Apostila UNIJUÍ - Comunicação empresarial
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Apostila UNIJUÍ - Comunicação empresarial

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à do tipo descendente nas organizações utilitárias, por

conta da necessidade dos relatórios de desempenho, que relatam

para o topo decisório o funcionamento das bases. E aponta certas

limitações na chamada comunicação expressiva em organizações

utilitárias. A causa: o sentimento calculista dos empregados dos

níveis inferiores para com a organização e sua tendência para de-

senvolver comunicação expressiva independente (horizontal), por

meio de contatos interpessoais (1986, p. 32-33).

De certa forma um dos problemas das organizações reside

nessa questão levantada pelo autor. Sabe-se que é grande a quan-

tidade de informações que circulam nas empresas e se não hou-

ver uma sistematização do que seja realmente informação que

faça parte da comunicação instrumental, isso poderá inibir e blo-

Sine qua non

Ou condição sine qua non
originou-se do termo legal em

latim para “sem o qual não
pode ser”. Refere-se a uma

ação, condição ou ingrediente
indispensável e essencial. Em
tempos recentes passou de
um termo meramente usado
nos meios legais para uma

expressão generalizada
empregada em várias línguas,

incluindo o inglês, alemão,
francês, italiano, etc. No latim

clássico, a forma correta
apresenta a palavra condicio,
mas algumas vezes a frase é

encontrada com a palavra
conditio, a qual tem diferente
significado em latim (funda-
ção). A expressão também é

utilizada em Direito, Economia,
Filosofia e na área das Ciências

da Saúde.

Disponível em:
<http://pt.wikipedia.org/wiki/

Sine_qua_non>.

Acesso em: 21 nov. 2008.

EaD

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COM UNICAÇÃO EM PRESARIAL

quear o grande volume da comunicação expressiva, que por ser inexistente ao entendimen-

to das mesmas, poderão gerar os ruídos que afetarão toda a organização. Por vezes estas

mensagens, que não são poucas, constituem-se de aspectos de tensão, alterando com isso

as rotinas comportamentais normativas das organizações.

Uma das estratégias que poderão ser adotadas, num esforço permanente e contínuo

para que os colaboradores se sintam envolvidos e comprometidos com a empresa, é a remu-

neração. Recompensar o colaborador pela sua produtividade e pelo seu engajamento fará

com que ele fique satisfeito, tanto na produção quanto na administração. Lembramos que

de forma alguma essa alternativa poderá ser vista ou evidenciada como uma forma coerciti-

va de agir, mas sim de incentivo ao colaborador no sentido de fazer com que ele se sinta

importante e ativo no processo de comunicação estratégica da organização.

Embora haja divergências por parte de alguns autores, devemos considerar que a re-

muneração é importante, pois ela estabelece pontuações. Ressaltamos, no entanto, que a

remuneração poderá contribuir para a eficiência e a produtividade dos colaboradores, pro-

movendo com isso a comunicação expressiva, a valorização do profissional, promovendo a

excelência nas organizações.

Como você pode perceber, mais uma vez a questão em pauta é a comunicação. Não

havendo motivação não existirá envolvimento e nem tampouco comprometimento no pro-

cesso produtivo. Salientamos que para além da questão remuneratória, torna-se impor-

tante outra estratégia, e que poderá ser sistematizada talvez por uma ação simples, que é

a “caixa de sugestões”, em que a comunicação ascendente poderá ser estimulada e com-

preendida.

É por meio da caixa de sugestões que o colaborador poderá de certa forma, se despir de

medo, ou de culpa, e fazer sugestões em prol de melhorias e sistematização de processos

eficientes. É claro que esta ação só será eficaz se for interpretada, tabulada e divulgados os

resultados e instituídas ações para toda a organização, a fim de melhorar a comunicação

organizacional entre os públicos colaboradores. Lembramos que estas ações devem ser or-

ganizadas por meio de um Plano Estratégico de Comunicação.

EaD André Gaglia rdi – Ma rcia Formen ti ni

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Devemos lembrar também que por vezes, dependendo da política adotada pelas orga-

nizações, não fica claro aos colaboradores quais são as suas tarefas, o que devem ou não

fazer. E de igual forma não são informados sobre a existência ou não de uma política de

comunicação, e às vezes a situação é mais complexa ainda, pois certos superiores só recor-

rem aos seus colaboradores para reforçar as suas próprias opiniões.

Em síntese, enfatizamos que não temos a intenção de sanar todos os problemas exis-

tentes, mas sim de provocar você a conhecer as organizações e seus públicos. E assim, en-

tender: qual é a empresa em que você atua? Para que ela existe? Por que você está traba-

lhando nela? A comunicação empresarial nela existente é eficiente e eficaz?

Comente essas questões:

Seção 4.2

Mapeamento dos Públicos de Interesse

Para iniciarmos esta seção de estudo partimos primeiramente de uma definição de

públicos. Quem são eles? Como poderemos identificá-los?

Na visão de Cândido Teobaldo de Souza Andrade, público é:

Disponível em:
<desabafopais.blogspot.c>

Acesso em: 28 nov. 2008

EaD

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COM UNICAÇÃO EM PRESARIAL

(...) um agrupamento espontâneo de pessoas adultas e/ou grupos

sociais organizados, com ou sem contigüidade física, com abun-

dância de informações, analisando uma controvérsia, com atitu-

des e opiniões múltiplas quanto à solução ou medidas a serem

tomadas frente a ela; com ampla oportunidade de discussão e

acompanhamento ou participando de debate geral, através da

interação pessoal ou dos veículos de comunicação, à procura de

uma atitude comum, expressa em uma decisão ou opinião coleti-

va, que permitirá a ação conjugada (1989, p. 40).

Dessa forma, como nos assevera este autor, para termos a forma-

ção do público torna-se necessária a presença de uma controvérsia e

entenda-se esse termo como: polêmica/discussão. Assim, para que se

formem públicos são necessários pessoas ou grupos organizados de pes-

soas, com ou sem contigüidade, para polemizar, discutir, e com isso,

promover a crítica e a reflexão. Isso tudo com o objetivo de encontrar

posicionamentos comuns para se estabelecer uma opinião coletiva.

Em outra perspectiva Rodrigues (apud França, 2004)

conceitua “público”, como:

Categoria moderna, criada no século XVIII, que, na origem, era

constituída por pessoas esclarecidas com vista ao livre debate

político, literário ou científico. Tratava-se de uma categoria polí-

tica, empenhada no esclarecimento e na emancipação do homem

moderno em relação ao obscurantismo e ao domínio do poder

autoritário e coercitivo do Antigo Regime (2004, p. 33).

Assim sendo podemos entender que para definir o conceito

de público, de acordo com os princípios anteriores que o defi-

nem, torna-se necessário verificar o que significa e determinar

suas características essenciais. Por exemplo: para uma empresa

(organização), público poderá ser o corpo diretivo (alta administra-

ção), como poderá também ser os colaboradores (funcionários),

da mesma organização. E é claro que aqui já teremos uma subdi-

visão, pois tanto os diretores quanto os colaboradores pertencem

ao público interno de uma mesma organização.

Contigüidade

Algo que está próximo, junto,
imediação, proximidade.

EaD André Gaglia rdi – Ma rcia Formen ti ni

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Para tanto, devemos entender que “público” ou “públicos” é qualquer grupo que tem

interesse ou interesses de impacto real ou potencial sobre as condições de a organização

(empresa) atingir seus objetivos.

Por público, então, entende-se que não se trata de um simples agrupamento de pessoas. E

o que mais interessa nesse momento é que você entenda que grupos de pessoas se organizam e

se combinam em torno de cada organização, realizando um esforço permanente para apresen-

tar e defender suas opiniões e atitudes.

É claro que para isso acontecer deveremos, como trabalhadores na Comunicação

Empresarial, criar as condições mínimas para que se constituam os públicos. Deveremos

marcar o posicionamento, a identidade de cada grupo nas suas relações com as empresas

pelo interesse público que deverá uni-los.

Seção 4.3

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