LINGUAGEM MUSICAL
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LINGUAGEM MUSICAL


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Linguagem Musical 
 
Linguagem e Cognição, Puc-Rio 
2012.2 
 
Alice Simões, Jacqueline Niederberger, Larissa Barat, Marcello 
Gazzola, Ricardo Cavalcanti, Sonja Paskin 
 
 
 A música é popularmente conhecida como a linguagem universal. Com 
sua simbologia própria e tão antiga quanto a raça humana, está presente em 
todas as culturas, do nascimento ao último suspiro de cada pessoa, vinculada a 
processos de cura, rituais, filosofia, arte, dança, pedagogia, matemática, poesia, 
métrica, religião, lazer, comércio e outros tantos saberes e práticas. Compõe 
um todo maior que a soma das partes, profundamente ligada às emoções. 
 
 A linguagem musical é a organização do som, com ritmo e timbre, 
através da integração entre o sujeito, o objeto sonoro em si e o meio 
sociocultural no qual ele está inserido, o que estrutura os sons de uma forma 
que gera significados. Entretanto, a compreensão dessa linguagem não é 
anterior ao seu uso, sendo, portanto, necessário que o indivíduo seja 
mergulhado em experiências musicais que lhe proporcionem a construção da 
compreensão da linguagem musical, segundo Silva, Santos e Ferreira (2010, p. 
6) 
 
 Por outro lado, como diz Bigand (2005, p. 59) a música se instala em 
nós sem percebermos tal efeito. Pessoas sem formação musical podem 
identificar acordes, melodias e temas da mesma forma que músicos 
profissionais. Nesse sentido, alguns estudos neurocientíficos têm identificado 
semelhanças entre os caminhos neurológicos de processamento da linguagem e 
de percepções musicais. Concluem também que atividades musicais estimulam 
a memorização, resolução de tarefas espaciais, capacidade de atenção, 
operação de categorização e raciocínio. 
 
 Em termos de comunicação e relação com emoções, da mesma forma 
que é possível, de olhos fechados, saber se uma pessoa com quem se fala está 
nervosa ou calma, distingue-se, numa música instrumental, uma emoção 
correspondente. Alguém sob estresse tende a falar rápido, alto e muito mais 
grave ou agudo do que o habitual, e alguém traquilo geralmente fala mais 
devagar, com a voz aveludada. Por sua vez, músicas que expressam tristeza 
costumam ter frequências graves mais acentuadas, usando violoncelos, 
contrabaixos e ritmos lentos. Enquanto música tranquilas e alegres tendem a 
usar instrumentos mais agudos, como violinos, flautas e harpas em andamento 
um pouco mais acelerado. 
 
 Segundo Campbell e Dickson (2000), pelo menos desde a Grécia antiga, 
a música se faz presente na educação formal. A música como veículo 
pedagógico, insere-se como elemento criativo, subjetivo, emocional e 
interdisciplinar, dinamizando todo o processo de ensino-aprendizagem. 
A sua utilização pode incentivar a participação, a cooperação e a socialização. 
 Além disso, devido à intensa ligação entre música e emoções, a 
musicalização no ambiente escolar pode criar situações positivas para a 
aprendizagem. Oferece receptividade na entrada dos estudantes em seu 
ambiente de ensino, traz efeitos calmantes após exercícios físicos, alivia os 
ânimos da turma, renova a energia, diminui as tensões advindas das atividades 
escolares como provas, e pode ser usada para provocar humor, acuidade 
auditiva e concentração. 
 Na educação musical, o ato de compor envolve a experimentação com 
sons, a utilização do ouvido interno e a resolução de problemas. Ao compor 
uma canção, ativam-se os sistemas de controle da atenção, da memória, da 
linguagem, de ordenação seqüencial e de pensamento superior, entre outros. 
Independentemente de ser representada graficamente, as canções e obras com- 
postas parecem ser benéficas ao neurodesenvolvimento. (Ilari, 2003) 
 
 Utiliza-se som, ritmo, melodia e harmonia com instrumentos, cantos e 
ruídos, também para alcançar necessidades físicas, mentais, sociais, emocionais 
e cognitivas de indivíduos ou grupos. 
 
 Alguns pesquisadores vem constatando uma possibilidade de retardar a 
perda de memória relacionada a Alzheimer por meio dessa terapia graças a 
ligações emocionais com elementos musicais, que permanecem acessíveis na 
memória apesar da doença. 
 
 No tratamento de uma criança autista, que tem como um dos fatores 
principais o atraso ou ausência total de desenvolvimento da linguagem falada, 
pode vir a ser uma terapia bastante eficiente pois sendo a música uma 
linguagem não-verbal, a comunicação é facilitada e mesmo estimulada pela 
intervenção musicoterapêutica. 
 
 Segundo Paul Nordoff e Clive Robbins (50's), pioneiros da 
musicoterapia, a música rompe as barreiras da doença ou deficiência e permite 
que as pessoas literalmente encontrem uma voz. Quando as pessoas estão 
isoladas pelos efeitos da deficiência, doença ou trauma que muitas vezes têm 
dificuldade para se comunicar ou tomar parte na vida cotidiana, a música 
constrói uma ponte para o contato social interativo e capacidade expressiva. 
 
 
Bibliografia: 
 
BIGAND, Emmanuel. Ouvido afinado. Viver Mente & Cérebro: revista de 
psicologia, psicanálise, neurociências e conhecimento. São Paulo, p. 58-63, 
jun. 2005. 
 
CAMPBELL, L.; CAMPBELL, B.; DICKINSON, D. Ensino e aprendizagem 
por meio das inteligências múltiplas: inteligências múltiplas na sala de 
aula. Tradução: Magda França Lopes. 2. ed. Porto Alegre: Artmed, 2000. 
 
ILARI, Beatriz. A música e o cérebro: algumas implicações do 
neurodesenvolvimento para a educação musical. Revista ABEM número 9. 
Paraná, UFPR, set. 2003. 
 
SILVA, Cassiana; SANTOS, Eliane; FERREIRA, Sandra. Linguagem 
Musical: concepção e prática pedagógica de professoras da educação 
infantil. Artigo - Pernambuco, UFPE, 2010 
 
http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2009/02/090224_musicamemoriamv
.shtml 
 
 
 
 
aproveitamos para mandar o vídeo do Bob McFerrin, caso alguém se 
interesse, porque não pudemos ver todo... 
 
http://www.ted.com/talks/bobby_mcferrin_hacks_your_brain_with_music.html