Apostila UNIJUÍ - Fundamentos das ciências sociais
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Apostila UNIJUÍ - Fundamentos das ciências sociais

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entre elas, no sentido probabilístico.

Por fim, um breve comentário sobre o conceito de classe social concebido por Max

Weber. À semelhança do que foi exposto anteriormente, a existência de classes sociais, como

grupo econômico, não condiciona necessariamente às formas de dominação ou de

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estratificação segundo o prestígio, embora possam haver influên-

cias recíprocas. Weber distingue classe, status e partido como for-

mas diferentes de distribuição de poder segundo a economia, o

poder e a honra (prestígio).

As classes são definidas como grupos de pessoas que

vivenciam igual situação de classe, que se caracteriza pela opor-

tunidade de abastecimento de bens, posição de vida externa e

destino pessoal. Nesse sentido, pode-se afirmar a existência das

seguintes situações de classe: classe proprietária, determinada

pelas diferenças de propriedade; classe aquisitiva que apresenta

oportunidades de valorização de bens ou serviços; classe social

caracterizada pela ocorrência de mudança pessoal e na sucessão

de gerações. Podem ocorrer associações entre as diversas classes,

ou dos indivíduos pertencentes às diferentes classes, bem como

mobilidade entre elas.

O status refere-se à distribuição da honra ou do prestígio.

Esta se refere a uma estimativa específica, positiva ou negativa,

da honraria, que pode estar relacionada a uma qualidade parti-

lhada por uma comunidade de indivíduos ou a uma situação de

classe, e que expressa um estilo de vida. Já o partido refere-se à

distribuição ou à aquisição do poder social, com vistas a influen-

ciar a ação comunitária, que pode ser tanto num clube social

como num Estado.

Analisamos as contribuições dos fundadores da Sociologia

– os autores “clássicos”: Comte, Marx e Engels, Durkheim e

Weber. Foram eles que possibilitaram que a Sociologia se afirmasse

como uma das mais importantes formas de conhecimento social.

Essas teorias constituíram-se num momento histórico determina-

do; contudo, estenderam a sua influência até hoje, momento que

definimos como uma nova transição social, da sociedade indus-

trial nacional para a sociedade informacional global. No próxi-

mo capítulo vamos analisar a situação da Sociologia nesse novo

contexto. Vamos avaliar a presença dos “clássicos” e a sua influên-

cia sobre o novo pensamento sociológico.

Estratificação

Distribuição dos indivíduos
em camadas sociais, segundo

uma determinada ordem
hierárquica.

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Referências

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FUNDAMENTOS DAS CIÊNCIAS SOCIAIS

Unidade 3Unidade 3Unidade 3Unidade 3Unidade 3

Sociologia e Crise da Modernidade

Analisamos nos capítulos anteriores o processo de formação da Sociologia. Como refe-

rimos, esse processo não foi uma simples construção intelectual; ao contrário, ele foi produ-

to de profundas transformações e lutas sociais. A própria Sociologia deve ser compreendida

como espaço de luta e confrontação de diferentes projetos de sociedade, que se expressam

nas diferentes teorias sociais, elaboradas ao longo da história da Sociologia. A Sociologia

constituiu-se num dos grandes eventos da modernidade. Comprova-o a sua presença em

todos os debates, na produção de conhecimentos e na formulação de proposições para a

manutenção, reforma ou transformação da sociedade. Pode-se, portanto, afirmar que a So-

ciologia é também um sujeito, múltiplo e contraditório, vinculado à construção da

modernidade.

Estamos vivendo um novo momento histórico, de intensas transformações sociais.

Palavras como pós-modernidade, pós-industrial, pós-capitalista, informacional, sociedade

global, sociedade do conhecimento, passaram a fazer parte do cotidiano na Sociologia, nas

demais Ciências Sociais e nos meios de comunicação de massa. Elas pretendem indicar as

mudanças sociais que estão em curso. A discussão mais acirrada coloca em oposição

modernidade e pós-modernidade. Outro entendimento é de que o projeto da modernidade

está em crise, mas as soluções estão ainda no próprio paradigma da modernidade. A Socio-

logia, no primeiro caso, está em questão junto com o projeto da modernidade; no segundo,

ela precisa ser reformulada ou reconstruída.

Para a análise que se pretende desenvolver, nas próximas páginas, vamos nos situar

na segunda posição. Além disso, vamos conceber o momento atual de mudança da seguinte

forma: a humanidade vive um momento de transição social, que pode ser genericamente

identificado pelos conceitos de sociedade industrial nacional e de sociedade informacional

global. O primeiro conceito foi elaborado pela própria Sociologia e constitui o seu objeto de

análise; o segundo ainda está em construção, de modo que sobre ele podemos apenas fazer

indicações gerais.

As teorias sociológicas clássicas elaboraram uma compreensão da sociedade industri-

al nacional em que a ênfase em determinados princípios gerais apontava para a sociedade

que atualmente encontra-se em formação. A constatação da lei histórica da “preponderân-

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cia progressiva da solidariedade orgânica”, feita por Durkheim, indica a possibilidade do

processo atual, se por globalização entendermos a ampliação da divisão do trabalho, mes-

mo que esta tenha diferenças importantes daquela estabelecida na sociedade industrial.

Podemos fazer a mesma afirmação sobre a tese de Weber da racionalização da sociedade

ocidental e sobre as várias observações feitas por Marx em toda a sua obra sobre a tendên-

cia globalizante dos movimentos do capital para viabilizar o processo de acumulação.

Se esses autores, entretanto, constataram uma tendência geral de desenvolvimento

das sociedades, nada nos autoriza a afirmar que as teorias não precisam ser atualizadas.

Talvez a questão central a ser enfrentada pela Sociologia neste momento possa ser assim

expressa: além da atualização das teorias diante da nova realidade social, há que se enfren-

tar problemas de natureza epistemológica, referentes à teoria do conhecimento. Ou seja, a

transição social comporta duas dimensões articuladas entre si – uma societária e outra

epistemológica.

A dimensão societária tem sido amplamente discutida pela Sociologia em todo o mun-

do. Pode-se assegurar que os conhecimentos que temos sobre a “sociedade informacional

global” foram, em grande parte, produzidos pela Sociologia, mesmo que em muitas univer-