Apostila UNIJUÍ - Custos e formação do preço de venda
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Apostila UNIJUÍ - Custos e formação do preço de venda

Disciplina:Contabilidade de Custos6.914 materiais350.363 seguidores
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4.2.1.1 – A precificação com base no custo apurado
 pelo método de custeio por absorção

Conforme Wernke (2001) e Bruni e Famá (2004), a fixação de preços com base nas

informações prestadas pelo custeio por absorção, poderá apresentar os seguintes problemas

básicos:

a) Fixação de preços com base em custos globais, de caráter fixo que, por sua vez, sofrem

variações em termos de sua expressão unitária, dependendo do volume de produção no

período contábil objeto de apuração;

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C USTOS E FORMA ÇÃO DO PREÇO DE VENDA

b) Fixação de preços sem um conhecimento real da margem de contribuição mais efetiva de

cada produto vendido;

c) Fixação de preços de forma menos eficiente, em termos de identificação do mix mais

adequado de produção e vendas, para fins de otimização do resultado global;

d) Controle de custos fixos em nível de produto específico, através da utilização de critérios

de rateio, sem maior expressão para fins de controle gerencial;

e) Aplicação de conceitos de custo médio ponderado de materiais e produtos, distorcendo

uma apuração mais precisa de custos e resultados, quando registrados altos índices de

inflação.

4.2.2 – MÉTODO DE CUSTEIO VARIÁVEL (DIRETO)

O método de Custeio Variável ou Direto é utilizado para fins gerenciais, fornecendo

ferramentas que auxiliam no processo de gerenciamento da empresa. Neste método, somen-

te são alocados aos produtos aqueles custos que variam diretamente com o volume de pro-

dução.

O critério do custo variável (ou direto) é aquele que só inclui no custo das operações, dos produ-

tos, serviços e atividades, os custos diretos e variáveis. Para que um custo (ou uma despesa)

detenha as condições necessárias para compor o custo de um produto, por exemplo, é necessário

que esse custo seja facilmente identificado com o produto, isto é, seja direto (onde não haja a

necessidade de rateio) e que seja variável diante da variabilidade de um indicador que represente

o produto, a operação, o processo, o componente ou a atividade. A finalidade principal do crité-

rio é a determinação da contribuição marginal total ou unitária de cada objeto de custeio. Essa

informação tem um poder extraordinário, principalmente por que não é poluída pelo trabalho de

rateio, perigoso, porque às vezes inútil e até enganador (Leone, 2000, p. 405).

Segundo o mesmo autor, o método de Custeio Variável (Direto) prevê uma apropriação

de caráter gerencial, considerados apenas os custos variáveis dos produtos vendidos, possi-

bilitando a apuração da margem de contribuição, quando confrontados os custos variáveis

aos valores de receita líquida do período objeto de análise.

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Nesse método de custeio somente são apropriados à produ-

ção os custos variáveis. Os custos fixos são “jogados” diretamen-

te na conta de resultado, pois esse sistema tem como premissa

que os custos fixos ocorrerão independentemente do volume de

produção da entidade. Desta forma, dispensa a necessidade de

qualquer tipo de rateio.

Segundo Horngren, Foster e Datar (1999), custeio variável

é o método de custeio de estoque em que todos os custos de fabri-

cação variáveis são considerados custos inventariáveis: eles são

custos do período em que ocorreram.

Uma característica importante deste método de custeio é a

troca do conceito de apuração do lucro bruto pela apuração da

margem de contribuição do período contábil. Por meio da mar-

gem de contribuição obtida pela empresa deverão ser cobertos

todos os custos fixos apropriados no período Contábil, identifi-

cando-se, assim, o resultado operacional da empresa sem o

diferimento de custos fixos pelos produtos acabados em estoques

ou através daqueles em processo de fabricação (Leone, 2000, p.

406).

Figura 11: Estrutura de alocação dos custos pelo método de custeio

variável/direto

Lucro bruto

É a diferença entre a receita
com vendas menos o custo

total apurado no custeio po r
absorção.

Margem de contr ibu ição

É a diferença entre a receita
com vendas menos os custos

apurados no método de
custeio variável e as despesas

variáveis com vendas.

CC UU SSTTEEIIOO DD II RR EETTOO OO UU VVAARRIIÁÁVVEELL

Matéria-
Prima

Materiais e
Outros

Custsos
Indiretos

Mão-de-Obra
Direta Indireta

CUSTOS FIXOS
Produto A Produto B Produto C

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C USTOS E FORMA ÇÃO DO PREÇO DE VENDA

Conforme Leone (2000), Martins (2001) e Wernke (2001), destacamos, em seguida, as

principais aplicações, vantagens e desvantagens deste método.

1) Aplicações do Custeio Variável (direto)

a) Uma vez que os custos variáveis são inevitavelmente necessários, sua dedução da re-

ceita identifica a Margem de Contribuição do produto, sem nenhuma interferência de

manipulação devido aos critérios de rateio dos custos fixos;

b) Identificações da quantidade de unidades a serem vendidas, para que um projeto seja

viabilizado;

c) Fornecimento de informações gerenciais, por haver relação entre o lucro e o volume de

produção.

2) Principais vantagens

a) Destaca o custo fixo (que independe do processo fabril);

b) Não ocorre a prática do rateio, por vezes errôneo;

c) Evita manipulações;

d) Fornece o ponto de equilíbrio;

e) Enfoque gerencial;

f) Os dados necessários para a análise da relação custo/volume/lucro são rapidamente

obtidos;

g) É totalmente integrado com o custo padrão e orçamento flexível.

3) Principais desvantagens

a) No caso dos custos mistos (custos que têm uma parcela fixa e outra variável); nem

sempre é possível separar objetivamente a parcela fixa da parcela variável)

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b) Não é aceito pela auditoria externa das entidades que têm

capital aberto e nem pela legislação do imposto de renda, bem

como por uma parcela significativa de Contadores, pois fere

os princípios fundamentais de contabilidade, em especial aos

princípios de realização de receitas, de confrontação e da com-

petência. Estes princípios estabelecem que os custos associa-

dos aos produtos só podem ser reconhecidos na medida em

que são vendidos, já que, somente quando reconhecida a re-

ceita (por ocasião da venda), é que devem ser deduzidos todos

os sacrifícios necessários a sua obtenção (custos e despesas).

Como o custeio variável admite que todos os custos fixos se-

jam deduzidos do resultado, mesmo que nem todos os produ-

tos sejam vendidos, ele violaria tais princípios;

c) O valor dos estoques não mantém relação com o custo total;

d) Isoladamente, não se aplica para formação do preço de venda.

De acordo com o que foi apresentado, observa-se que por

não atender às exigências da legislação, este método somente é

aceito para fins gerenciais. Desta forma, age como instrumento

gerador de informações para melhor orientar o processo gerencial.

Por meio do custeio variável/direto, uma vez identificado o

custo de comportamento variável, a empresa pode proceder a uma

análise gerencial em função do grau de participação de cada com-

ponente de custo no valor global da operação ou produto, a fim

de obter conclusões mais objetivas do ponto de vista gerencial.

Neste caso, recomenda-se, inclusive, a utilização dos conceitos

de análise com base na curva ABC dos componentes de custos.

Através desta análise, em um número acentuado de casos, iden-

tifica-se que um pequeno número de fatores ou componentes de

custos é responsável por uma parte significativa do custo global

do produto fabricado.

Curva ABC

Ou curva ABC de custos, vai
demonstrar a

representatividade dos custos,
os que gastam maior e meno r
valor na composição do custo

total de um produto.

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C USTOS E FORMA ÇÃO DO PREÇO DE VENDA

Quadro 10: Comparativo entre o Custeamento Variável/Direto x Custeamento
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