que sejam eficientes. Primatas que 
vivem em florestas tendem a utilizar mais frequentemente a comunicação vocal e possuir 
vocalizações mais complexas\u201d, observa Mendes. 
Ainda não há descrição semântica sobre os significados das diferentes combinações de 
sons dos muriquis, como a que foi feita em relação aos vervet, associando três tipos de 
chamados a três situações específicas. 
Mesmo que o avanço das pesquisas chegasse à associação de diferentes combinações de 
sons a significados específicos \u2013 da mesma forma que na linguagem humana atribuímos um 
sentido a \u201clobo\u201d e outro a \u201cbolo\u201d \u2013, o que poderia levar a um \u201cvocabulário muriqui\u201d, ainda 
assim não seria possível chamar essa comunicação propriamente de linguagem, no sentido de 
lingua. \u201cSeria um léxico (vocabulário) como o de uma criança com menos de dois anos de 
idade. A capacidade de combinação é pequena\u201d, pontua Albano, da Unicamp. 
Além disso, mesmo no caso dos vervet, embora emitam um som interpretável como 
\u201cleopardo\u201d, não há evidência de que eles seriam capazes de visualizar uma pegada e dizer algo 
do tipo \u201cpor aqui passou um leopardo\u201d ou \u201co leopardo pode voltar\u201d. A possibilidade de relatar o 
passado, predizer o futuro ou referir-se a algo que não está presente são características que 
distinguem a linguagem humana. 
Comunicação entre primatas e humanos 
Com o mesmo ideal dessas pesquisas, alguns primatas foram submetidos a experiências 
de aprendizado. Alguns foram ensinados como bebês humanos, outros aprenderam linguagem 
de sinais, mas no final, todos conseguiram se comunicar, mesmo de forma bastante rudimentar, 
com os seres humanos. 
Como principais exemplos desses primatas temos a chimpanzé Viki, que com a ajuda de 
pesquisadores, que mexiam seus lábios até que ela o fizesse sozinha, conseguiu dizer \u201cmama\u201d; o 
chimpanzé Nim Chimpsky, nomeado em homenagem a Noam Chomsky, que viveu como um 
bebê humano, junto com uma família, mas que não conseguiu aprender de fato uma linguagem. 
 Temos também o caso de Washoe, o chimpanzé que mostrou aos pesquisadores que os 
primatas tinham seus próprios gestos, e com base nisso, os cientistas criaram uma linguagem 
especifica. Além disso, Washoe conseguia aprender gestos de outros primatas, até de outras 
espécies, incluindo dos seres humanos. O primeiro primata não chimpanzé a tentar uma 
comunicação foi o orangotango Chantek que utilizou um projeto parecido com o de Washoe, e 
também mostrou sinais de auto reconhecimento em frente a um espelho. 
Um dos mais famosos casos de primatas falantes é o da gorila Koko. A pesquisadora 
Francine Patterson a ensinou a usar mais de 1000 palavras na língua de sinais americana (ASL), 
e a entender mais de 2000 palavras ditas em inglês, inclusive criando até sua própria linguagem 
de sinais, a qual a Dr. Patterson nomeou de Gorilla Sign Language (GSL). Koko ficou muito 
famosa também por ter um apego especial por gatos, tendo adotado diversos animais durante a 
vida, inclusive nomeando alguns. 
Não tão famoso, mas igualmente impressionante, é o caso do bonobo Kanzi. Seu 
aprendizado começou quando sua mãe era ensinada com lexigramas (ícones em lugar de 
palavras) no Centro de Estudos de Primatas de Yerkes pela pesquisadora Sue Savage-
Rumbaugh. 
 Em seu primeiro dia de aula, Kanzi já se mostrara muito atento aos desenhos e ao 
computador, que usou mais de 100 vezes, o que para um primata é um número bem grande. 
Kanzi é conhecido por entender mais de 400 símbolos diferentes e por compreender 
mais de 3000 palavras da língua inglesa. Seu conhecimento fora testado diversas vezes, com 
testes com fones de ouvido para retirar a leitura labial e comunicação corporal, e mesmo assim, 
Kanzi conseguiu mostrar seu entendimento e responder aquilo que era pedido. 
Bibliografia 
Sites: 
http://www.comciencia.br/comciencia/handler.php?section=8&edicao=31&id=360 
http://lovemeow.com/2009/11/koko-the-gorilla-who-adores-all-ball-the-cat/ 
http://www.smithsonianmag.com/science-nature/speakingbonobo.html 
http://www.pbs.org/wnet/nature/koko/asl.html 
http://blogs.smithsonianmag.com/science/2011/08/six-talking-apes/ 
http://acp.eugraph.com/monkey/mbrains.html 
http://www.pbs.org/wnet/nature/episodes/clever-monkeys/monkeys-and-language/3948/ 
http://www.wired.com/wiredscience/2009/12/monkey-talk/ 
http://www.pigeon.psy.tufts.edu/psych26/language.htm 
http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2008/03/080311_macacoscomunicamfrases
_ba.shtml 
http://www.mundoeducacao.com.br/biologia/semelhancas-entre-chimpanze-homem.htm 
Vídeos: 
http://www.youtube.com/watch?v=v5LdcyTJSe0 
http://www.youtube.com/watch?v=Nz9PLnvLuhE&feature=fvwrel 
http://www.youtube.com/watch?v=L2spGt17lY0