Apostila UNIJUÍ - Custos e formação do preço de venda
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Apostila UNIJUÍ - Custos e formação do preço de venda

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de rateio (critérios de rateio ou de bases de volume)

são estabelecidas pela Contabilidade de Custos, após um trabalho de análise das atividades

de cada departamento, que faz com os responsáveis técnicos pelas operações fabris.

As bases de rateio mais comuns são as unidades produzidas (ou qualquer outra relacio-

nada a um quantitativo operacional), horas de máquinas, horas de mão-de-obra direta,

custos dos materiais, quantidades de materiais, custos da mão-de-obra e transações ou ati-

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vidades. A escolha vai depender das características do ambiente produtivo, pois cada cená-

rio de produção é um cenário diferente. A Contabilidade de Custos vai aplicar a base de

rateio que for mais condizente com as operações, aquela que fornecer a mais realista infor-

mação de custos e aquela que for útil para a análise do desempenho das operações.

Para Martins (1998), departamentos cujos custos sejam predominantemente fixos de-

vem ser rateados à base de potencial de uso, e departamentos cujos custos sejam predomi-

nantemente variáveis devem ser rateados à base dos serviços realmente prestados. Se não

houver predominância de um ou outro e o valor do custo total, em reais, for grande, pode

haver um rateio misto.

Leone (1997) relata que, se o ambiente produtivo é intensivo em mão-de-obra e o

valor da mão-de-obra é o item relevante, a Contabilidade de Custos analisará o emprego da

melhor base de rateio que poderá ser qualquer uma ligada à mão-de-obra. Caso a empresa

seja de capital-intensivo, em que as operações são automáticas, em que a mão-de-obra não

seja relevante em termos econômicos, a Contabilidade de Custos deverá utilizar a base de

volume mais coerente.

Como visto, apesar de conter certo grau de subjetividade, a escolha do critério de ra-

teio mais adequado e eficaz para cada empresa, pelo profissional de Custos, baseia-se, prin-

cipalmente, no conhecimento que o profissional tem do processo produtivo em questão, bem

como da necessidade e utilização das informações resultantes.

A utilização de um ou outro critério de rateio poderá provocar alterações no custo dos

produtos mesmo sem que ocorram mudanças no processo produtivo. Assim, segundo Martins

(1998), se todos os produtos feitos forem vendidos no mesmo período, o efeito da alteração do

critério de rateio não será sensível na avaliação do resultado global da empresa. Mas se parte da

produção ficar estocada, na forma de produtos acabados ou em elaboração, poderão existir

alterações artificiais no resultado. Caso os produtos estocados no final do período tenham sido

“beneficiados” pela modificação do critério de rateio e tenham, por isso, recebido menos custo

indireto do que recebiam antes, o resultado aparecerá também por um montante menor do que

aquele que seria apresentado caso não tivesse havido a alteração. Isso porque os custos indire-

tos não jogados sobre os itens estocados teriam sido apropriados aos outros, que foram vendi-

dos, e assim, seriam jogados como Despesas (Custo dos Produtos Vendidos) no Resultado.

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3.3.4 – DEPARTAMENTALIZAÇÃO

Pode-se definir departamento como sendo uma unidade operacional representada por

um conjunto de homens e/ou máquinas de características semelhantes, que desenvolvem

atividades homogêneas dentro de uma mesma área.

A departamentalização é a divisão da empresa em áreas distintas, de acordo com as

atividades desenvolvidas em cada uma dessas áreas. Estende-se às diversas áreas das orga-

nizações: industrial, administrativa, comercial. Esses departamentos recebem nomes de acor-

do com sua composição funcional direta no sistema produtivo ou não, como é o caso dos

departamentos de serviços, conhecidos como auxiliares, pois prestam serviço a outros depar-

tamentos e têm seus custos transferidos para aqueles que deles se beneficiam.

Dependendo da nomenclatura utilizada nas empresas, essas áreas poderão ser chama-

das de departamentos, setores, centros, atividades, outras. Departamentalização é a divisão

da empresa em departamentos, com a finalidade de melhor compreender a estrutura da en-

tidade e, assim, racionalizar a alocação dos custos.

Em uma indústria, por exemplo, existe uma gama muito grande de departamentos.

Para a contabilidade de custos interessam apenas os setores ligados aos produtos fabricados

e os que prestam serviço àqueles. Estes dois tipos de departamentos são classificados em:

a) Departamentos Produtivos: atuam diretamente na industrialização do produto ou na

prestação do serviço. Neles promovem-se modificações no produto. Exemplo: indústria

de camisas.

b) Departamentos Auxiliares: têm como característica auxiliar os departamentos produti-

vos; existem para prestar serviços aos demais departamentos. Neles não ocorre nenhuma

ação direta sobre o produto. Exemplo: indústria de camisas.

Preparação
tecido Corte Costura Acabamento Embalagem

Manutenção Almoxarifado Suprimentos
Controle de
qualidade

Administração

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Seção 3.4

Centro de Custos

Uma vez definida a estrutura departamental da empresa, nota-se que quase sempre

um departamento é um centro de custos, ou seja, nele serão apropriados os custos indiretos

para posterior apropriação aos produtos fabricados.

O centro de custos é, portanto, um sistema organizacional de atividades integradas de

unidades de trabalho, de forma a possibilitar o cumprimento de objetivos previamente esta-

belecidos do departamento de produção. O fato gerador de integração entre as partes é o

fluxo de informações.

• Centro de Custos: é a menor unidade de acumulação de custos, sendo representada por

homens, máquinas e equipamentos de características semelhantes que desenvolvem ati-

vidades homogêneas relacionadas com o processo produtivo.

• Centros de Custos Produtivos (CCP): centros de custos por onde os produtos passam

durante o processo de fabricação e nos quais são transformados ou beneficiados. Exem-

plo: corte, costura, pintura, acabamento, etc.

• Centros de Custos Auxiliares (CCA): centros de custos que fazem parte do processo

produtivo, mas não atuam diretamente nos produtos. Prestam serviços ou dão apoio

aos CCP. Exemplo: manutenção, planejamento, refeitório, administração, almoxarifado,

etc.

O Quadroa seguir, apresenta o Mapa de Localização dos custos indiretos, onde você

poderá observar, conforme o exemplo da indústria de camisas, a forma pela qual é realizada

a separação entre departamentos auxiliares e produtivos (departamentalização), o rateio

dos custos indiretos aos departamentos conforme critérios definidos pelos profissionais de

custos, e posteriormente a definição do custo indireto por tipo de produto.

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As etapas para rateio dos custos indiretos aos produtos são as seguintes:

• Primeira: separar os gastos em custos e despesas;

• Segunda: separar os custos em custos diretos e indiretos;

• Terceira: inserir os custos indiretos no Mapa de Localização de Custos (MLC), para serem

rateados nos departamentos que os utilizaram, ou seja, nos departamentos auxiliares e

de produção;

• Quarta: ratear os custos indiretos aos departamentos auxiliares e produtivos da empresa

conforme critérios pré-estabelecidos. Exemplos: aluguel – conforme a área ocupada por

cada departamento, setor, atividade;

• Quinta: cabe aos departamentos auxiliares, que não trabalham com o produto, dar o

suporte para que a produção aconteça com sucesso e estes não repassam seus custos aos

departamentos de produção conforme critérios estabelecidos a partir de discussões com

os gestores dos departamentos envolvidos. Exemplos: o almoxarifado pode repassar os

custos do seu departamento para os departamentos
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