Apostila UNIJUÍ - Fundamentos das ciências sociais
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mem. Maquiavel sentencia:
como não há tribunal onde reclamar das ações de todos os ho-
mens, e principalmente dos príncipes, o que conta por fim são os
resultados. Cuide pois o príncipe de vencer e manter o estado: os
meios serão sempre julgados honrosos e louvados por todos, por-
que o vulgo está sempre voltado para as aparências e para o re-
sultado das coisas (1998, p. 85-86).
Há várias passagens, no entanto, em que ele afirma o papel
decisivo do povo na política. O povo aparece como o ator decisi-
vo para a preservação da liberdade e da República (\u201ca desunião
entre o povo e o Senado de Roma foi a causa da grandeza e da
liberdade da República\u201d). Também quando afirma que um prínci-
pe deve \u201cvalorizar os grandes\u201d, ele não se descuida quanto ao
papel do povo, pois o príncipe não pode \u201cse fazer odiar pelo povo\u201d.
Talvez seja inútil o esforço intelectual no sentido de encontrar a
verdadeira perspectiva teórica de Maquiavel. As suas lições indi-
cam a relatividade das posições políticas.
As teses de que os fins justificam os meios e da violência
como instrumento do Estado transformaram Maquiavel no gran-
de demônio da política, num símbolo do mal. A própria Igreja
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Católica se encarregou de elaborar e propagar essa idéia. No
Concílio de Trento, realizado de 1545 a 1561, as obras de
Maquiavel foram colocadas no índex dos livros proibidos. A par-
tir de então, os vocábulos maquiavélico e maquiavelismo adqui-
riram um sentido pejorativo, significando maldade, crueldade, má-
fé, mentira, sacanagem, manipulação, etc. Apesar disso, a obra
de Maquiavel sobreviveu, sendo incorporada definitivamente na
formação do pensamento ocidental. Uma obra nunca produz
unanimidade de pensamento, por isso ela só pode se destacar pela
sua capacidade de despertar o pensamento crítico. É assim que
se desenvolve o pensamento de Maquiavel.
A equação política maquiaveliana não tem solução. Mes-
mo que o povo se torne príncipe ele terá de oprimir aqueles que
foram seus opressores. A modernidade engendrou novas equa-
ções políticas e novas soluções, como o Estado democrático de
direito, que tem oscilado entre uma forma liberal e outra social, e
o socialismo.
O Concílio de Trento encerra o movimento renascentista ita-
liano. A Igreja Católica, por meio da censura e da repressão, pro-
cura se antepor aos processos sociais, políticos e culturais em cur-
so, mas não consegue impedir o progresso do pensamento racio-
nal. Outros pensadores italianos que tiveram problemas com a Igre-
ja foram Giordano Bruno e Tomaso Campanella. Este foi preso e
condenado à morte, salvando-se pela sua capacidade de simula-
ção de loucura. Giordano Bruno foi denunciado ao Santo Ofício.
As várias tentativas de convencê-lo a renegar suas teses \u2013
notadamente a sua defesa da revolução copernicana, que a seguir
estudaremos \u2013 não surtiram efeito. Ele foi julgado e condenado à
morte na fogueira, sentença executada em fevereiro de 1600.
1.3.2 \u2013 A Revolução Copernicana e a Ciência Moderna
Vamos agora analisar o momento decisivo para a constitui-
ção da Ciência moderna. Na verdade, trata-se de um processo
que apresenta três momentos importantes:
Santo Oficio ou Inquisição
do latim: Inquisitio Haereticæ
Pravitatis Sanctum Officium,
é um termo que deriva do ato
judicial de inquirir, o que se
traduz e significa perguntar,
averiguar, ameaçar, extorquir,
abusar, chocar, ferir emocional
\u2013 e fisicamente, causar medo,
apavorar, etc...
No contexto histórico europeu,
a Inquisição foi uma operação
oficial conduzida pela Igreja
Católica a fim de apurar e punir
pessoas por heresia (escolha
contrária ou diferente do
cristianismo, que pressupõe
um sistema doutrinal organiza-
do, ortodoxo).
Disponível em:
<http://pt.wikipedia.org/wiki/
Inquisi%C3%A7%C3%A3o>.
Acesso em: 19 jan. 2008.
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FUNDAMENTOS DAS CIÊNCIAS SOCIAIS
1) a revolução \u201castronômica\u201d, sustentada pelas reflexões de
Copérnico, Tycho Brahe, Kepler e Galileu; 2) as contribuições
de Bacon e Descartes; 3) a formação da Física clássica por Isaac
Newton. Comecemos pela chamada revolução copernicana, o
estopim desse processo.
A obra de Nicolau Copérnico, De revolutionibus orbium
celestium, escrita em 1532, começa a mudar a imagem do mun-
do, produzida pela concepção de Ptolomeu (e Aristóteles) e sus-
tentada pela Igreja Católica. Essa imagem dominante situa a
Terra como o centro do universo. A Terra é o lugar privilegiado da
criação, pois foi nela que Deus colocou o homem, a sua obra
mais importante.
\u2013 O que afirma Copérnico?
A Terra é um corpo celeste como os demais e não ocupa o
lugar central no universo. Ela está girando em órbitas definidas
ao redor do Sol, este o verdadeiro centro do universo. As princi-
pais questões defendidas por Copérnico são:
\u2013 o mundo e a Terra são esféricos \u2013 o movimento dos corpos celes-
tes é uniforme, circular e perpétuo \u2013; a Terra se move em um
círculo orbital em torno do seu centro e gira sobre o seu próprio
eixo \u2013; a Terra não está no cento do universo.
Segundo um texto do próprio Copérnico, citado por Reali e
Antiseri (1990, p. 219): \u201ctodas as esferas giram em torno do Sol
como o seu ponto central. Portanto, o centro do universo está em
torno do Sol (...). O movimento da Terra, portanto, é suficiente
para explicar todas as desigualdades que aparecem no céu\u201d.
Tycho Brahe desenvolveu uma posição crítica ao sistema
criado por Copérnico, sem negá-lo totalmente. Brahe afirmou que
a Terra não ocupa o centro em relação a todos os planetas. Para
ele, o Sol e a Lua giram ao redor da Terra, que preside a determi-
nação do tempo, porém os demais planetas (Mercúrio, Vênus,
Marte, Júpiter e Saturno) giram em torno do Sol. Na verdade,
Nicolau Copérnico
(Torun, 19/2/1473 \u2014
Frauenburgo, 24/5/1543),
astrônomo e matemático
polonês que desenvolveu a
teoria heliocêntrica do sistema
solar. Foi também cônego da
Igreja Católica, governador e
administrador, jurista, astrólo-
go e médico.
Sua teoria do heliocentrismo,
que colocou o Sol como o
centro do sistema solar,
contrariando a então vigente
teoria geocêntrica (que
considerava a Terra como o
centro), é considerada uma
das mais importantes hipóteses
científicas de todos os tempos,
tendo constituído o ponto de
partida da astronomia moder-
na. A teoria copernicana
permitiu também a emancipa-
ção da cosmologia da teologia.
Disponível em: <http://
pt.wikipedia.org/wiki/
Nicolau_Cop%C3%A9rnico>.
Acesso em: 16 jan. 2008.
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Johannes Kepler
(Weil der Stadt, perto de
Estugarda,
 27/12/1571 \u2013 Ratisbona,
15/11/1630), astrônomo.
Formulou as três leis funda-
mentais da mecânica celeste,
conhecidas como Leis de
Kepler. Dedicou-se também ao
estudo da óptica.
Disponível em:
http://pt.wikipedia.org/wiki/
Johannes_Kepler.
Acesso em: 16 jan. 2008.
Galileu Galilei
(Pisa, 15/2/1564 \u2014 Florença,
8/1/1642), físico, matemático,
astrônomo e filósofo italiano que
teve um papel prepoderante na
Revolução Científica. Ele
desenvolveu os primeiros
estudos sistemáticos do
movimento uniformemente
acelerado e do movimento do
pêndulo. Descobriu a lei dos
corpos e enunciou o princípio da
Inércia e o conceito de referencial
inercial, idéias percursoras da
Mecânica Newtoniana. Melhorou
significamente o telescópio
refrator e teria sido o primeiro a
utilizá-lo para fazer observações
astronômicas. Com ele descobriu
as manchas solares, as monta-
nhas da Lua, as fases de Vênus,
quatro dos satélites de Júpiter,
os anéis de Saturno, as estrelas
da Via Láctea. Estas descobertas
contribuíram decisivamente na
defesa do heliocentrismo.
Desenvolveu ainda vários
instrumentos, como a balança
hidrostática,