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Suporte de vida avançado

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Victoria K. L. Cardoso
Suporte de vida avançado
………………..Introdução………………..
O suporte avançado de vida envolve:
1. Ressuscitação cardiopulmonar (RCP) de
alta qualidade.
2. Desfibrilação.
3. Dispositivos de via aérea avançada e
oxigênio.
4. Acesso venoso e drogas.
5. Dispositivos de compressão mecânica.
6. Dispositivos de oxigenação por
membrana extracorpórea.
Fases na PCR:
● Fase elétrica: fase inicial da PCR →
primeiros 4 a 5 minutos, geralmente em
fibrilação ventricular (FV).
○ Faz-se desfibrilação imediata e
RCP.
● Fase hemodinâmica: inicia entre 4-10
minutos após a PCR.
○ Aqui ocorre a depleção dos
substratos para um metabolismo
adequado.
○ Ainda se mantém a desfibrilação e
a RCP.
● Fase metabólica: período após 10 minutos
de PCR.
○ Ocorre acidose e disfunção
celular grave.
○ O tratamento aqui é dos cuidados
pós-parada.
○ Caso não ocorra o retorno da
circulação espontânea, as chances
de sobrevivência são poucas.
………………..Diagnóstico………………..
O diagnóstico de PCR em pacientes
irresponsivos, sem pulso central, ocorre no
suporte básico de vida.
Ritmos chocáveis: fibrilação ventricular (FV) e
taquicardia ventricular sem pulso (TVsp) →
respondem a mesma terapia.
Terapêutica:
● RCP de alta qualidade.
● Administração de vasopressores e
antiarrítmicos.
● Desfibrilação.
● É importante notar que a fibrilação
ventricular pode se apresentar de
maneira evidente (FV grossa) ou discreta
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(FV fina), e ambas são passíveis de choque
(Figura 1).
Ritmos não chocáveis: atividade elétrica sem
pulso (AESP) e assistolia.
● Atividade elétrica sem pulso: ausência
de pulso palpável com atividade elétrica
cardíaca organizada.
○ Pode ser a causa inicial da PCR, ou
decorrente da ressuscitação de
uma PCR prolongada,
principalmente após a
desfibrilação.
○ AESP com complexo QRS largo:
sugere causas metabólicas.
■ Hipercalemia.
■ Intoxicação por bloqueador
de canal de sódio.
○ AESP com complexo QRS estreito:
sugere causas mecânicas, devendo
realizar inicialmente expansão
volêmica, seguida de avaliação
ultrassonográfica, para excluir
algumas possibilidades:
■ Tromboembolismo
pulmonar.
■ Tamponamento cardíaco.
■ Pneumotórax hipertensivo.
■ Hipovolemia.
● Assistolia: completa ausência da atividade
elétrica miocárdica, geralmente ocorre no
estágio final de uma PCR não tratada ou
refratária.
○ Primeiro passo: confirmar a
assistolia → deve-se inicialmente
seguir o “protocolo da linha reta”.
○ Protocolo da linha reta:
■ Checar cabos e conexões.
■ Aumentar o ganho.
■ Mudar a derivação.
Ultrassonografia: o ultrassom point-of-care
(USPOC) tem se tornado indispensável na
avaliação de pacientes na emergência.
● Identificação de causas reversíveis:
tromboembolismo pulmonar,
tamponamento cardíaco e pneumotórax
hipertensivo.
● Contudo, o uso do ultrassom durante a
PCR aumenta o tempo de interrupção nas
compressões torácicas, impactando
negativamente na sobrevida. Portanto, o
uso criterioso e protocolado do USPOC se
faz necessário.
● Nas novas diretrizes da American Heart
Association (AHA), o ultrassom é utilizado
como confirmação do correto
posicionamento da cânula endotraqueal.
………………..Tratamento………………..
Via aérea avançada:
● Via aérea avançada: não deve ser
prioridade na fase inicial do atendimento
de uma PCR.
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● Única indicação absoluta para intubação
na PCR: ventilação ineficiente com
bolsa-válvula-máscara.
● No caso de indicação da intubação: deve
ser realizada sem a interrupção das
compressões torácicas.
● Dispositivos supraglóticos: são uma
alternativa benéfica à intubação, pois
minimizam as interrupções nas
compressões por serem de fácil e rápida
colocação.
Acesso venoso:
● Acesso venoso periférico (AVP): é
necessária para a correção das causas
reversíveis que dependem de medicações
ou volume.
○ Entretanto, o acesso venoso
periférico não mostrou melhora no
desfecho em PCR extra-hospitalar
(PCR-ExH).
● Acesso venoso central (AVC): não é
recomendada a passagem de rotina em
PCR, por demandar tempo e não ser
possível a administração rápida de
grandes volumes.
Acesso intraósseo:
● É uma ótima alternativa para o AVP e um
substituto ao AVC, pois garante uma
rápida infusão de volume e vasopressores.
Acesso arterial:
● Usa-se com a ajuda de ultrassom e tem o
objetivo de monitoração da pressão
arterial diastólica, e titular os esforços da
ressuscitação.
Medicações:
● Epinefrina (ou adrenalina): hormônio
simpatomimético, com ação em
receptores alfa e beta-adrenérgicos;
usa-se 1 mg, endovenoso, a cada 3-5
minutos → em ritmos chocáveis utiliza-se
após o segundo choque sem sucesso.
○ Nos receptores alfa: causa
vasoconstrição da musculatura lisa
vascular periférica, aumentando a
perfusão coronariana e a cerebral.
○ Nos receptores beta: pode
aumentar o trabalho cardíaco e a
demanda por oxigênio.
● Vasopressina: hormônio antidiurético
não adrenérgico que age nos receptores
V1 das células da musculatura lisa,
causando vasoconstrição periférica,
coronariana e renal.
○ Aumenta a perfusão orgânica sem
os efeitos beta-adrenérgicos
deletérios da adrenalina.
○ A combinação de epinefrina com
vasopressina não é benéfica
comparada à epinefrina isolada;
● Corticosteróides: os níveis de cortisol são
baixos durante e após a PCR.
● Amiodarona: o uso é indicado apenas
para os ritmos de FV e TVsp.
○ Objetivo: auxilia na desfibrilação a
restaurar um ritmo perfusional
organizado.
■ Promove vasodilatação
arterial periférica e
coronariana.
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○ Age nos canais de potássio, sódio
e cálcio, mas também possui
propriedades de bloqueio alfa e
beta.
○ Dose: 300 mg endovenosa, em
bolus, seguida por 150 mg, na doe
subsequente.
● Magnésio: não deve ser usado de rotina
em adultos, apenas nos cenários de
Torsades de Pointes.
● Bicarbonato de sódio: seu uso é
recomendado nos casos de PCR por
hipercalemia, acidose metabólica ou
intoxicação por antidepressivos
tricíclicos.
● Esmolol: é um betabloqueador, usado em
pacientes com FV refratária (três
desfibrilações) após 1 dose de 1 mg de
adrenalina e 1 dose de 300 mg de
amiodarona.
○ Objetivo: finalizar o quadro de
tempestade elétrica que
geralmente acompanha a FV
refratária.
…….Finalização dos esforços…...
Indicações da ressuscitação cardiopulmonar
extracorpórea (ECPR):
● PCR de causa reversível presumida.
● Ritmo inicial chocável ou ritmo inicial não
chocável de causa conhecida.
● PCR testemunhada com início de RCP de
alta qualidade.
● PCR < 15-20 minutos ou retorno da
circulação espontânea (RCE) transitória
com PCR recorrente.
● Ausência de comorbidades limitantes de
vida (p. ex., câncer terminal).
PCR extra-hospitalar:
● Há apenas uma regra válida para
determinar o fim da ressuscitação em
adultos e tem 3 variáveis.
○ Sem RCE no extra-hospitalar.
○ Ritmo inicial não chocável.
○ PCR não testemunhada.
PCR intra-hospitalar:
● Não há parâmetro objetivo para
determinar o fim da RCP; a decisão é
multifatorial e deve-se considerar o
tempo total de PCR (com e sem RCP).
○ Idade e comorbidades.
○ Ritmo e provável causa da parada.
○ Valores/desejo prévio do paciente
e da família.
○ Hipotermia.
○ Capnografia: incapacidade de
obter valores de CO2 > 10 mmHg
após 20 min de RCP.

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