HDB - Anotação (7)
17 pág.

HDB - Anotação (7)

Disciplina:História do Direito Brasileiro5.783 materiais195.469 seguidores
Pré-visualização9 páginas
maneiras:
a) obriga o fornecedor a contratar, mesmo que haja
negativa;
b) obriga o fornecedor a contratar conforme o que
haja ofertado, ainda que o contrato contrarie a oferta.

O CDC, assim, revela a necessidade de se

respeitar o consumidor mesmo na fase pré-contratual
ou extracontratual, além da preocupação ética. A
publicidade deve ser encarada como oferta, proposta
contratual e, conforme o art. 30, vincula o fornecedor.

Para tal, devem ser satisfeitos dois requisitos:

a) veiculação da informação;
b) precisão da oferta (informação ou publicidade): não
se exigindo que o fornecedor se obrigue por naturais
exageros publicitários.

A oferta deve assegurar todas as informações

sobre os produtos ou serviços, bem como sobre os
riscos que os mesmos possam acarretar aos
consumidores. Trata-se do DEVER DE INFORMAÇÃO
clara, precisa e em português (art. 31).

A Lei n. 10.962/04 complementa o CDC ao

dispor sobre a oferta e as formas de afixação de
preços de produtos e serviços para o consumidor. Por
meio de etiquetas ou similares, expostas em vitrines
ou outros meios de divulgação, em auto-serviços,
supermercados, hipermercados, mercearias ou
estabelecimentos comerciais onde o consumidor
tenha acesso direto ao produto, sem a intervenção do
comerciante, mediante impressão ou afixação do
preço do produto na embalagem ou afixação de
código referencial ou de barras.

O dever de informar nasce na fase pré-

contratual, se estende quando a prestação já foi
cumprida e vai inclusive até a fase pós-contratual
(arts. 8º, 9º, 10, 12, 14, 18, 20, 22, 30, 33, 34, 39, 40,
48, 51, 52, 54). Novamente o CDC impõe a
responsabilidade solidária entre os fornecedores, no
caso, pelos seus prepostos ou representantes
autônomos (art. 34).

 OAB 1ª Fase 2011.2
CRISTIANO SOBRAL

Complexo de Ensino Renato Saraiva | www.renatosaraiva.com.br | (81) 30350105 kr 16

Atenção! Lei
11.800/2008, acrescentou o parágrafo único no art.
33 do CDC. Lei 11989/09, acrescentou o parágrafo
único ao art. 31 do CDC.
Publicidade

“Publicidade é qualquer forma paga de
apresentação impessoal e promoção de idéias, como
de bens ou serviços, por um patrocinador
identificado” (conforme o Comitê de Definições da
American Association of Advertising Agencies). Para
fins de defesa do consumidor, diferencia-se a
publicidade da propaganda, ainda que no uso
cotidiano as expressões ganhem sinonímia. “A
publicidade tem um objetivo comercial, enquanto a
propaganda visa a um fim ideológico, religioso,
filosófico, político, econômico ou social”.
Certos princípios devem ser observados na
publicidade:
a) identificação da publicidade: não se admite a
publicidade clandestina ou a subliminar (art. 36);
b) vinculação contratual da publicidade (arts. 30 e 35);
c) veracidade da publicidade: é proibida a publicidade
enganosa (art. 37, § 1º);
d) não abusividade da publicidade: devem ser
reprimidos desvios que prejudiquem os consumidores
(art. 37, § 2º);
e) inversão do ônus da prova: decorrente do
reconhecimento da vulnerabilidade do consumidor
(art. 38);
f) transparência da fundamentação da publicidade:
conexo ao princípio da inversão do ônus da prova (art.
36, parágrafo único);
g) correção do desvio publicitário: além da reparação
civil dos danos, impõe-se a correção dos impactos da
publicidade frente aos consumidores (art. 56, inc. XII).
Práticas abusivas e cobrança de dívidas

Prática abusiva é “a desconformidade com os
padrões mercadológicos de boa conduta em relação
ao consumidor”. O elenco do art. 39 é exemplificativo.
Também são práticas abusivas todos os métodos
comerciais coercitivos, como a exposição do
consumidor ao ridículo, constrangimento ou ameaça,
quando da cobrança de dívidas, conforme o art. 42.

Cobrar uma dívida é ação lícita e corriqueira

do credor em relação ao devedor. É evidente que

todo fornecedor tem direito a receber o seu crédito.
Entretanto, não raro, os fornecedores cometem
abusos, expondo o consumidor ao ridículo,
principalmente quando ocorre à cobrança no
ambiente de trabalho, quando os telefonemas são
intimidadores, ameaças a integridade física etc.

É necessário analisar o art. 42 em conjunto

com o art. 71 que prevê caracterização penal, cuja
sanção será detenção de 3 meses a 1 ano e multa.
“Pegando carona” no CDC ou tentando se livrar dele,
alguns fornecedores lançaram códigos próprios, que
nada mais são do que manuais de conduta que não
obrigam o fornecedor e não respaldam o consumidor.
O CDC é norma de ordem pública e origem
constitucional, portanto, de aplicação prioritária,
estas outras normas podem ser aplicadas como
complementação (art. 7º).
Bancos de dados e cadastros de consumo

Comumente nas relações comerciais o
consumidor necessita preencher fichas com seus
dados pessoais e, com este procedimento, é criado
um banco de dados para os fornecedores. Da mesma
forma, existe um banco de dados dos endividados
(SPC).
Os bancos de dados se distinguem dos cadastros de
consumidores pela origem da informação (fonte) e
pelo destino das mesmas. Os cadastros de
consumidores são formados por informações
fornecidas pelo próprio consumidor junto ao
fornecedor (geralmente comerciante), para fins de
estabelecer uma comunicação mais estreita e
particularizada entre cliente e vendedor.

Já os bancos de dados obtêm suas
informações sobre os consumidores dos
fornecedores. Sua intenção pode ser a “obtenção de
informações para fins históricos, estatísticos,
passando pelos arquivos de proteção ao crédito, até
aqueles que coletam informações úteis para as
companhias seguradoras”. Exemplos de bancos de
dados são o SPC, SERASA, CCF etc.

As informações que o consumidor colocar na

ficha não podem ser usadas pela empresa para outras
finalidades. A proteção vai de encontro ao princípio
de proteção à privacidade (art. 5º, X, CF/88; Lei
complementar n. 105/2001 sobre sigilo bancário), da
dignidade da pessoa humana, da proteção ao

 OAB 1ª Fase 2011.2
CRISTIANO SOBRAL

Complexo de Ensino Renato Saraiva | www.renatosaraiva.com.br | (81) 30350105 kr 17

consumidor e dos
direitos da personalidade (art. 170, V da CF/88 e
Súmula n. 227, do STJ). O Código, para evitar que
estas informações sejam usadas para outros fins,
assegura ao consumidor:

 direito de corrigir os dados incorretos;

 a retirada das informações negativas após um
período de 5 anos;

 o conhecimento das informações sobre o
consumidor que estejam no cadastro (Habeas
Data);

 a comunicação de abertura de ficha cadastral
quando o consumidor não tiver pedido que
seu cadastro seja aberto. Os bancos de dados
e o fornecedor respondem solidariamente
pela reparação dos danos causados ao
consumidor.

Atenção!
Súmula 404 do STJ
É dispensável o aviso de recebimento (AR) na carta de
comunicação ao consumidor sobre a negativação de
seu nome em bancos de dados e cadastros.
Súmula: 385
Da anotação irregular em cadastro de proteção ao
crédito, não cabe indenização por dano moral,
quando preexistente legítima inscrição, ressalvado o
direito ao cancelamento.
Súmula: 359
Cabe ao órgão mantenedor do Cadastro de Proteção
ao Crédito a notificação do devedor antes de proceder
à inscrição.
Súmula: 323
A inscrição do nome do devedor pode ser mantida nos
serviços de proteção ao crédito até o prazo máximo
de cinco anos, independentemente da prescrição da
execução.
Proteção contratual

O consumidor, vulnerável frente ao
fornecedor, deve ser sempre protegido. Para tanto, e
considerando-se que nos dias atuais, praticamente
todos os contratos que digam respeito a relações de
consumo são de adesão, o CDC tem por preocupação

a observância da boa-fé objetiva (art. 4º, inc. III, e 51,
inc. IV), posto que os contratos não podem ser
analisados de acordo com a sistemática do CC. O que
deve ser observado é a lealdade e a transparência, a
“observância das legítimas expectativas inerentes