Apostila UNIJUÍ - Comunicação empresarial
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Apostila UNIJUÍ - Comunicação empresarial

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nelas.

Multiorganizacional

Inserido em várias
organizações

EaD André Gaglia rdi – Ma rcia Formen ti ni

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As organizações existem desde o início da humanidade, entretanto é na sociedade

moderna que elas estão presentes em maior número. Com o aumento das múltiplas organi-

zações é evidente que a evolução na sociedade proporcionou aos homens a satisfação de

suas necessidades e o surgimento de outras.

Sendo assim, podemos afirmar que as organizações estão na sociedade para satisfa-

zer as vontades do homem. O homem, contudo, se relaciona com elas de formas variadas,

seja fazendo parte delas, seja como beneficiário dos produtos ou serviços que as mesmas

fornecem.

Bem, para continuar nosso estudo é importante definirmos o que é uma organização.

Vamos ao primeiro desafio: em sua opinião, o que é e o que caracteriza uma organização?

Agora que você já manifestou sua opinião sobre as organizações, vamos apresentar

um conceito de Caravantes et al (2005):

Organizações são unidades sociais (ou grupos humanos) deliberadamente construídas e

reconstruídas para atingir objetivos específicos: corporações, exércitos, escolas, hospitais, igre-

jas e prisões estão aí incluídas; tribos, classes, grupos étnicos, grupos de amizade e família estão

excluídos (p. 43).

Disponível em:
<altoeclaro.wordpress>

Acesso em: 28 nov. 2008

EaD

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COM UNICAÇÃO EM PRESARIAL

As organizações são sistemas abertos1 e, como tal, mantêm uma relação direta com o

meio ambiente, do qual dependem para sobreviver, se manter e se desenvolver. Elas atuam

em um ambiente dinâmico, com inter-relações entre vários agentes ou grupos sociais.

A empresa não existe no vácuo; é parte integrante de um macro-sistema social sendo seus princi-

pais componentes representados pelo meio ambiente natural, a sociedade, a economia, as polí-

ticas públicas e legislação, a ciência e a tecnologia, portanto, submetida a um intrincado conjun-

to de relações (Duarte; Dias apud Karkotli, 2000, p. 16).

As empresas são organismos sociais em sua maioria altamente complexos, que enfrentam

constantemente uma variedade de impactos e influências, caracterizando-se como um organis-

mo vivo e sujeito a mudanças. Não se pode desconsiderar o fato de que as empresas estão

inseridas em um contexto social no qual influem e são influenciadas. Para Almeida (2002, p.

78), “ignorar essa realidade é condenar-se a ser expulsa do jogo, mais cedo ou mais tarde”.

Segundo Bueno (2003), “o mercado está passando por um processo de renovação, e as

organizações que desejarem permanecer precisam ser rápidas na implementação de novos

procedimentos, no domínio de novas linguagens e tecnologias e na maneira de se relacio-

nar com seus públicos de interesse” (p. 22-23).

E para você, são evidentes as mudanças ocorridas nas organizações? Pense e escreva sobre isso.

1
 De acordo com Kunsch (2003), a teoria dos sistemas nos explica todo o processo dinâmico de interdependência dos elementos
formadores de um sistema e sua ligação com o mundo externo.

Disponível em:
<luisa.blogspot.com>

Acesso em: 28 nov. 2008

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Vamos conhecer um pouco mais sobre as organizações em-

presariais, tendo em vista que o foco deste curso é a área de Ges-

tão Comercial.

A organização empresarial, segundo Duarte e Dias (apud

Ashley, 2002, p. 83), “talvez seja a mais criticada entre o conjun-

to de organizações na sociedade”. Dentro dessa visão, os autores

apontam para os seguintes aspectos:

– nenhuma outra organização está ligada tão diretamente com o

sistema econômico e com os problemas decorrentes de seu mau

funcionamento;

– muitos dos problemas que atingem a sociedade contemporânea

têm vínculo com as empresas: poluição, preços abusivos, más

condições de trabalho, deterioração do meio ambiente;

– a empresa é vista como fonte de riqueza e criadora de tecnologia,

ingredientes necessários à solução dos problemas sociais;

– exerce cada vez maior pressão sobre o setor político – por exem-

plo, beneficiárias ilícitas à custa do interesse coletivo;

– algumas empresas adotam práticas abusivas na busca de maio-

res lucros, desconsiderando os interesses dos seus colaborado-

res e da comunidade, praticando contrabando e fraudes, ma-

nipulando balanços e sonegando impostos. Esses comporta-

mentos antiéticos não afetam somente a empresa que pratica

tais atos, mas se reflete também em suas congêneres.

Essas constatações revelam o quanto uma empresa influ-

encia as estruturas sociais, econômicas e políticas de uma socie-

dade, trazendo à tona a discussão sobre a necessidade de

redefinição do papel social da empresa.

Congêneres

Do mesmo gênero; que têm
caracteres idênticos, que são

semelhantes.

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COM UNICAÇÃO EM PRESARIAL

Segundo Ashley (2002), as empresas são consideradas inte-

grantes da sociedade, devendo participar não apenas com a ofer-

ta de produtos e serviços de qualidade, mas também com ações

voltadas aos problemas sociais.

As empresas privadas, principalmente, são as que geram

empregos, conhecimento, inovação, lucros e talentos. Cabe ao

mundo corporativo, portanto, “um papel fundamental na garan-

tia de preservação do meio ambiente e na definição da qualidade

de vida das comunidades de seus funcionários” (Vassalo, 2000,

p. 9).

Essas características inserem as empresas em um ambien-

te de negócios altamente complexo. Assim, as rápidas transfor-

mações ocorridas fazem com que os gestores, para tomarem as

decisões internas, levem em conta as influências do ambiente

externo, compreendido como tudo aquilo que está fora da orga-

nização, mas que tem o poder de influenciá-la, tais como as

var iáveis econômicas, sociais, políticas, tecnológicas e

ambientais.

Torna-se, então, necessário que essas organizações estejam

atentas ao seu ambiente interno e externo, no sentido de ampliar

relacionamentos e a inserção na sociedade. Para tanto, é funda-

mental a busca constante de informações que possam contribuir

para uma avaliação mais se gura na prática das ações

organizacionais.

Essa busca de informações remete a uma análise

aprofundada do ambiente em que estão inseridas as empresas.

Buono e Bowdich (1997) fazem contribuições importantes nesse

sentido, mediante a caracterização do ambiente geral e do ambien-

te específico.

Corporativo

Baseado ou organizado
em corporações.

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Para estes autores, o ambiente geral refere-se aos fatores, tendências e condições ge-

rais que afetam a todas as organizações, enquanto o específico enfoca as condições exter-

nas que tenham relevância imediata para as organizações, e o ambiente varia de acordo

com as atividades centrais de cada uma delas.

Ainda no que concerne à mesma abordagem, os autores definem o ambiente real e o

ambiente percebido, enfatizando que ambos são importantes para a análise ambiental. O

ambiente real refere-se àquele mensurável e externo à organização, constituindo-se das

entidades, objetos e condições que existem fora da empresa. Já o ambiente percebido é o

reflexo do real, ou seja, é constituído a partir da percepção das pessoas e das ações da

empresa.

Motta (1993, p. 239) ressalta que “no mundo atual, a velocidade e a intensidade das

mudanças ambientais são tais que praticamente só garantem a sobrevivência de empresas

capazes de mudar e inovar constantemente”. Ainda neste sentido, Kunsch (1997) explica

que é no âmbito desses cenários mutantes e complexos que as organizações operam, lutam

para se manter e cumprir sua missão e visão e cultivar seus valores.

Essas mudanças vêm exigindo que todas as empresas repensem suas estratégias

organizacionais. Motta entende que:

[...] na medida em que se modificam as condições ambientais, altera-se não só a possibilidade de

alcance dos objetivos e resultados desejáveis como também o que é desejável. Daí a necessidade

de desenvolver alternativas ou ações potenciais que direcionem e possibilitem o redirecionamento

constante