Apostila UNIJUÍ - Custos e formação do preço de venda
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Apostila UNIJUÍ - Custos e formação do preço de venda

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é o ramo da Contabilidade que se destina a produzir informa-

ções para os diversos níveis gerenciais de uma entidade, como

auxílio às funções de determinação de desempenho, de planeja-

mento e controle das operações e de tomada de decisão”.

Nesta linha, Passareli e Bonfin (2002) definem a contabili-

dade de custos como sendo aquela que se destina à geração de

informações contábeis de interesse dos usuários internos à em-

presa, servindo de apoio indispensável a decisões gerenciais das

mais diversas naturezas.

Portanto, a contabilidade de custos coleta, classifica e re-

gistra os dados operacionais das diversas atividades da entidade,

denominados de dados internos, bem como, algumas vezes, cole-

ta e organiza dados externos. Os dados coletados podem ser tan-

to monetár ios como físicos. É neste ponto que reside uma das

grandes potencialidades da Contabilidade de Custos: a combina-

ção de dados monetários e físicos resulta em indicadores gerenciais

de grande poder informativo.

Dados monetár ios

Valor gasto com mão-de-obra,
mater ia is para a e laboração de
um produto, en tre outros.

Dados físicos e operacionais

Unidades produzidas, horas
trabalhadas, quantidade de
requisições de materiais e de
ordens de produção, entre
muitos outros.

C USTOS E FORMA ÇÃO DO PREÇO DE VENDA

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Na seqüência, a Contabilidade de Custos acumula, organiza, analisa e interpreta os da-

dos operacionais, monetários e físicos e os indicadores combinados no sentido de produzir, para

os diversos níveis de administração e de operação, relatórios com as informações de custos soli-

citados. Genericamente é possível visualizar o sistema de custos conforme a Figuraa seguir.

Figura 1: Fases da Contabilidade de Custos – transformação de dados em informação

Fonte: Leone (1997).

Outra particularidade da Contabilidade de Custos é que ela trabalha dados operacionais

de vários tipos: os dados podem ser históricos, estimados (futuros), padronizados e produzi-

dos. Aqui reside, também, uma das fortes vantagens da Contabi lidade de Custos. Ela pode

(e deve) fornecer informações de custos diferentes para atender a necessidades gerenciais

diferentes.

Especificamente, a Contabilidade de Custos objetiva:

a) Avaliação de estoques;

b) Atendimento das exigências fiscais;

c) Determinação do resultado;

d) Planejamento;

Coleta dos dados

Acumulação
Organização

Análise
Interpretação

Relatórios gerenciais

Processamento Informações

Seleção dos dados
Planejamento
Treinamento
Organização

Apoio da
Administração

Sistemas de custos
Critérios básicos
Procedimentos,

Registros

Em conjunto
com o usuário

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C USTOS E FORMA ÇÃO DO PREÇO DE VENDA

e) Formação do preço de venda;

f) Controle gerencial;

g) Avaliação de desempenho;

h) Controle operacional;

i) Análise de alternativas;

j) Estabelecimento de parâmetros;

k) Obtenção de dados para orçamentos;

l) Tomada de decisão.

Figura 2: Razões para Estudar Custos

Fonte: Adaptado de Bruni e Famá (2004).

Tomada de decisões:
o que envolve produção
(o que, quanto, como e

quando fabricar);
formações de preços,

escolha entre fabricação
própria ou terceirizada.

Informações para
a tomada de

decisões

Informações sobre
a rentabilidade e
desempenho de

diversas atividades
da entidade

Auxílio no
planejamento,

controle e
desenvolvimento
das operações

Determinação do lucro:
empregando dados

originários dos registros
convencionais contábeis,

ou processando-os de
maneira diferente,

tornando-os mais úteis à
gestão.

Controle das operações:
e demais recursos produtivos

como os estoques, com a
manutenção de padrões e
orçamentos, comparações
entre previsto e realizado.

Portanto, por que estudar custos é necessário? Quais são as razões para estudar
custos?

Atender necessidades gerenciais de 3 tipos

C USTOS E FORMA ÇÃO DO PREÇO DE VENDA

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Seção 1.2

Terminologias Aplicadas na Contabilidade de Custos

A utilização de uma terminologia homogênea simplifica o entendimento e a comuni-

cação. Com tantos termos de diferente expressão, porém significados semelhantes, por vezes

o profissional experiente sente-se confuso em seu entendimento. Então imagine o principian-

te! Por isso, faz-se necessário criar uma nomenclatura para custos. Neste sentido, consulta-

mos diversos autores para que pudéssemos construir um entendimento comum entre nós,

que serão muito utilizados no decorrer deste componente.

Na terminologia usada em custos encontramos algumas definições que, segundo

Martins (1998), Bruni e Famá (2004), Berti (2006), Leone (2000), Bornia (2002), podem ser

assim definidas:

• Gastos: Os gastos ocorrem em todos os momentos e em qualquer setor da empresa. Este

termo é usado para definir as transações financeiras, com que a entidade arca para obter

um produto ou serviço qualquer, normalmente representado por entrega ou promessa de

entrega de ativos (normalmente dinheiro).

Diante disso, o gasto pode ser classificado como gasto de investimento (aquele que vai

ser ativado, ou seja, quando compra uma máquina, ela vai fazer parte dos bens da empresa)

ou como gasto de consumo (que será uma despesa, por exemplo, quando eu compro mate-

rial de expediente), pois só existe gasto no ato da passagem para a propriedade da empresa

do bem ou serviço, ou seja, no momento em que existe o reconhecimento contábil da dívida

assumida ou da redução do ativo (dinheiro) em dado pagamento.

Ativos são os bens e
direitos de uma

empresa.

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C USTOS E FORMA ÇÃO DO PREÇO DE VENDA

• Despesas: são bens ou serviços consumidos direta e indiretamente para obtenção de recei-

tas. As despesas são itens que reduzem o Patrimônio da empresa e têm características de

representar sacrifícios no processo de obtenção de receitas, portanto, todas as despesas

são ou foram gastos, mas alguns gastos muitas vezes não se tornarão despesas, ou só se

transformam quando de sua venda.

• Custos: é um gasto relativo a um bem ou serviço utilizado na produção de outros bens ou

serviços. Custo é também um gasto, só que reconhecido como tal, isto é, como custo, no

momento da utilização dos fatores de produção (bens e serviços), para a fabricação de um

produto ou execução de um serviço.

• Insumos: são bens adquiridos para o consumo no processo de produção de novos bens ou

de prestação de serviços. Exemplo: material secundário; matéria-prima; embalagens; mão-

de-obra direta ou indireta; combustíveis e outros utilizados para o funcionamento dos

equipamentos na produção.

• Investimentos: São todos os sacrifícios havidos pela aquisição de bens ou serviços (gas-

tos) que são estocados nos Ativos da empresa para baixa (saída) ou amortização (quita-

ção) quando de sua venda, de seu consumo, de seu desaparecimento ou de sua desvalori-

zação. Exemplo: compras de máquinas para a produção.

• Perdas: bem ou serviço consumido de forma anormal e involuntária, que representa a

diminuição de um ativo sem que haja a contrapartida de uma receita ou de um ganho.

São itens que vão diretamente à Conta de Resultados, ou seja, são descontados do resul-

tado final após o lançamento das receitas menos as despesas (sobras). As perdas de pe-

queno valor são consideradas dentro dos custos ou das despesas, sem ser feita separação,

pois os valores envolvidos são irrelevantes. Exemplos: perdas de tecido durante a fabrica-

ção de camisetas, perda na evaporação de produtos químicos durante a elaboração de um

medicamento, são perdas que são lançadas no custo de produção, são perdas previsíveis.

As perdas anormais são perdas não desejadas e não programadas durante um processo de

produção. Exemplos: perdas com incêndio,
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