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DisciplinaContabilidade Social e Balanço de Pagamentos146 materiais1.375 seguidores
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EAE 0305 \u2013 Contabilidade Social
Aulas 27, 28 e 29 \u2013 O Banco Central e 
o controle dos MP
 item 6.3 do Programa
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6.3.1 As funções do Banco Central
A primeira e talvez mais conhecida função do Banco Central (BC) é o de ser o emissor do papel moeda (e seu controlador). Mas ele tem outras funções, tão importantes quanto essa, e ligadas a ela de alguma forma. 
Através do desempenho dessas funções, o BC garante a estabilidade do sistema do ponto de vista monetário.
As funções do BC são então as seguintes:
Controlar a emissão de moeda; 
Ser o depositário das reservas internacionais; 
Ser o banco dos bancos;
Ser o banqueiro do governo 
A necessidade do controle sobre a emissão de moeda decorre de sua grande importância no que diz respeito à estruturação e desempenho do sistema econômico como um todo. Essa é a principal razão que faz com que o BC seja conhecido como autoridade monetária. 
A chamada política monetária, que tem como uma de suas tarefas mais importantes precisamente o controle da quantidade de meios de pagamento que circula no sistema, é, por isso, uma das peças básicas da execução da política econômica e congrega diversos instrumentos de ação dos quais o governo pode lançar mão para atingir seus objetivos. 
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6.3.1 As funções do Banco Central
A segunda função desempenhada pelo Banco Central é a de ser o depositário das reservas internacionais do país. Isso significa que, em geral, todos os agentes que realizam transações que resultam em pagamento com moeda estrangeira, acabam por trocá-la por moeda nacional por meio do BC.
De outro lado, o BC é também o responsável pelo fornecimento de divisas aos agentes, ou seja, ele tem que garantir, à taxa de câmbio vigente, a venda de qualquer quantidade demandada dessa moeda. Se ele não consegue fazer isso, então o país está passando por uma crise cambial.
O fato de o BC atuar como depositário das reservas facilita sua atuação no mercado de câmbio para o controle do preço da divisa. 
O papel de banco dos bancos, que é a terceira função do banco central, está relacionado com a estabilidade do sistema bancário e do sistema de pagamentos do país. 
Como vimos, os bancos comerciais mantêm em reserva (encaixe) apenas uma parcela dos depósitos que recebem. O BC atua nessa operação, seja aceitando encaixes dos bancos comerciais, seja obrigando-os a deixar em reserva uma determinada quantidade dos depósitos que recebem.
Assim, os encaixes dos bancos comerciais podem tomar três diferentes formas:
encaixes em moeda corrente;
encaixes voluntários junto ao BC; e
Encaixes compulsórios junto ao BC. 
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6.3.1 As funções do Banco Central
Os encaixes em moeda corrente correspondem ao papel moeda guardado nos cofres e caixas dos bancos comerciais. 
Os encaixes voluntários constituem uma fração de seus depósitos que esses bancos voluntariamente deixam no BC, em geral aplicados em títulos públicos de curto prazo e de alta liquidez no mercado. Esses encaixes podem ser utilizados livremente pelos bancos comerciais para enfrentarem eventuais déficits episódicos de compensação (balanço diário de cheques de outros bancos depositados num determinado banco e de cheques de sua emissão depositados em outros bancos). 
Os encaixes compulsórios, como o próprio nome indica, constituem exigência legal. Os bancos comerciais são obrigados a recolher ao BC uma determinada parcela de seus depósitos à vista e a prazo. Diferentemente dos anteriores, no entanto, eles não podem ser livremente utilizados. 
Assim, se um determinado banco passa por um período de ocorrência de déficits de compensação ele pode resolver o problema pedindo recursos emprestados ao BC, o qual funciona assim como Banco dos bancos.
Do ponto de vista da solvabilidade do sistema é esta a função mais importante. Quando o BC funciona desta forma ele está atuando como emprestador de última instância (lender of last resort) e os recursos que ele está emprestando chamam-se redescontos de liquidez. 
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6.3.1 As funções do Banco Central
Como é da natureza do negócio bancário que os bancos mantenham encaixes muito inferiores a seus depósitos, a existência desse tipo de empréstimo e de alguma instituição que o faça é fundamental. O BC funciona assim como uma espécie de \u201cgarantidor geral do sistema\u201d.
Contudo, apesar do caráter normal que têm a concessão de empréstimos de liquidez por parte do BC, a ocorrência sistemática de episódios como esse com um determinado banco pode indicar que este banco está com um problema estrutural e correndo risco de falência.
O grande problema é que a falência de um banco nunca ocorre sozinha. Ela tende a levar de roldão todo o sistema.
Em sua função de banco dos bancos, o BC tem também por isso de agir preventivamente, fiscalizando as atividades bancárias e intervindo em determinadas situações, se for o caso, para evitar quebras de bancos e o desencadeamento de uma crise bancária generalizada.
Resumindo, o BC é o banco dos bancos porque funciona, de um lado, como depositário das reservas (encaixes) dos bancos comerciais e, de outro, como o agente que lhes empresta dinheiro quando necessário. 
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6.3.1 As funções do Banco Central
Como banco do governo, e deve-se entender aqui \u201cgoverno\u201d como sendo o governo federal, o BC atua de diferentes formas.
Em primeiro lugar é no BC que o Tesouro Nacional deposita os recursos de tributos que arrecada (impostos, taxas, etc.), ou seja, cabe ao BC receber as disponibilidades de caixa da União, o que ele faz por meio da chamada conta única do tesouro.
Teoricamente o BC pode atuar também na outra ponta, ou seja, concedendo empréstimos ao governo. No caso do Brasil, porém, a Constituição de 1988 proibiu esse tipo de empréstimo.
Além de receber e administrar as disponibilidades de caixa da União, o BC atua em nome do Tesouro nos leilões de títulos públicos federais. A Lei de Responsabilidade Fiscal (Lei nº 101 de maio de 2000) proibiu o BC de emitir títulos próprios.
Finalmente, o BC acompanha a execução orçamentária do governo e, quando cabível, representa o país junto a organismos internacionais como o FMI, o BIS etc. 
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6.3.2 As Contas Monetárias
Existem peças contábeis que consolidam o sistema bancário do país. Essas são as chamadas Contas Monetárias e incluem o balancete consolidado dos bancos comerciais (bancos criadores de moeda), o balancete sintético do BC e o balancete sintético do sistema monetário. A comparação desses balancetes em dois momentos diferentes do tempo permite que visualizemos de que modo atuou o sistema nesse período (por exemplo, no processo de criação e destruição de moeda). 
Além disso, existem também as chamadas Contas Financeiras, que têm por objetivo demonstrar, para cada setor institucional, num determinado período de tempo, de que modo sua necessidade de financiamento foi satisfeita ou sua capacidade de financiamento foi empregada. Essas contas interligam-se com o SCN por meio da conta de acumulação e, no caso do Brasil, só recentemente (2003) elas passaram a ser divulgadas pelo IBGE.
Vejamos o balancete consolidado dos bancos comerciais e do BC e depois o balancete consolidado do sistema monetário.
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6.3.2 As Contas Monetárias 
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6.3.2 As Contas Monetárias 
O balancete consolidado dos bancos comerciais é uma agregação dos balancetes de cada um desses bancos. Através dessa peça contábil podemos saber a cada momento qual é a composição dos ativos e passivos das instituições criadoras de moeda.
O balancete sintético do BC é uma peça contábil derivada de um balancete de natureza idêntica à dos balancetes dos bancos comerciais. Contudo, tendo em vista tratar-se aqui de uma autoridade monetária, existem lançamentos que são específicos dela, como a quantidade de papel moeda emitido e os depósitos do governo federal que são exigibilidades que evidentemente não aparecem nos balancetes dos bancos comerciais. 
O balancete sintético do BC traz os mesmos elementos do balancete do BC, porém dispostos de modo a destacar a chamada base monetária, ou seja, a soma do pme com os encaixes compulsórios