12 - item 6.3

12 - item 6.3

Disciplina:Contabilidade Social e Balanço de Pagamentos119 materiais1.348 seguidores
Pré-visualização3 páginas
e voluntários sobre depósitos à vista dos bancos comerciais no BC. A característica mais importante da base monetária é que ela pode ser diretamente controlada pelo BC por meio do controle de suas operações ativas.

*
*

6.3.2 As Contas Monetárias

*
*

6.3.2 As Contas Monetárias
A peça contábil que fornece uma idéia de como está a situação monetária do país (o balancete consolidado do sistema monetário) é uma consolidação dos dois balancetes anteriores.
Em função disso, alguns lançamentos desaparecem porque se auto-anulam, como, por exemplo, os encaixes dos bancos comerciais no BC, que aparecem no lado do Ativo do Bancos Comerciais e no lado do passivo do BC.
Como veremos, esse balancete trará em seu passivo os meios de pagamento (M1), que constitui, junto com a base monetária, o conjunto de agregados monetários mais importante do ponto de vista da oferta de moeda e, assim, do controle monetário.
Diferentemente da base monetária, sobre os meios de pagamento, o BC tem um controle indireto, porque sobre parte deles (os depósitos à vista), ele não dispõe de formas diretas de controle.
A partir desse balancete podemos ver de que modo as operações ativas do BC e dos bancos comerciais influenciam a quantidade de moeda em circulação na economia num determinado momento.

*
*

6.3.2 As Contas Monetárias

*
*

6.3.2 As Contas Monetárias

*
*

6.3.3 O multiplicador bancário e a criação e destruição de meios de pagamento
Como já sabemos, a relação entre o agregado M1, que aparece no balancete consolidado do sistema monetário e o agregado BM, que aparece no balancete consolidado do BC é dada pelo multiplicador bancário (m).
Mas do que depende esse multiplicador?
Ele depende basicamente de dois parâmetros, um comportamental (que parcela de seus recursos líquidos as pessoas mantêm sob a forma de depósitos à vista - d) e outro vinculado às decisões dos bancos comerciais e do BC (que parcela dos depósitos à vista transforma-se em encaixes - R).
Para chegar à fórmula do multiplicador, temos então que definir as seguintes variáveis:
c = pmpp/M
d = dv/M
R = encaixe total dos bancos comerciais/dv
Temos que observar agora que, necessariamente:
M = cM + dM e
B = cM + RdM
Portanto temos que
m = M (c + d)
 M (c + Rd)
Como c = 1-d, podemos escrever que m = (1- d + d) , e, portanto,
 (1-d + Rd)
 m = 1 .
 [1 – d(1 - R)]

*
*

6.3.3 O multiplicador bancário e a criação e destruição de meios de pagamento
Assim, se por exemplo, o público mantiver me média, 60% de seus recursos líquidos sob a forma de depósitos à vista (d = 0,6) e os encaixes totais dos bancos comerciais representarem 30% de seus depósitos à vista (R = 0,3), o multiplicador será de 1,72.
Se o público alterar seu comportamento e resolver deixar em depósito nos bancos 70% de seus recursos líquidos, o m subirá para 1,96 (mantido o mesmo R).
Se, por conta de uma decisão do BC, os encaixes totais passarem a ser de 20% dos depósitos à vista (R = 0,2), o m subirá para 1,92 (mantido o mesmo d).
Isso nos permite perceber que, quanto maior for a proporção de depósitos à vista em relação aos recursos líquidos totais do público, tanto maior será o multiplicador. Igualmente quanto menores forem os encaixes totais dos bancos comerciais em relação a seus depósitos à vista, tanto maior será o multiplicador.
As relações inversas também são verdadeiras: quanto menor d, menor o valor do multiplicador; quanto maior R também menor o valor do multiplicador.

*
*

6.3.3 O multiplicador bancário e a criação e destruição de meios de pagamento
A Tabela abaixo apresenta os valores de c, d, R e m para a economia brasileira no período recente.

Com essas informações já podemos vislumbrar quais são as ações que estão à disposição do BC para poder efetivar seu poder de controle sobre o M1.
Como vimos, o BC tem controle direto sobre a emissão de moeda corrente, mas não tem controle direto sobre a emissão de moeda escritural. Seu controle sobre essa parcela do M1 é apenas indireto. Assim, para afetar essa porção da oferta monetária o BC tem de procurar agir sobre o multiplicador bancário.
Há basicamente duas formas de agir sobre o multiplicador: 1) aumentando ou reduzindo a exigência sobre encaixes compulsórios; e 2) aumentando ou reduzindo a taxa de redesconto (taxa cobrada dos bancos nos empréstimos de liquidez).

*
*

6.3.3 O multiplicador bancário e a criação e destruição de meios de pagamento
Mas o BC pode também atuar de outras formas para controlar os meios de pagamento. A principal delas é por meio da compra e venda de títulos públicos (as chamadas operações de open market) .
Os títulos públicos, portanto, não servem apenas para que o governo obtenha recursos adicionais aos orçamentários (tributos), mas funcionam também como um importante mecanismo de controle da oferta monetária.
Assim, se o governo acredita que o nível de liquidez da economia está perigosamente elevado, ele pode vender títulos públicos. Como isso ele está trocando passivo monetário por passivo não monetário e enxugando a oferta de moeda.
Se ao contrário ele acredita ser necessário elevar o nível de liquidez da economia, ele pode resgatar títulos públicos fazendo assim a operação inversa, ou seja, trocando passivo não monetário por passivo monetário.
Se o BC pudesse emprestar ao governo, essa seria também uma outra forma de elevar o nível de liquidez da economia quando necessário.

*
*

6.3.3 O multiplicador bancário e a criação e destruição de meios de pagamento
Finalmente, cabe observar que a oferta monetária é afetada também por variáveis que não estão inteiramente sob o controle do governo. A primeira é evidentemente o fator comportamental, que está contido no multiplicador. Mas este não é o mais importante.
O mais importante é a evolução das reservas cambiais. Um aumento das reservas configura uma operação ativa do BC, que tem como contrapartida um aumento da oferta monetária. Se o BC avalia que esse aumento não deve ser efetivado, ele terá que emitir títulos para enxugar essa liquidez adicional.
O comportamento dessa variável (reservas cambiais) não está inteiramente sob a esfera de controle do BC. Ele pode controlá-la apenas indiretamente, por meio, principalmente, da política cambial.
Outra observação importante é que atualmente, os bancos utilizam cada vez menos os chamados empréstimos de liquidez. Isto está acontecendo por conta do grande desenvolvimento do mercado interbancário (ou seja, de empréstimos entre bancos). Do ponto de vista do controle que o BC deve ter sobre a solvabilidade do sistema, isto representa um problema, uma vez que a recorrência constante aos empréstimos de liquidez funcionava, para o BC, como sinal de fragilidade dos bancos que assim se comportavam.

*
*

6.3.4 As Contas Financeiras
Como já antecipamos, além das contas monetárias, que nos permitem perceber, por exemplo, o grau de monetização da economia em cada momento do tempo, existem também as chamadas Contas Financeiras, que têm por objetivo demonstrar, para cada setor institucional (empresas financeiras e não financeiras, administrações públicas, famílias e ISFLSF), num determinado período de tempo, de que modo sua necessidade de financiamento foi satisfeita ou sua capacidade de financiamento foi empregada.
As contas financeiras interligam-se com o SCN por meio da conta de acumulação e, no caso do Brasil, só recentemente (2003) passaram a ser divulgadas pelo IBGE.
Essas contas constroem-se a partir das informações de estoques e fluxos contidas nos demonstrativos contábeis de cada unidade econômica componente de cada setor institucional.
A tabela a seguir mostra os valores encontrados para as rubricas dessa conta, considerada a economia brasileira como um todo, no ano de 2005 (dados do IBGE)

*
*

6.3.4 As Contas Financeiras

*
*

Informações sobre os principais títulos públicos