Apostila UNIJUÍ - Fundamentos das ciências sociais
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Apostila UNIJUÍ - Fundamentos das ciências sociais


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o
poder Executivo e o poder Federativo (que trata das relações
exteriores). Nota-se a presença, na teoria política de Locke, da
divisão de poderes, um dos pilares do Estado moderno. O poder
Judiciário ainda não está concebido como poder autônomo \u2013
questão que será teoricamente desenvolvida por Montesquieu \u2013,
porém a teoria afirma a necessidade do juiz imparcial, conside-
rando que a sua inexistência é uma das condições para a passa-
gem do estado natural para o estado político. Na verdade, o
poder Judiciário está vinculado ao poder Legislativo porque os
John Locke
(Wringtown,
29/8/1632 \u2013 Harlow,
28/10/1704), filósofo. Para
Locke, os homens consentem
em criar sociedades políticas,
por meio do contrato, para
garantir o respeito ao direito
natural do homem a proprie-
dade, entendida como a vida, a
liberdade e os bens produzidos
pelo trabalho de cada um.
Influencia, portanto, as
modernas revoluções liberais:
Revolução Inglesa, Revolução
Americana e a fase inicial da
Revolução Francesa, oferecen-
do-lhes uma justificação da
revolução e a forma de um
novo governo.
Disponível em:
<http://pt.wikipedia.org/wiki/
John_Locke>.
Acesso em: 16 jan. 2008.
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FUNDAMENTOS DAS CIÊNCIAS SOCIAIS
legisladores e os juízes têm a mesma função, que é estabelecer o Direito (leis fixas e iguais
para todos). O governo se constitui a partir de uma maioria e por uma maioria pode ser
dissolvido.
Cabe uma breve observação sobre a contribuição de Montesquieu, especialmente a
sua teoria da divisão de poderes, como condição para evitar o poder absoluto. Os três pode-
res \u2013 o Legislativo, o Executivo e o Judiciário \u2013 desempenham funções diferentes, sem que
um deva se sobrepor aos demais, estabelecendo, assim, um sistema de freios e contrapesos.
O equilíbrio e a independência entre os poderes não quer dizer que não haja também uma
interpenetração entre os mesmos, que se manifesta, por exemplo, no veto do Executivo às
leis votadas no Legislativo, na ação deste sobre os atos do Executivo, na nomeação de
membros dos tribunais superiores, etc.
A tese de Montesquieu visa a evitar o abuso do poder, colocando em questão a liber-
dade e o exercício do poder \u201cpara que não se possa abusar do poder é preciso que, pela
disposição das coisas, o poder freie o poder\u201d (Montesquieu, 1997, p. 200). O exercício da
liberdade, como direito de fazer tudo o que as leis permitem, está ligado à instituição de um
governo moderado \u2013 o meio-termo aristotélico. Para alguns analistas da obra de Montesquieu,
a realização da liberdade não supõe apenas uma divisão de poderes, mas a distribuição de
poderes no sentido de constituir um equilíbrio social. Essa forma de interpretação represen-
taria uma retomada da idéia do governo misto, construída na Antiguidade. Por exemplo,
para Aristóteles o melhor governo seria resultado da combinação entre democracia e aristo-
cracia na medida em que o governo seria o resultado da combinação entre pobres (muitos)
e ricos (poucos). Trazendo esta idéia para a modernidade, o Estado expressaria uma relação
entre classes, de modo que o equilíbrio de poderes seria um equilíbrio entre as classes.
Voltando a Locke, cabe uma observação sobre o direito de resistência, uma das teses
mais importantes desse pensador. Segundo ele,
sempre que os legisladores tentam tirar e destruir a propriedade do povo, ou reduzi-lo à escravidão
sob poder arbitrário, entra em estado de guerra contra ele, que fica assim absolvido de qualquer
obediência mais, abandonado ao refúgio comum que Deus providenciou para todos os homens
contra a força e a violência. ... O que se disse acima a respeito do legislativo em geral também se
aplica ao executor supremo, que, recebendo duplo encargo \u2013 ter parte no legislativo e exercer a
suprema execução da lei \u2013, age contra um e outro quando se esforça por firmar a própria vontade
como lei da sociedade. Age também contrariamente ao seu dever quando ou emprega a força, o
tesouro ou os cargos da sociedade para corromper os representantes e atraí-los aos seus próprios
fins, ou quando alicia abertamente os eleitores e lhes impõe à escolha alguém que ganhou para os
seus desígnios por meio de promessas, ameaças e solicitações... Quem julgará se o príncipe ou o
legislativo agem contrariamente ao encargo recebido? ... A isto respondo: O povo será o juiz;
porque quem poderá julgar se o depositário ou o deputado age bem e de acordo com o encargo a
ele confiado senão aquele que o nomeia, devendo, por tê-lo nomeado, ter ainda poder para afastá-
lo quando não agir conforme seu dever? (Locke, 1983, p. 121-130).
FUNDAMENTOS DAS CIÊNCIAS SOCIAIS
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JEAN-JACQUES ROUSSEAU
O grande contratualista francês constrói uma visão crítica
do contrato a partir dos mesmos pressupostos teóricos, ou seja,
da contraposição entre estado de natureza e estado político. A
diferença é que, para Rousseau, os problemas humanos iniciam-
se com a constituição da sociedade civil. Para comprovar a tese
ele desenvolve uma história hipotética da humanidade. Nesta his-
tória ele demonstra que a sociedade civil (ou política) se estabe-
lece no momento em que surge a propriedade privada, \u201co primei-
ro que, tendo cercado um terreno, atreveu-se a dizer: \u201cIsto é meu\u201d,
e encontrou pessoas bastante simples o suficiente para acreditar
nele, foi o verdadeiro fundador da sociedade civil\u201d (Rousseau,
1993, p. 181). A partir daí emerge a necessidade de legitimação
da nova situação, que se estabelece quando o rico (proprietário)
apresenta a proposta de pacto da seguinte forma:
unamo-nos para resguardar os fracos da opressão, conter os ambi-
ciosos e assegurar a cada um a posse do que lhe pertence. Institua-
mos regulamentos de justiça e paz, aos quais todos sejam obriga-
dos a adequar-se, que não abram exceção a ninguém e reparem de
certo modo os caprichos da fortuna, submetendo igualmente o po-
deroso e o fraco a deveres mútuos. Em suma, em vez de voltarmos
nossas forças contra nós mesmos, reunamo-las em um poder supre-
mo que nos governe segundo leis sábias, que proteja e defenda to-
dos os membros da associação, rechace os inimigos comuns e nos
mantenha numa concórdia eterna (Rousseau, 1993, p. 196-197).
E conclui criticamente:
tal foi ou deve ter sido a origem da sociedade e das leis, que cria-
ram novos entraves para o fraco e novas forças para o rico, des-
truíram em definitivo a liberdade natural, fixaram para sempre a
lei da propriedade e da desigualdade, de uma hábil usurpação
fizeram um direito irrevogável e, para o lucro de alguns ambicio-
sos, sujeitaram daí para a frente todo o gênero humano ao traba-
lho, à servidão e à miséria (p. 197).
Em síntese, o contrato que legitima a propriedade privada e
a desigualdade é iníquo e injusto, percebendo-se com clareza a
diferença com a tese de Locke.
Jean-Jacques Rousseau
(28/6/1712, Genebra \u2013
2/7/1778, Ermenonville, perto
de Paris), filósofo suíço,
escritor, teórico político e um
compositor musical autodidata.
Uma das figuras marcantes do
Iluminismo francês, Rousseau
é também um precursor do
romantismo.
As idéias políticas de Rousseau
tiveram grande influência
sobre as inspirações ideológi-
cas da Revolução Francesa.
Sua herança de pensador
radical e revolucionário está
provavelmente mais bem
expressada em sua mais
célebre frase, contida em O
contrato social: \u201cO homem
nasce livre, porém em todos
lados está acorrentado\u201d.
Inspirados nas idéias de
Rousseau, os revolucionários
defendiam o princípio da
soberania popular e da
igualdade de direitos.
Rousseau é associado
freqüentemente às idéias
anticapitalistas e considerado
um antecessor do socialismo e
do comunismo. Foi um dos
primeiros autores modernos a
atacar a propriedade privada.
Disponível em:
<http://pt.wikipedia.org/wiki/