HDB - Anotação (7)
17 pág.

HDB - Anotação (7)


DisciplinaHistória do Direito Brasileiro10.355 materiais252.977 seguidores
Pré-visualização9 páginas
kr 9 
 
e) Dano Moral16 
 
formulada em programa de televisão. Perda da oportunidade. 
1. O questionamento, em programa de perguntas e respostas, pela 
televisão, sem viabilidade lógica, uma vez que a Constituição 
Federal não indica percentual relativo às terras reservadas aos 
índios, acarreta, como decidido pelas instâncias ordinárias, a 
impossibilidade da prestação por culpa do devedor, impondo o 
dever de ressarcir o participante pelo que razoavelmente haja 
deixado de lucrar, pela perda da oportunidade. 2. Recurso 
conhecido e, em parte, provido (REsp n. 788.459/BA, rel. Ministro 
Fernando Gonçalves, 4ª Turma, j. em 08.11.2005, DJ, 13.03.2006, 
p. 334). 
Responsabilidade. Médico. Teoria. Perda. Chance. A relação 
entre médico e paciente é contratual em regra. Salvo cirurgias 
plásticas embelezadoras, caracteriza-se como obrigação de meio, 
na qual é imprescindível, para a responsabilização do médico, a 
demonstração de culpa e nexo de causalidade entre a sua conduta e 
o dano causado, uma vez que se trata de responsabilidade subjetiva. 
No caso, o Tribunal a quo reconheceu a inexistência de culpa e 
nexo de causalidade entre a conduta do profissional e a morte do 
paciente, o que constitui fundamento suficiente para excluir de 
condenação o médico. A chamada teoria da perda da chance, 
adotada em tema de responsabilidade civil, aplica-se quando o 
dano seja real, atual e certo, dentro de um juízo de probabilidade, e 
não mera possibilidade, porquanto o dano potencial ou incerto, no 
espectro da responsabilidade civil, em regra, não é indenizável. O 
acórdão recorrido concluiu haver mera possibilidade de o resultado 
morte ter sido evitado caso o paciente tivesse acompanhamento 
prévio e contínuo do profissional da saúde no período pós-
operatório. Logo, inadmissível a sua responsabilização com base na 
referida teoria. Diante do exposto, a Turma deu provimento ao 
recurso, julgando improcedente a ação de indenização por danos 
morais (REsp n. 1.104.665/RS, rel. Ministro Massami Uyeda, j. em 
09.06.2009). 
16Súmulas do STJ com referência ao dano moral: 
37 \u2013 \u201cSão cumulaveis as indenizações por dano material e dano 
moral oriundos do mesmo fato.\u201d 
227 \u2013 \u201cA pessoa jurídica pode sofrer dano moral.\u201d 
281 \u2013 \u201cA indenização por dano moral não está sujeita à tarifação 
prevista na Lei de Imprensa.\u201d 
326 \u2013 \u201cNa ação de indenização por dano moral, a condenação em 
montante inferior ao postulado na inicial não implica sucumbência 
recíproca.\u201d 
362 \u2013 \u201cA correção monetária do valor da indenização do dano 
moral incide desde a data do arbitramento.\u201d 
370 \u2013 \u201cCaracteriza dano moral a apresentação antecipada de 
cheque pré-datado.\u201d 
385 \u2013 \u201cDa anotação irregular em cadastro de proteção ao crédito, 
não cabe indenização por dano moral, quando preexistente legítima 
inscrição, ressalvado o direito ao cancelamento.\u201d 
387 \u2013 \u201cÉ lícita a cumulação das indenizações de dano estético e 
dano moral.\u201d 
388 \u2013 \u201cA simples devolução indevida de cheque caracteriza dano 
moral.\u201d 
402 \u2013 \u201cO contrato de seguro por danos pessoais compreende os 
danos morais, salvo cláusula expressa de exclusão.\u201d 
403 \u2013 \u201cIndepende de prova do prejuízo a indenização pela 
publicação não autorizada da imagem de pessoa com fins 
econômicos ou comerciais.\u201d 
404 \u2013 \u201cÉ dispensável o Aviso de Recebimento (AR) na carta de 
comunicação ao consumidor sobre a negativação de seu nome em 
bancos de dados e cadastros.\u201d 
405 \u2013 \u201cA ação de cobrança do seguro obrigatório (DPVAT) 
prescreve em três anos.\u201d 
 
Ocorre dano moral quando há lesão17 a 
direitos da personalidade, tais como o direito à 
incolumidade corporal, à imagem e ao bom nome.18 
Lembra-se de que o mero dissabor não gera ofensa 
moral e consequentemente não poderíamos falar em 
compensação19. 
\uf0b7 Inversão do ônus da prova 
 
É direito do consumidor, quando for 
verossímil sua alegação ou quando for 
hipossuficiente, ver determinada a inversão do ônus 
da prova a seu favor. Contudo, deve o juiz verificar, no 
caso concreto, a necessidade de ser concedida a 
inversão, não se constituindo essa direito para todo e 
qualquer consumidor, em toda e qualquer situação. 
 
Irá ocorrer quando a alegação fundamentada 
pelo consumidor for verossímil ou quando ele for 
considerado hipossuficiente. O fato de estar incluído 
tal direito no rol numerus apertus do art. 6º, não se 
pode falar que o consumidor sempre será 
beneficiado. Em regra tal inversão ocorre em sede 
judicial, mas não existe nenhuma proibição de que a 
mesma ocorra em processos extrajudiciais, como nos 
processos administrativos. O CDC adotou a regra da 
distribuição dinâmica do ônus da prova, pois a 
inversão ficará a critério do magistrado. Já o CPC 
adotou a regra da distribuição estática do ônus da 
prova, cabendo ao autor os fatos constitutivos e ao 
réu os fatos impeditivos, modificativos e extintivos 
(IME), consoante a regra do art. 333. Trata-se de regra 
abusiva, quando a inversão for estabelecida em 
prejuízo do consumidor (art. 51 VI do CDC). Sobre a 
sua ocorrência em se judicial a mesma poderá ope 
legis e ope judicis. Será ope legis, quando a lei 
expressamente assim definir, por exemplo,nos arts. 
12, § 3º, 14, § 3º e 38 todos do CDC. 
 
Em suma: Não necessita tal inversão uma 
avaliação subjetiva do juiz, ou seja, ela é automática. 
Já a inversão ope judicis, conforme mencionado, é 
aquela que ocorre a critério do juiz. Tem essa inversão 
um caráter residual, isso significa afirmar, que só será 
aplicada quando não estivermos diante das regras dos 
 
17Art. 186 do Código Civil. 
18STF, AGRG no RE n. 387.014-9-SP. 
19Ver os seguintes julgados: REsp\u2019s nos 993876; 1021987; 878265; 
835531; 536458; 971.845; 338162. 
 
 OAB 1ª Fase 2011.2 
CRISTIANO SOBRAL 
 
Complexo de Ensino Renato Saraiva | www.renatosaraiva.com.br | (81) 30350105 kr 10 
 
arts. 12, § 3º, 14, § 
3º e 38 do CDC. O consumidor tem obrigação de 
demonstrar o dano e o nexo de causalidade, mesmo 
que estejamos diante de hipótese de responsabilidade 
objetiva. Tema controvertido no STJ é se a inversão é 
discricionária ou vinculada diante da verossimilhança 
ou da hipossuficiência. Uma parte da doutrina 
entende que diante da regra do art. 6, VIII estaria o 
juiz livre para informar se defere ou não a inversão, 
então estaríamos diante de um critério subjetivo. Com 
a devida vênia, procuro defender que diante de 
verossimilhança das alegações ou a hipossuficiência 
do consumidor, o magistrado estaria vinculado a 
inversão. 
A inversão do ônus da prova nas relações de 
consumo é direito do consumidor20, não sendo 
necessário que o Juiz advirta o fornecedor de tal 
inversão, devendo este comparecer à audiência 
munido, desde logo, de todas as provas com que 
pretenda demonstrar a exclusão de sua 
responsabilidade objetiva. 
 
\uf0b7 Prestação de serviços públicos adequados e 
eficazes 
 
Além de ser assegurada a prestação de 
serviços públicos de qualidade, também tem o 
consumidor o direito ao bom atendimento do 
consumidor pelos órgãos públicos ou empresas 
concessionárias desses serviços. 
 
\uf0b7 Proteção à saúde e à segurança 
 
Os consumidores têm direito a consumir 
produtos e serviços que não lhes ponham em risco a 
saúde e a segurança. Contudo, alguns desses produtos 
e serviços são intrinsecamente perigosos ou nocivos. 
Cabe, então, ao fornecedor, garantir a devida 
proteção ao consumidor, através de informações 
adequadas ou medidas cabíveis. 
 
\uf0b7 A periculosidade dos produtos ou serviços 
Pode ser classificada da seguinte maneira: 
 
a) periculosidade latente ou inerente: produtos que 
trazem consigo um perigo peculiar e próprio, que é 
normal (em relação ao produto ou serviço) e 
previsível (em relação ao consumidor); 
 
20Art. 6º, caput, CDC. 
 
b) periculosidade adquirida: diferentemente da 
periculosidade inerente, os produtos