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Disciplina:Contabilidade Social e Balanço de Pagamentos119 materiais1.350 seguidores
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3.2.2.3 As CEIs Institucionais - A conta de
 distribuição secundária da renda
A distribuição primária da renda nacional assim obtida deve ser ajustada institucionalmente para contemplar as transferências correntes recebidas e enviadas e assim transformar a renda nacional (RNB) em renda disponível (RDB). A conta de distribuição secundária da renda é quem efetua essas operações.
Como se sabe dá-se o nome de transferência às transações em que uma entidade cede recursos a outra, sem que haja uma contrapartida de tal cessão.
Essas transferências referem-se principalmente a impostos sobre a renda e o patrimônio, contribuições sociais e benefícios sociais.
Tal como ocorre no plano da distribuição primária da renda, essas transferências compensam-se internamente (o que configura transferência para um setor configura recebimento para outro), de modo que no agregado seu saldo é zero. Contudo, para cada um dos setores, considerados individualmente, essas transferências fazem diferença no que concerne à renda efetivamente disponível que cada um deles destinará ao consumo ou à poupança.
Essas operações envolvem também o recebimento de renda do resto do mundo e o envio de renda ao resto do mundo. É o saldo desses envios e recebimentos (que pode ser positivo ou negativo) que fica registrado no nível agregado e que torna diferentes os agregados RNB (resultado da conta anterior) e RDB (resultado desta conta).

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3.2.2.3 As CEIs Institucionais

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 3.2.2.3 As CEIs Institucionais
 A Conta de Uso da Renda
A próxima conta é a Conta de Uso da Renda. Sua finalidade é demonstrar como cada um dos setores utiliza sua renda disponível em consumo e poupança, sendo esta última obtida por diferença.
As despesas de consumo final das famílias (o maior componente da demanda agregada) indicam o gasto total das famílias com bens e serviços, os quais incluem gastos em dinheiro com a aquisição de bens e serviços e gastos em espécie, tal como ocorre no auto-consumo.
As despesas de consumo final das administrações públicas e das ISFLSF são derivadas da prestação às famílias de serviços individuais (educação, saúde etc.) e coletivos (defesa e segurança, sistema jurídico-legal etc.) não mercantis.
Do ponto de vista do efetivo consumo final institucional, essas prestações de serviços devem contar como consumo das famílias, que são os grupos que de fato as consomem, e não como consumo das administrações públicas e ISFLSF. Por isso há também nas CEI institucionais, além da Renda Disponível Bruta (RDB), a RDB ajustada pelas “transferências em espécie”, que é o nome que se dá a essas prestações de serviços.
Contudo, essa diferente forma de consideração afeta apenas a distribuição da RDB entre os setores institucionais (reduz o valor do consumo das administrações públicas e IFSFLSF e aumenta o valor do consumo das famílias). Do ponto de vista agregado, portanto, não há alteração, ou seja, para o total da economia, a RDB é idêntica à RDB ajustada pelas transferências em espécie.

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 3.2.2.3 As CEIs Institucionais
 A Conta de Uso da Renda
Antes de se deduzir o consumo de cada setor institucional de sua renda disponível para se apurar a poupança bruta de cada setor, bem como a poupança bruta da economia como um todo, é necessário fazer ainda um último ajuste. Ele se deve à existência de rendas de propriedade não disponíveis, ou seja, rendas de propriedade que não entram nas RLP que produzem o agregado RNB.
Essas rendas derivam da participação das famílias em fundos de pensão e também em fundos públicos como o FGTS e o PIS/PASEP. Trata-se aí, portanto, de juros creditados por fundos privados ou pela administração pública como remuneração de ativos detidos pelas famílias, ainda que eles não fiquem disponíveis no momento de seu crédito.
O mesmo não acontece com a previdência social pública, porque neste caso, dado o tipo de regime previdenciário aí presente, tanto as contribuições quanto os benefícios são considerados transferências, como se percebe pela tabela de distribuição secundária da renda.
Também no caso destes ajustes é preciso observar que eles alteram a distribuição da RDB entre os setores (reduzindo a RDB de administrações públicas e empresas financeiras e elevando a RDB das famílias), mas não afetam o valor referente ao total da economia, ou seja, a RDB no agregado.
Esta conta tem como resultado (saldo) a poupança bruta da economia (SD). A poupança é o agregado que faz a ligação entre as contas correntes e as contas de acumulação.

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3.2.2.3 As CEIs Institucionais

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 3.2.2.3 As CEIs Institucionais
 A Conta de Acumulação
A última conta das CEIs Institucionais é a Conta de Acumulação, ou Conta de Capital. Ela parte do resultado da última conta (a conta de Uso da Renda), que é a poupança bruta de cada setor e da economia como um todo.
A poupança total destina-se a financiar o investimento da economia ou o resto do mundo. Mas, para cada setor individualmente considerado, sua poupança pode ser destinada a financiar o consumo de outros setores.
Para a economia como um todo, o que importa é o saldo líquido final desses financiamentos intersetoriais. Se ele for positivo, significa que a economia em questão está financiando seu investimento, bem como o resto do mundo. Se ele for negativo, significa que a economia em questão tem necessidade de financiamento externo para dar conta de seu consumo final e de seus investimentos.
O resultado final das administrações públicas corresponde ao superávit ou déficit nominal do governo. Assim apurado, ou seja, como a diferença entre os recursos e usos das administrações públicas, esse resultado é conhecido por “resultado acima da linha”.

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3.2.2.3 As CEIs Institucionais
 A Conta de Acumulação
Uma outra forma de produzir o mesmo resultado é mensurar a variação da dívida líquida governamental total (interna e externa). Nesse segundo caso, utilizado pelo Banco Central, temos o que se conhece por “resultado abaixo da linha”.
Assim, se a dívida líquida cresce de um período a outro, isto significa que os recursos das administrações públicas não foram suficientes para enfrentar os gastos totais do governo com consumo e investimentos. Assim, ele foi financiado pelo resto do mundo e/ou por outros setores. Se o resultado for contrário , isto significa que o governo financiou outros setores ou o resto do mundo.
Cabe notar que o governo pode ter poupança positiva e mesmo assim um resultado negativo se essa poupança não for suficiente para financiar os gastos com investimentos feitos pelo governo.
O método “acima da linha” apura o resultado do governo olhando para os fluxos e o método “abaixo da linha” apura o mesmo resultado olhando para os estoques.

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