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Disciplina:Clínica Médico-cirúrgica I58 materiais1.079 seguidores
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espongiformes de Kogoj. As papilas dérmicas estão alargadas
e edemaciadas e exibem capilares dilatados e tortuosos. O
infiltrado inflamatório presente é discreto, e composto de
células mononucleares, particularmente linfócitos.

O quadro histológico da psoríase pode não ser espe-
cífico. A presença de microabscesso de Munro ou da pústula
espongiforme permitem o diagnóstico da condição. O diag-
nóstico diferencial das dermatoses psoriasiformes inclui der-
matite seborreica, eczemas em geral, pitiríase rubra pilar,
NEVIL, micose fungoide e sífilis secundária.

Curso e evolução
A remissão do quadro, inclusive por longos períodos,

pode evidenciar-se, mas não costuma ser a regra. Em geral,
após o desencadeamento da psoríase, algum tipo de trata-
mento é necessário para o controle das lesões e, depois de
obtido o controle, tratamento de manutenção costuma ser
empregado.

Diagnóstico diferencial
O psoríase permite um número grande de diagnósti-

cos diferenciais, conforme sua apresentação clínica. (Consultar
Tabela a seguir) �

CONSENSO BRASILEIRO DE PSORÍASE 2009|SOCIEDADE BRASILEIRA DE DERMATOLOGIA

28 | Manifestações Clínicas, Diagnóstico, Diagnóstico Diferencial

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Manifestações Clínicas, Diagnóstico, Diagnóstico Diferencial | 29

CONSENSO BRASILEIRO DE PSORÍASE 2009|SOCIEDADE BRASILEIRA DE DERMATOLOGIA

REFERÊNCIAS
1. Christophers E, Mrowietz U. Psoriasis. In: Dermatology in General Medicine. Freedberg IM, Eisen AZ, Wolf K, Austen KF,

Goldsmith LA, Katz SI, eds. New York: McGrawHill; 2003. p. 495-521.
2. Kerkhof PCM. Psoriasis. In: Bolognia JL, Jorizzo JL, Rapini RP, eds. Dermatology. New York: Mosby; 2003. p. 124-49.
3. Griffths CEM, Camp RDR, Barker JNWN. Psoriasis. In: Burns T, Breathnach SN, Cox N, Griffths CEM, eds. Textbook of

Dermatology. 7th ed. London: Blackwell Science; 2005. p.1-35;69.
4. Henseler T, Christophers E. Psoriasis of early and late onset: characterization of two types of psoriasis vulgaris. J Am Acad

Dermatol. 1985;13:450-6.
5. Sampaio SAP, Rivitti EA. Erupções eritematoescamosas. In: Sampaio SAP, Rivitti EA, eds. Dermatologia. 3 ed. São Paulo:

Artes Médicas; 2007.
6. Mobini N, Toussaint S, Kamino H. Noninfectious erythematous, popular, and squamous diseases. In: Elder DE, Elenitsas

R, JohsonsonJr BL, Murphy GF, eds. Levers´s histopathology of the skin. 9th ed. Philadelphia: Lippincott Williams &
Wilkins; 2004. p. 179-214.

Artrite Psoriásica e Comorbidades | 31

3CAPÍTULO
ARTRITE PSORIÁSICA E COMORBIDADES

Artur Antonio Duarte1
Jackson Machado-Pinto2

Colaboradores:
Ivonise Follador 3

Lúcia Helena Fávaro de Arruda 4

Maria de Fátima Paim Rodrigues 5

1 Professor Titular de Dermatologia da Faculdade de Medicina de Santo Amaro – UNISA - São Paulo – SP
2 Coordenador da Disciplina de Dermatologia, Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais; Chefe da Clínica Dermatológica da Santa Casa de Belo

Horizonte; Mestre em Dermatologia e Doutor em Medicina, especialista em Dermatologia
3 Médica do Serviço de Dermatologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA); Doutora em Medicina e Saúde da UFBA
4 Professora e Chefe do Serviço de Dermatologia da Faculdade de Medicina da Pontifícia Universidade Católica de Campinas - SP
5 Médica do Serviço de Dermatologia da Universidade Federal da Bahia; Doutoranda do Curso de Pós Graduação em Medicina e Saúde da UFBA

CONSENSO BRASILEIRO DE PSORÍASE 2009|SOCIEDADE BRASILEIRA DE DERMATOLOGIA

CONSENSO BRASILEIRO DE PSORÍASE 2009|SOCIEDADE BRASILEIRA DE DERMATOLOGIA

32 | Artrite Psoriásica e Comorbidades

Artrite Psoriásica
A artrite psoriásica é uma inflamação autoimune,

mediada por linfócitos CD-8, que afeta ligamentos, tendões,
fáscias, articulações espinais e periféricas, em pacientes por-
tadores de psoríase cutânea ou não. Em geral, o comprome-
timento articular se revela após o aparecimento da psoríase
cutânea, em 70% dos pacientes e pode preceder o apareci-
mento das lesões cutâneas, em 14 a 21% das vezes, poden-
do ser concomitante, em 11% a 15% dos pacientes. 1 A pso-
ríase vulgar e ungueal são as mais comumente associadas ao
comprometimento articular. Os dermatologistas devem ser,
portanto, encorajados a considerar sempre a possibilidade do
diagnóstico de artrite psoriásica em pacientes com psoríase
cutânea, em placas e/ou ungueal, em todas as visitas. 2

A artrite psoríasica se classifica dentro das espondiloar-
tropatias soronegativas, sendo subdividida em 5 categorias:

1 - Artite com predomínio das articulações interfalan-
geanas distais;

2 - Artrite mutilante;
3 - Artrite simétrica – artrite reumatoide-like - soro

negativa;
4 - Oligoartrite ou monoartrite assimétrica das inter-

falangianas distais, proximais e metacarpofalangianas;
5 - Espondiloartropatia axial.

A incidência do comprometimento articular na psoría-
se varia de 10% a 42%. 3 Deve ser um sinal exaustivamen-
te pesquisado, pela alta incidência e morbidade, visto que
levam a comprometimentos articulares irreversíveis. O diag-
nóstico e o início do tratamento precoces previnem danos arti-
culares.

Assim como na psoríase, as associações de vários
fatores determinam seu aparecimento: genéticos, ambientais,
imunológicos, etc.

Diagnóstico
As queixas mais comuns são: dores articulares,

edema, rigidez matinal e fadiga. O comprometimento, em
geral, é poliarticular e assimétrico, principalmente nas articu-
lações interfalangeanas distais e proximais. As dores nas
articulações sacroilíacas são menos habituais. Quando acon-
tecem, geralmente, o fazem de modo unilateral, assim como
o comprometimento axial. Ao exame físico, os sinais mais
característicos são: edema, entesites, artrite e dactilite (dedo

em salsicha). Em geral, o comprometimento cutâneo é exten-
so, tanto que é frequente o comprometimento ungueal asso-
ciado. Comprometimentos extra-articulares podem incluir:
uveíte, ulcerações orais e uretrites.

Os exames sorológicos para comprometimento articu-
lar, como o fator reumatoide, são negativos, em mais de
95% dos pacientes, assim como a pesquisa dos antígenos
citrulinados. A VHS está aumentada, em até 40% das vezes,
e a pesquisa da proteína C pode ser positiva.

Os achados radiológicos mais costumeiros são: assi-
metria das articulações interfalangeanas, com diminuição dos
espaços; osteólises, reabsorção óssea interfalangeana,