Apostila UNIJUÍ - Custos e formação do preço de venda
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Apostila UNIJUÍ - Custos e formação do preço de venda

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do produto de uma empresa é composto por vários componentes, e um

destes é a matéria-prima ou custo de materiais diretos, que estão diretamente ligados ao

objeto de custo.

A Contabilidade de Custos com Materiais diz respeito ao levantamento, registro e forneci-

mento de dados envolvendo a circulação de materiais na empresa. Conforme Horngren, Foster

e Datar (1999), os custos de materiais são os custos de aquisição de todos os materiais que

posteriormente se tornam parte do objeto de custo (ou seja, unidades acabadas ou em processo)

e que podem ser identificados com o objeto de custo de maneira economicamente viável.

Neste sentido, pode-se dizer que a Contabilidade de Custos envolvendo materiais, está

diretamente ligada ao produto da empresa, podendo ser facilmente identificado o custo

agregado ao produto.

3.2.2 – CÁLCULO DOS CUSTOS COM MATERIAIS (ESTOQUES)

Os materiais abrangem uma vasta gama de insumos, suprimentos, produtos e mercadorias.

• Insumos são todos os materiais necessários no processo de produção de bens e serviços.

• Suprimentos são todos os materiais necessários ao preenchimento das condições de fun-

cionamento das instalações e equipamentos.

• Produtos são os frutos da produção e ou fabricação própria, resultado da transformação

de bens e serviços em outros bens e serviços.

• Mercadorias são bens adquiridos pela empresa, para revenda, sem transformação.

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C USTOS E FORMA ÇÃO DO PREÇO DE VENDA

O custo dos materiais adquiridos deve incluir todos os gas-

tos necessários para que ele chegue ao estabelecimento da entida-

de compradora. Na realidade, o custo de uma mercadoria adquiri-

da não é somente o valor constante da nota fiscal, mas o resultan-

te da soma deste com todos os gastos necessários para a coloca-

ção do produto em condições de venda. Normalmente, serão os

custos de fretes e seguros que aparecerão com maior freqüência.

Os materiais quando adquiridos são ativados no grupo de-

nominado de estoques, ocorrendo a baixa pela efetiva utiliza-

ção, seja ela na produção (ex: matéria-prima) ou no consumo

(ex: material de expediente), ou na comercialização (venda).

Os estoques representam um dos mais importantes grupos

do conjunto patr imonial , sendo class i ficado como ativo

circulante. A sua correta determinação é imprescindível no mo-

mento da apuração do resultado do exercício por tratar-se de um

dos componentes do cálculo do lucro líquido. Concei tualmente,

é possível identificar estoques como bens adquiridos ou produzi-

dos, com o objetivo de venda ou utilização pela empresa, em suas

atividades operacionais.

A contabilização de compras de itens de estoques, assim

como os itens das vendas a terceiros, deve ser o custo da trans-

missão do direito de propriedade dos mesmos. Dessa forma, a com-

posição dos estoques deve se dar pela posse de direito e não pela

posse física.

Segundo Iudícibus (1990), normalmente, os estoques são

compostos por:

a) Itens que existem fisicamente em estoques, exceto os que es-

tão fisicamente na empresa, mas que são de propriedade de

terceiros (consignações);

Ativo circulante

Grupo de contas do Ativo de
uma empresa, que signif ica os
bens e dire itos da mesma.

C USTOS E FORMA ÇÃO DO PREÇO DE VENDA

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b) Itens adquiridos pela empresa, mas que estão em trânsito, a caminho na data do balanço;

c) Itens da empresa que foram remetidos para terceiros em consignação;

d) Itens de propriedade da empresa que estão em poder de terceiros para armazenagem,

beneficiamento, embarque, etc.

3.2.3 – CÁLCULO DO CONTROLE DE ESTOQUES – MÉTODOS PEPS E PMPM

O Método PEPS (Primeiro que Entra, Primeiro que Sai), também conhecido pelas ini-

ciais em inglês FIFO (First In, First Out), considera os custos históricos realmente sucedidos,

em ordem, rigorosamente cronológica, quando do registro da saída de materiais.

O Método PMPM (Preço Médio Ponderado Móvel) realiza uma média dos custos his-

tóricos realmente sucedidos (valores reais) entre custos dos estoques e custos de aquisições.

Estes custos são ponderados pelas respectivas quantidades em estoque e adquiridos, e a

média é recalculada a cada nova entrada de materiais (a cada nova aquisição).

Quadro 4: Exemplo – Suponhamos que em Março Deste ano o Movimento

do Depósito de Certo Tipo de Material Tenha Sido Conforme Apresentado neste Quadro

A Ficha Físico Financeira de Controle de Estoque para os dois métodos relacionados

com o preço (custo) de aquisição, teria a seguinte configuração:

Histórico Data Entrada Custo Aquisição Saída Estoque Inicial
Estoque Inicial 01/03 5.000 kg
Compra 04/03 4.000 kg R$ 21,00
Consumo Fábrica 09/03 2.000 kg
Consumo Fábrica 14/03 6.000 kg
Compra 24/03 2.000 kg R$ 29,00
Consumo Fábrica 28/03 1.999 kg

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Quadro 5: PEPS – Primeiro Que Entra, Primeiro Que Sai (FIFO-First In, First Out)

Quadro 6: PMPM – Preço Médio Ponderado Móvel

No exemplo proposto temos, para o mês de março:

A apropriação dos custos com materiais, tanto primários (matérias-primas, materiais

secundários e componentes) quanto materiais auxiliares (materiais de limpeza, de laborató-

rio e de expediente) está intimamente ligada ao controle dos estoques.

PEPS ENTRADA SAIDA SALDO
Histórico Data Quant. Custo Valor Total Quant. Custo Valor Total Quant. Custo Valor Total
Estoque
inicial 1/mar 5000 20,00 100.000,00

Compra 4/mar 4.000 21,00 84.000,00 9000 184.000,00

Consumo 9/mar 2000 20,00 40.000,00 7000 144.000,00

Consumo 14/mar 3000 20,00 60.000,00 4000 84.000,00

Consumo 14/mar 3000 21,00 63.000,00 1000 21.000,00

Compra 24/mar 2.000 29,00 58.000,00 3000 79.000,00

Consumo 28/mar 1000 21,00 21.000,00 2000 58.000,00

Consumo 28/mar 999 29,00 28.971,00 1001 29.029,00
TOTAL 6.000 142.000,00 9.999 212.971,00 1001 29.029,00

PMPM ENTRADA SAIDA SALDO
Histórico Data Quant. Custo Valor Total Quant. Custo Valor Total Quant. Custo Valor Total
Estoque
inicial 1/mar 5000 20,00 100.000,00

Compra 4/mar 4.000 21,00 84.000,00 9000 20,44 184.000,00

Consumo 9/mar 2000 20,44 40.888,89 7000 20,44 143.111,11

Consumo 14/mar 6000 20,44 122.666,67 1000 20.444,44

Compra 24/mar 2.000 29,00 58.000,00 3000 26,15 78.444,44

Consumo 28/mar 1999 26,15 52.270,15 1001 26,15 26.174,30

TOTAL 6.000 142.000,00 9.999 215.825,70 1001 26,15 26.174,30

Método/Valor PEPS PMPM
Consumos 212.971,00 215.825,70
Estoque Final 29.029,00 26.174,30
Valor Total 242.000,00 242.000,00

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3.2.4 – CONDIÇÕES BÁSICAS PARA O CONTROLE DOS ESTOQUES

A perfeita organização e o eficiente funcionamento do controle dos estoques, exigem

a observância de certas regras básicas, a saber:

a) O almoxarifado deve dispor exclusivamente do controle físico dos materiais, efetuado

através de fichas ou de sistemas informatizados;

b) O controle físico monetário deve estar a cargo de outro órgão, que também prepara todos

os relatórios concernentes a entradas ou insumos de materiais;

c) As entradas de materiais, bem como as devoluções e acertos de diferenças, devem obede-

cer a um fluxograma rigorosamente determinado, de forma a definir perfeitamente os

procedimentos e responsabilidades;

d) Toda a movimentação de materiais deve ser realizada com base nos competentes documen-

tos de controle: requisições de materiais e notas de devolução de materiais ao almoxarifado;

e) Se possível, deve ser implantado um sistema rotativo de auditoria dos estoques, de forma

a obter permanente correspondência entre os saldos (da ficha ou do sistema) e os saldos

físicos e, ao mesmo tempo, dificultar os desvios de
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