HDB - Anotação (7)
17 pág.

HDB - Anotação (7)

Disciplina:História do Direito Brasileiro5.783 materiais195.469 seguidores
Pré-visualização9 páginas
caduca em:

I – trinta dias, tratando-se de
fornecimento de serviço e de
produtos não duráveis;
II – noventa dias, tratando-
se de fornecimento de
serviço e de produtos
duráveis.
§ 1° Inicia-se a contagem do
prazo decadencial a partir da
entrega efetiva do produto
ou do término da execução
 dos serviços.
§ 2° Obstam a decadência:
I – a reclamação
comprovadamente
formulada pelo consumidor
perante o fornecedor de
produtos e serviços até a
resposta negativa
correspondente, que deve
ser transmitida de forma
inequívoca;
II – (Vetado).
III – a instauração de
inquérito civil, até seu
encerramento.
§ 3° Tratando-se de vício
oculto, o prazo decadencial
inicia-se no momento em
que ficar evidenciado o
defeito

Conceitos:

 Vício aparente é o que se percebe no 1º
exame que se faz no produto. Ex.:Você
compra uma TV, tira da embalagem em casa,
e vê que a tela está quebrada.

 Vício de fácil constatação você não percebe
no 1º exame, mas no primeiro ou nos
primeiros usos. Ex.: compra a TV, tira da caixa
está perfeita, mas só transmite em preto e
branco.

 Vício oculto: Aquele percebido depois de
vários usos. Começa ocorrer o prazo para
reclamação no momento de sua ciência.
APLICAMOS AQUI A TEORIA DA VIDA ÚTIL.

Fato do produto e do serviço
Fato do produto é o dano, é o que se chama

acidente de consumo. É quando em razão do vício, o

 OAB 1ª Fase 2011.2
CRISTIANO SOBRAL

Complexo de Ensino Renato Saraiva | www.renatosaraiva.com.br | (81) 30350105 kr 14

produto ou serviço
causa um dano ao consumidor. O fato do produto é
muito mais grave que o vício, porque ele é um dano.
Ex.: a TV explodiu e começo a pegar fogo e queimou
as mãos do consumidor ou de terceiro.

Todo aquele que sofre um dano em

decorrência de um produto ou um serviço pode
reclamar indenização diretamente do fornecedor do
produto ou do serviço, mesmo que não tenha sido o
adquirente do produto ou do serviço, mesmo que não
seja o seu destinatário final.

Art. 27. Prescreve em cinco
anos a pretensão à
reparação pelos danos
causados por fato do
produto ou do serviço
prevista na Seção II deste
Capítulo, iniciando-se a
contagem do prazo a partir
do conhecimento do dano e
de sua autoria.

Qual a diferenciação de tal prazo para o prazo do
vício?
 Sendo o vício aparente, o prazo para reclamar
vai se contar do fornecimento do serviço ou do bem.
Já quando o vício é oculto, o início da contagem é
diverso: será o do momento da constatação do
defeito. A diferença de tratamento entre ambos se
coloca no termo a quo, porque o prazo em si é o
mesmo.
Atenção! Nas ações entre segurados e seguradores,
aplicar o prazo do art. 206§1º do CC/02, ou seja, não
se deve utilizar o prazo do art. 27 do CDC.
Bom Julgado!
Risco da atividade
Cuida-se de ação declaratória de inexistência de
débito cumulada com indenização por danos morais
em que a autora alega o furto de seu cartão de crédito
e, apesar de avisar a administradora do cartão no
mesmo dia, os valores das compras realizadas no
comércio mediante assinatura falsa entre o momento
do furto e a comunicação não foram assumidos pela
instituição financeira. Por essa razão, teve seu nome
inscrito no cadastro de proteção ao crédito. Para o
Min. Relator, o consumidor não pode ser
responsabilizado por despesas realizadas mediante

falsificação de sua assinatura. Ademais, o acórdão
recorrido, ao afastar a responsabilidade da
administradora de cartões pela falta de tempo hábil
para providenciar o cancelamento dos cartões, em
realidade, acabou por imputar à consumidora a culpa
pela agilidade dos falsificadores, transformando-a de
vítima em responsável, esquecendo o risco da
atividade exercida pela administradora de cartões.
Dessarte, cabe à administradora de cartões, em
parceria com a rede credenciada, a idoneidade das
compras realizadas e o uso de meios que dificultem
ou impossibilitem fraudes e transações realizadas por
estranhos em nome do cliente, tudo isso,
independentemente de qualquer ato do consumidor,
tenha ou não ocorrido furto. Outrossim, embora
existam precedentes que entendam que a demora em
ajuizar a ação de indenização pode amenizar o dano
moral, essa demora, para o Min. Relator, não possui
qualquer relevância na fixação do dano, pois a ação
não deve ser intentada sem que o lesado, como
ocorreu no caso, procure composição amigável junto
à ré. Com esse entendimento, a Turma restabeleceu a
sentença. Precedentes citados: REsp 348.343-SP, DJ
26/6/2006, e REsp 237.724-SP, DJ 8/5/2000. REsp
970.322-RJ, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em
9/3/2010.

Desconsideração da personalidade jurídica
 Trata-se de regra estipulado no art. 28 do
CDC. Vejamos julgado sobre o tema:
Responsabilidade civil e Direito do consumidor.
Recurso especial. Shopping Center de Osasco-SP.
Explosão. Consumidores. Danos materiais e morais.
Ministério Público. Legitimidade ativa. Pessoa jurídica.
Desconsideração. Teoria maior e teoria menor. Limite
de responsabilização dos sócios. Código de Defesa do
Consumidor. Requisitos. Obstáculo ao ressarcimento
de prejuízos causados aos consumidores. Art. 28, §
5º. - Considerada a proteção do consumidor um dos
pilares da ordem econômica, e incumbindo ao
Ministério Público a defesa da ordem jurídica, do
regime democrático e dos interesses sociais e
individuais indisponíveis, possui o Órgão Ministerial
legitimidade para atuar em defesa de interesses
individuais homogêneos de consumidores,
decorrentes de origem comum.
- A teoria maior da desconsideração, regra geral no
sistema jurídico brasileiro, não pode ser aplicada

 OAB 1ª Fase 2011.2
CRISTIANO SOBRAL

Complexo de Ensino Renato Saraiva | www.renatosaraiva.com.br | (81) 30350105 kr 15

com a mera
demonstração de estar a pessoa jurídica insolvente
para o cumprimento de suas obrigações.
Exige-se, aqui, para além da prova de insolvência, ou
a demonstração de desvio de finalidade (teoria
subjetiva da desconsideração), ou a demonstração
de confusão patrimonial (teoria objetiva da
desconsideração).
- A teoria menor da desconsideração, acolhida em
nosso ordenamento jurídico excepcionalmente no
Direito do Consumidor e no Direito Ambiental, incide
com a mera prova de insolvência da pessoa jurídica
para o pagamento de suas obrigações,
independentemente da existência de desvio de
finalidade ou de confusão patrimonial.
- Para a teoria menor, o risco empresarial normal às
atividades econômicas não pode ser suportado pelo
terceiro que contratou com a pessoa jurídica, mas
pelos sócios e/ou administradores desta, ainda que
estes demonstrem conduta administrativa proba,
isto é, mesmo que não exista qualquer prova capaz
de identificar conduta culposa ou dolosa por parte
dos sócios e/ou administradores da pessoa jurídica.
- A aplicação da teoria menor da desconsideração às
relações de consumo está calcada na exegese
autônoma do § 5º do art. 28, do CDC, porquanto a
incidência desse dispositivo não se subordina à
demonstração dos requisitos previstos no caput do
artigo indicado, mas apenas à prova de causar, a
mera existência da pessoa jurídica, obstáculo ao
ressarcimento de prejuízos causados aos
consumidores.
- Recursos especiais não conhecidos. (REsp
279273/SP, Rel. Ministro ARI PARGENDLER, Rel. p/
Acórdão Ministra NANCY ANDRIGHI, TERCEIRA
TURMA, julgado em 04/12/2003, DJ 29/03/2004 p.
230)
Das práticas comerciais
Oferta

Trata-se de uma declaração inicial de vontade
direcionada à realização de um contrato, dessa forma,
a proposta integra o contrato. Basta o consentimento
(aceitação) para conclusão do contrato (art. 427 e
segs., do CC). Uma vez realizada a oferta (ou
proposta), esta não desaparece por vontade unilateral
do fornecedor, podendo o consumidor exigir o
cumprimento da obrigação pelo fornecedor ou outro
produto ou prestação equivalente (art. 35). Assume,

assim, a oferta, um caráter vinculante. Essa vinculação
atua de duas