32_METEOROLOGIA_E_CLIMATOLOGIA_VD2_Mar_2006
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METEOROLOGIA E CLIMATOLOGIA
Mário Adelmo Varejão-Silva

Versão digital 2 – Recife, 2006

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acontece que a porção iluminada de cada paralelo varia com a época do ano. Somente por
ocasião dos equinócios é que a metade de cada paralelo está iluminada. Portanto, a duração
dos dias (e, evidentemente, também a das noites) varia ao longo do ano, exceto no equador,
onde duram sempre cerca de 12 horas cada, como será oportunamente demonstrado.

Define-se fotoperíodo, ou duração efetiva do dia, como o intervalo de tempo transcorri-
do entre o nascimento e o ocaso do Sol, em determinado local e data. O fotoperíodo não é o
período total de iluminação, o qual inclui os crepúsculos matutino e vespertino, quando o local
recebe luz solar indiretamente (o disco solar não é sequer parcialmente visível). Para fins civis
o crepúsculo matutino (aurora) se inicia e o crepúsculo vespertino (ocaso) termina quando o
centro do disco solar se encontra a 6o abaixo do plano do horizonte local (18o para os respecti-
vos crepúsculos astronômicos).

A fim de que se obtenha o fotoperíodo numa data qualquer, é preciso que se determi-
nem os instantes do nascimento e do ocaso do Sol. Mas, tanto um como outro, podem ser in-
terpretados de modo diferente, conforme seja adotado o ponto de vista geométrico, ou não.

Sob o ponto de vista estritamente geométrico, o nascimento e o ocaso do Sol ocorrem
quando o centro do disco solar aparentemente coincide com o plano do horizonte local. Na
prática, porém, o nascimento e o ocaso do Sol são definidos como os instantes em que o bordo
do disco solar parece tangenciar o plano do horizonte local, supostamente desobstruído. Nes-
sas ocasiões, a verdadeira posição do centro do disco solar é 50' abaixo daquele plano. Isso
advém do fato do raio daquele disco subentender um arco de 16' e da refração atmosférica
aumentar em cerca de 34' o ângulo de elevação do Sol, quando próximo à linha do horizonte
(List, 1971). Em outras palavras, o desvio sofrido pela luz solar ao atravessar a atmosfera, tor-
na o Sol visível mesmo quando, geometricamente, se encontra sob o plano do horizonte do
observador. Por comodidade de exposição, o efeito da refração da atmosfera será inicialmente
ignorado. Quando for abordado o processo de cálculo do fotoperíodo, esse efeito será retoma-
do.

Ainda sob o ponto de vista geométrico, antes do nascimento do Sol existe iluminação
direta, pois uma parte do disco solar já se encontra acima do plano do horizonte local. Tam-
bém, ao fim da tarde, a despeito do centro do disco solar ter cruzado o plano do horizonte, o
observador continua recebendo luz direta por algum tempo, até que o bordo desse astro desa-
pareça. Nas regiões tropicais a diferença entre os conceitos geométrico e não geométrico do
nascimento e do ocaso do Sol pode significar apenas alguns minutos adicionais de ilumina-
ção. Nas zonas polares, entretanto, essa diferença pode representar alguns dias de luz a mais.
Nos pólos, de fato, como o ângulo de elevação do Sol é sempre igual a sua declinação, aquela
diferença torna-se expressiva.

Não se deve confundir fotoperíodo com insolação. Esta representa o número de horas
nas quais, durante um dia, o disco solar é visível para um observador situado à superfície ter-
restre, em local com horizonte desobstruído. A insolação é, pois, o intervalo total de tempo (en-
tre o nascimento e o ocaso) em que o disco solar não esteve oculto por nuvens ou fenômenos
atmosféricos de qualquer natureza. A insolação é sempre menor ou (no máximo) igual ao foto-
período, sendo este designado como insolação máxima teoricamente possível.