HDB - Anotação (7)
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HDB - Anotação (7)


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OAB 1ª Fase 2011.2 
CRISTIANO SOBRAL 
 
Complexo de Ensino Renato Saraiva | www.renatosaraiva.com.br | (81) 30350105 kr 1 
 
Direitos do 
Consumidor 
 
Autor do livro DIREITO CIVIL SISTEMATIZADO. 
TITULO I 
DOS DIREITOS DO CONSUMIDOR 
CAPÍTULO I 
Disposições Gerais 
Art. 1° O presente código 
estabelece normas de 
proteção e defesa do 
consumidor, de ordem 
pública e interesse social, 
nos termos dos arts. 5°, 
inciso XXXII, 170, inciso V, da 
Constituição Federal e art. 
48 de suas Disposições 
Transitórias. 
 
Características do CDC: 
 
\uf0b7 Norma de Ordem Pública: por tal 
entendimento pode-se dizer que o juiz pode 
atuar de ofício nas relações de consumo1. 
Critica deve ser feita a súmula 381 do STJ, que 
vai de encontro as normas dispostas no CDC. 
\u201cBanco manda juiz obedece\u201d. Que vergonha 
STJ. 
Uma das mais recentes súmulas do STJ dispõe 
que é vedado ao julgador conhecer de ofício 
da abusividade de cláusulas em contratos 
bancários. (Súmula 381: \u201cNos contratos 
bancários, é vedado ao julgador conhecer, de 
ofício, da abusividade das cláusulas\u201d). 
Concretamente, a súmula poderia ser 
interpretada assim: um banco e um 
correntista celebram um contrato bancário 
repleto de cláusulas abusivas, mas o 
correntista, ao levar o caso à apreciação do 
judiciário, precisa elencar e requerer a revisão 
de todas as cláusulas que considera abusivas, 
pois o Juiz não pode conhecê-las de ofício, 
embora possa até ter ciência da existência 
delas. Não sei nada de psicanálise, mas 
consegui entender muito bem o conceito de 
\u201cato falho\u201d com Roberto Carlos, na letra da 
música \u201cDetalhes\u201d, ao recomendar: \u201cnão vá 
 
1Vide os julgados: REsp n. 292942, REsp n. 541.153 e REsp 
1061530. 
dizer meu nome sem querer à pessoa errada\u201d. 
No caso da Súmula 381, penso que o STJ 
cometeu um tremendo \u201cato falho\u201d ao partir 
do princípio de que nos contratos bancários 
existem cláusulas abusivas, mas não podem 
ser conhecidas de ofício pelo julgador. 
Falando em psicanálise, para a redação da 
Súmula, Freud talvez recomendasse algo 
assim: \u201cem caso da existência de cláusulas 
abusivas...\u201d ou então \u201cexistindo cláusulas 
abusivas nos contratos...\u201d. Seria muito mais 
sutil! 
Ora, da forma em que foi editada a Súmula, 
quando o STJ diz que o Juiz não pode 
conhecer de ofício de tais cláusulas, por 
outras vias, está querendo dizer que os 
bancos podem inserir cláusulas abusivas nos 
contratos, mas o Juiz simplesmente não pode 
conhecê-las de ofício. Banco manda, Juiz 
obedece! Como diz o jargão de uma 
comediante da televisão: cláusula abusiva? 
Pooooooode!! Nesta lógica absurda, 
considerando que as cláusulas abusivas são 
sempre favoráveis aos bancos e desfavoráveis 
ao cliente, o STJ quer que os Juízes sejam 
benevolentes com os bancos e indiferentes 
com seus clientes. Devem se omitir, mesmo 
sabendo que esta omissão será favorável ao 
banco, e não podem agir, mesmo sabendo 
que sua ação poderá corrigir uma ilegalidade. 
Deixando de lado esta análise psicanalítica 
barata, se o próprio STJ em sua Súmula parte 
do princípio de que existem cláusulas abusivas 
nos contratos bancários, o que vamos fazer 
agora com o artigo 1º, do Código de Defesa 
do Consumidor, que estabelece a natureza de 
\u201cordem pública e social\u201d para as normas de 
proteção e defesa do consumidor? O que 
vamos fazer, também, com o artigo 51, do 
mesmo Código, que estabelece que são nulas 
de pleno direito, entre outras, as cláusulas 
contratuais relativas ao fornecimento de 
produtos e serviços que estabeleçam 
obrigações consideradas iníquas, abusivas, 
que coloquem o consumidor em desvantagem 
exagerada, ou sejam incompatíveis com a 
boa-fé ou a eqüidade? Por fim, o que o STJ vai 
fazer com sua própria jurisprudência de 
poucos meses atrás que entendia exatamente 
o contrário: PROCESSUAL CIVIL E 
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CRISTIANO SOBRAL 
 
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ADMINISTRATIVO. 
SFH. CONTRATO DE MÚTUO. TABELA PRICE. 
CAPITALIZAÇÃO DE JUROS. FALTA DE 
PREQUESTIONAMENTO. SÚMULAS 282 E 356 
DO STF. ART. 6°, "E", DA LEI Nº 4.380/64. 
LIMITAÇÃO DOS JUROS. JULGAMENTO EXTRA 
PETITA. MATÉRIAS DE ORDEM PÚBLICA. ARTS. 
1º E 51 DO CDC. 
1. A matéria relativa à suposta negativa de 
vigência ao art. 5º da Medida Provisória 
2.179-36 e contrariedade do art. 4º do 
Decreto 22.626/33 não foi prequestionada, o 
que impede o conhecimento do recurso nesse 
aspecto. Incidência das Súmulas 282 e 356 do 
STF. 
 
2. O art. 6°, "e", da Lei nº 4.380/64 não 
estabeleceu taxa máxima de juros para o 
Sistema Financeiro de Habitação, mas, 
apenas, uma condição para que fosse aplicado 
o art. 5° do mesmo diploma legal. 
Precedentes. 3. Não haverá julgamento extra 
petita quando o juiz ou tribunal pronunciar-se 
de ofício sobre matérias de ordem pública, 
entre as quais se incluem as cláusulas 
contratuais consideradas abusivas (arts. 1º e 
51 do CDC). Precedente. 4. Recurso especial 
provido em parte. 
REsp 1013562 / SC - 2007/0289849 \u2013 0 \u2013 
Relator: Ministro CASTRO MEIRA - Órgão 
Julgador: SEGUNDA TURMA - Data do 
Julgamento: 07/10/2008 - Data da 
Publicação/Fonte: DJe 05/11/2008. Existe 
outra música de Roberto Carlos, em que o 
\u201cRei\u201d critica o progresso e apela para o bom 
senso, que soa muito bem nesta hora: \u201cEu 
não posso aceitar certas coisas que eu não 
entendo\u201d. 
Conceição do Coité, 05 de maio de 2009 
 
* Juiz de Direito em Conceição do Coité \u2013 Ba. 
 
www.gerivaldoneiva.blogspot.com 
\uf0b7 Norma de Interesse Social: normas de 
importância relevante para a sociedade como 
um todo, não interessando somente às partes 
consumidores e fornecedores. A doutrinadora 
Cláudia Lima Marques sustenta que as leis 
consumeristas são \u201cleis de função social\u201d. 
\uf0b7 Microssistema Jurídico2 
\uf0b7 Norma Principiológica: São normas que 
veiculam valores, estabelecem os fins a serem 
alcançados, ao contrário das regras que 
estipulam hipóteses do tipo preceito/sanção), 
contemplando claúsulas gerais3. 
\uf0b7 Direito Fundamental de 3ª Geração: Paulo 
Bonavides, aponta a sequência dos direitos 
fundamentais: liberdade (1ª geração); 
igualdade (2ªgeração) e fraternidade (3ª 
geração)4. Deve-se mencionar que a inclusão 
da defesa do consumidor como direito 
fundamental na CF vincula o Estado e todos os 
demais operadores na defesa do vulnerável. 
Trata-se da \u201cforça normativa da constituição\u201d. 
Em seu manual de direito do consumidor, 
Cláudia Lima Marques, chama tal fato de 
direito privado solidário5. Hoje, os direitos 
fundamentais penetram nas relações privadas 
(eficácia horizontal dos direitos 
fundamentais), já se os direitos fundamentais 
forem aplicados na relação indivíduo e Estado, 
chamamos de eficácia vertical dos direitos 
fundamentais. 
Exemplo: Não possibilidade de prisão do 
depositário infiel: STF, HC n. 87585-TO. Súmula 419 
do STJ. 
 
\uf0b7 ossistema Jurídico? 
\uf0b7 Norma de Ordem Pública: STJ, REsp n. 292942 
e REsp n. 541153 
Conceito de consumidor 
Art. 2° Consumidor é toda 
pessoa física ou jurídica que 
adquire ou utiliza produto ou 
 
2O CDC outorgou tutelas específicas ao 
consumidor nos campos civil (art. 8º a 54º), 
administrativo ( arts. 55 a 60 e 105 a 106), penal 
(arts. 61 a 80) e jurisdicional (arts. 81 a 104).Ver 
também: ALMEIDA, João Batista de. Manual de 
Direito do consumidor. São Paulo: Saraiva, 
2003. p. 52. 
3GARCIA, Leonardo. Direito do consumidor, 
código comentado e jurisprudência Impetus, 2008. 
p. 5. 
4BONAVIDES, Paulo. Curso de direito constitucional. 9. ed. São 
Paulo: Malheiros, 2000. p. 156. 
5Manual de direito do consumidor. São Paulo:RT, 2008. p. 27. 
 OAB 1ª Fase 2011.2 
CRISTIANO SOBRAL 
 
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serviço como 
destinatário final. 
Parágrafo único. Equipara-se 
a consumidor a coletividade 
de pessoas, ainda que 
indetermináveis, que haja 
intervindo nas relações de 
consumo. 
 
\uf0b7 Quem o destinatário