Parametros_estruturais
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Parametros_estruturais

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cada operário é
responsável por uma pequena parte da produção total. Já um esquema de trabalho em
grupo semi-autônomo apresenta menor divisão horizontal do trabalho do que se
comparado a um esquema de linha de montagem, e um sapateiro dono de seu próprio
negócio, que realiza todas as operações, não apresenta nenhuma divisão, não havendo
“especialização”.
Juntando esse parâmetro com o anterior, temos a matriz de possibilidades de estrutura
de divisão de trabalho direto. O parâmetro anterior trata do que a literatura de
organização costuma chamar de “ampliação vertical” (pois envolve não apenas
atividades de execução, mas também atividades de apoio e preparação); já este
parâmetro trata das questões “horizontais”, envolvendo apenas atividades diretas de
transformação. É lícito considerar que, em sistemas muito tecnificados (automação,
processos químicos contínuos etc.), a distinção entre atividades de produção e de
apoio perde um pouco o sentido, pois parte da produção é zelar para que o processo
produtivo transcorra bem, é atuar sobre eventos que aconteçam (imprevistos,
aleatórios), como impedir a ocorrência de uma pane, prevenir produção fora do padrão
etc. Em todo caso, na maioria dos sistemas de produção (ainda?) há sentido raciocinar
com os esses dois parâmetros isoladamente (mas complementarmente).

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SEPARAÇÃO / INTEGRAÇÃO DAS FUNÇÕES DE PRODUÇÃO E DE
CONTROLE
Separação x integração das funções de produção e de controle em diferentes
elementos (homens ou máquinas) ou subsistemas. As funções de produção são as
relativas à produção direta, estrito senso, dos bens e/ou serviços (funções de
“transformação”); as funções de controle são aquelas relativas ao tratamento de
eventos, à minimização de perturbações etc. Ou seja, esse parâmetro busca levantar se
essas duas funções estão integradas ou separadas organizacionalmente (atribuídas a
uma ou a mais unidades organizacionais)
Nesse sentido, o parâmetro aqui em foco pode parecer ser semelhante aos dois acima,
mas possui uma característica que justifica seu destaque: ele envolve,
simultaneamente, os aspectos verticais e horizontais. Pode haver aspectos de
“controle” que sejam horizontais (como, por exemplo, um operador de usina
petroquímica prevenir uma pane que adviria de uma flutuação havida na tensão da
rede elétrica) do ponto de vista de estarem inseridos na atividade de trabalho
considerada direta (a pane foi tratada no âmbito da operação direta); esses aspectos
que integram (ou separam) produção e controle não são muito destacados pelos
parâmetros de divisão do trabalho vistos acima.
ALOCAÇÃO DE ASPECTOS DO SISTEMA: QUALIDADE, MANUTENÇÃO
etc. (“especialização da pilotagem”)
Num sistema de produção há seus subsistemas (que encerram uma função, tipo
vendas, projeto de produto, PPCP, produção etc.), e há aspectos do sistema, que são
transversais aos diversos subsistemas. Por exemplo, as questões de qualidade,
manutenção, logística, gestão de recursos humanos, perpassam os diversos
subsistemas. O parâmetro vai focar se os aspectos do sistema (qualidade, manutenção
etc.) estão definidos em unidades organizacionais específicas “funcionais”
(departamento de manutenção, departamento de qualidade etc.) ou não.
ALOCAÇÃO DE QUESTÕES ESTRATÉGICAS, TÁTICAS E OPERACIONAIS
(“diferenciação da pilotagem”)
O parâmetro põe luz na integração ou separação dos domínios decisórios. Há
separação se as questões são tratadas em unidades organizacionais separadas.
ALOCAÇÃO DO CICLO DE PILOTAGEM (“divisão das funções de controle”)
Alocação do ciclo de pilotagem, ou do ciclo de controle e ação sobre eventos, definido
pelas atividades de percepção (ou representação do estado do processo) – julgamento
– definição da ação, a um único x a diferentes ou elementos do sistema (homens ou
máquinas) ou subsistemas. Por exemplo, um eixo foi produzido fora de especificação
num determinado setor, problema que foi detectado pela inspeção, e cujo retrabalho (e
não refugo) foi definido pelo chefe do setor de usinagem: nesse caso, a alocação do
ciclo é fragmentada, cada “pedaço” fazendo uma parte, o que pode levar a longos
tempos para a solução de problemas.
Referência: SALERNO, Mario S. Projeto de organizações integradas e flexíveis: processos, grupos e gestão
democrática via espaços de comunicação-negociação. São Paulo, Atlas, 1999.