Apostila UNIJUÍ - Fundamentos das ciências sociais
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Apostila UNIJUÍ - Fundamentos das ciências sociais


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relação entre sujeito e objeto, mas da relação entre sujeitos ca-
pazes de produzirem entendimentos sobre o mundo. A verdade
torna-se consensual; ela resulta da relação intersubjetiva entre
sujeitos falantes e ouvintes, participantes de uma comunidade
comunicacional. A ação comunicativa tem como pano de fundo
o \u201cmundo da vida\u201d, horizonte de referência simbólica comum a
todos, que torna possível o entendimento. Ele apresenta dois
momentos: enquanto suposto do entendimento ele é \u201cquase
transcendental\u201d; como expressão empírica, ele é o produto da
ação comunicativa, da tomada de posição e dos acordos produzi-
dos pelos sujeitos. Formado por três estruturas permanentes e
atemporais \u2013 cultura, personalidade e sociedade \u2013, o mundo da
vida é, na verdade, o espaço das interações (ou da socialização)
produzidas pelos sujeitos. Ele define os limites \u2013 sempre provisó-
rios \u2013 sobre o que e como pode haver entendimento.
Filosofia da linguagem
Teoria que propõe a superação
da Filosofia da consciência e
sua forma de compreender o
homem, colocando a lingua-
gem como fundamento do
homem, ou seja, o homem é
um ser cuja racionalidade se
expressa em primeiro lugar no
ato da produção da linguagem
(palavras, sons, imagens).
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A ação comunicativa visa ao entendimento, mas para que ele se viabilize é necessário
estabelecer o critério da \u201cbusca do melhor argumento\u201d, ou seja, que as pretensões de valida-
de sejam racionalmente construídas. Além disso, deve-se considerar uma \u201csituação ideal de
fala\u201d, como possibilidade de criticar um consenso estabelecido. Nesse caso, é preciso supor
uma distribuição simétrica (ou igualitária) entre os participantes das possibilidades de falar,
proceder a interpretações, explicações, justificações, permitir, proibir, fazer promessas, etc.,
sem coações, a não ser a única coação permitida, a da busca do melhor argumento.
A razão instrumental está ligada ao conhecimento técnico que visa à dominação; a
emancipação está, pois, vinculada à racionalidade comunicativa. A modernidade produziu
a dissociação entre as duas racionalidades e a colonização do mundo da vida pela
racionalidade instrumental, materializada na organização sistêmica do poder e do dinheiro.
Esse processo explica o surgimento das patologias sociais na sociedade contemporânea. A
superação das patologias pode ser alcançada pela afirmação da racionalidade comunicati-
va, que consiste em revigorar a esfera pública, mediante o fortalecimento da sociedade civil,
da neutralização dos efeitos do sistema do poder e do dinheiro sobre o processo decisório e
da democratização das instituições econômicas e políticas. Esse processo deve ocorrer em
consonância com o Estado Democrático de Direito, espaço político fundamental para regu-
lar as ações comunicativas. Além disso, Habermas vislumbra a necessidade de estruturas
globais de comunicação não-estatais (as ONGs, por exemplo) para evitar a reprodução do
sistema do poder e do dinheiro.
Buscamos, nesta unidade, estruturar um quadro geral da Sociologia nos tempos atu-
ais de transição social. O objetivo delineado não foi discutir exaustivamente as contribui-
ções dos diferentes sociólogos sobre o mundo atual ou sobre as questões que dizem respeito
às condições de produção dos conhecimentos sociológicos. Enfatizamos apenas alguns au-
tores, aqueles cujas reflexões, a nosso juízo, são mais instigantes. Mais precisamente, foram
feitas provocações para que cada um faça as suas próprias leituras e chegue as suas próprias
conclusões. É assim que se produz o pensamento crítico e transformador.
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ConclusãoConclusãoConclusãoConclusãoConclusão
As questões discutidas neste livro dizem respeito ao processo de formação e desenvol-
vimento da Sociologia, considerado ao mesmo tempo como um processo social e intelectual.
A Sociologia, que produz conhecimentos sobre a sociedade, atua também na produção da
própria sociedade. Por isso, analisamos o contexto social, histórico e intelectual de forma-
ção da Sociologia, supondo a ação da Sociologia sobre esse contexto, de modo que a situa-
ção atual de transição social foi produzida também pelos conhecimentos sociológicos gera-
dos nos últimos 200 anos. Empregamos na análise a metodologia desenvolvida pela Socio-
logia, da relação dialética entre parte e todo.
A Sociologia é produto das grandes transformações sociais \u2013 a Revolução Industrial e
as revoluções políticas \u2013 que ocorreram no final do século 18 e início do século 19. Como a
Sociologia propõe-se a produzir um discurso científico sobre a sociedade, recuperamos, em
termos bastante genéricos, o processo de constituição da ciência moderna, do qual a Física
é a expressão mais desenvolvida. Assim, é possível entender o fato de as Ciências Naturais
terem constituído o paradigma científico.
Obviamente, esse paradigma se estende também para o interior da Sociologia. É claro
que esse processo não se impôs à Sociologia de forma determinista, porque se instalou um
grande debate sobre a natureza da ciência da sociedade. A Sociologia compreensiva e o
materialismo histórico questionaram radicalmente a aplicabilidade do método das Ciências
Naturais na investigação sociológica, criando uma metodologia particular, que posterior-
mente foi incorporada pelo conjunto das Ciências Sociais contemporâneas.
A Sociologia revelou que a questão do método também está vinculada ao ponto de
vista do observador/sociólogo. Embora buscado por muitos sociólogos, não foi possível esta-
belecer um consenso sobre as questões de método, pela profundidade das diferenças exis-
tentes. Por isso, além das diferenças na explicação da sociedade, as teorias sociológicas
também evidenciaram diferenças metodológicas importantes. As questões metodológicas não
se resumem às técnicas de investigação;