Apostila UNIJUÍ - Custos e formação do preço de venda
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Apostila UNIJUÍ - Custos e formação do preço de venda


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C USTOS E FORMA ÇÃO DO PREÇO DE VENDA
Unidade 7Unidade 7Unidade 7Unidade 7
GESTÃO DE CUSTO E PREÇOS
NA ATIVIDADE COMERCIAL
Neste capítulo trataremos da formação de preços na atividade comercial. Esta ativida-
de possui uma dinâmica específica: não precisa calcular o custo de produção, nem verificar
qual método de custeio vai utilizar para acumular os seus custos A atividade comercial
envolve apenas o custo da mercadoria adquirida e a partir deste, levantar todas as despesas
mensais do estabelecimento, identificar a margem de lucro desejada de cada mercadoria,
formar o mark-up, e a partir deste, sempre comparando o seu preço de venda com o mercado
(demanda), é possível trabalhar toda a análise do custo, do volume e do lucro.
Seção 7.1
Atividade Comercial \u2013 definições
Entendemos por comercial toda atividade exercida por prática de atos de comércio;
tudo que envolve troca, permuta, intermediação entre o produtor e o consumidor, com obje-
tivo de lucro.
Embora todo o tipo de empresa (industrial, comercial e de serviços) exerça atividade
econômica com finalidade lucrativa, o comércio se diferencia por intermediar o produto
entre as fontes de produção e o consumidor e por ser atuante em duas formas dis tintas de
comercialização: atacado ou varejo.
Segundo Wernke (2005, p. 124), na década de 80, a economia brasileira vivenciou um
importante acontecimento, quando o setor secundário (indústria) foi suplantado pelo setor
terciário (serviços) na condição de setor de maior peso na economia nacional. O grau de
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importância atribuída ao comércio prende-se aos fatos de que este segmento é o responsável
pela maior participação no produto, combinada com o elevado número de empresas. Consi-
derando-se a relevância dos dados apresentados pelo setor varejista, é plenamente justificá-
vel a atenção que a área de custos deve dispensar-lhe, suprindo os gestores dessas empresas
com informações de cunho gerencial.
A globalização atingiu economicamente todos os segmentos de mercado e o varejo
não é exceção. Com uma concorrência acirrada, ocasionando queda real nas margens de
lucros, o foco da atenção voltou-se à correta formação de preços.
Seção 7.2
Cálculo do Preço de Venda no Comércio
A correta formação de preços de venda é questão fundamental para a sobrevivência e
crescimento das empresas, independentemente do porte e da área de atuação. A determina-
ção do preço de venda está sendo cada vez mais influenciada por fatores de mercado e
menos por fatores internos. Entretanto, toda empresa deve saber o preço de venda orientativo,
ou seja, o preço mínimo pelo qual deve vender seus produtos/mercadorias (Wernke, 2005).
Precificação é uma atividade de gestão e marketing preocupada com a colocação de
preços para novos produtos e o ajuste de preços para produtos existentes. A precificação faz
parte do composto mercadológico e, do ponto de vista do consumidor, é elemento inseparável
do produto (bem ou serviço). É através dessa relação que o consumidor pode avaliar a relação
custo-benefício ou, em outros termos, sua possibilidade de extrair valor do dinheiro aplicado.
Preço é a expressão do valor de troca que se oferece por alguma coisa que satisfaça
uma necessidade ou desejo. Conforme Wernke (2001), no cálculo do preço de venda, as
empresas devem procurar valores que maximizem lucros; possibilitem alcançar as metas de
vendas com tal preço; permitam otimização do capital investido e proporcionem a utilização
eficaz da capacidade de produção instalada.
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7.2.1 \u2013 MÉTODOS DE PRECIFICAÇÃO
Wernke (2001) e Bruni e Famá (2004) relatam que para a formação do preço de venda
devem ser observados alguns critérios, entre eles:
a) inicialmente calcular o preço orientativo, com base em dados internos da empresa;
b) após, fazer uma crítica deste preço com as características do preço do mercado concorrente;
c) posteriormente testar o preço orientativo nas condições do mercado, relacionando custo/
volume/lucro e considerando os aspectos econômicos e financeiros da empresa;
d) por último, fixar o preço mais apropriado, considerando volumes, prazos, descontos e
comissões.
O autor esclarece, também, que muitos são os fatores que interferem na formação do
preço de venda, entre eles:
a) qualidade do produto diante do mercado consumidor;
b) produtos similares;
c) demanda estimada do produto;
d) controle de preços por órgãos reguladores;
e) níveis de venda que se pretende atingir;
f) custos e despesas do produto.
Em geral são adotados pelas empresas quatro métodos para a formação de preços:
a) Método com base no custo da mercadoria;
b) Método com base nas decisões de empresas concorrentes;
c) Método com base nas características do mercado;
d) Método Misto (combinação de custos, concorrência e características do mercado).
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O primeiro método é o mais comum na prática empresarial e consiste em adicionar
uma margem fixa a um custo base, conhecido como mark-up. O segundo método é o basea-
do nas decisões das empresas concorrentes, problemático por não se saber se a concorrência
opera com ou sem lucro. Assim, simplesmente adotar o preço igual ou inferior pode compro-
meter a lucratividade da empresa. O terceiro método consiste num conhecimento profundo
do mercado e assim estabelecer preços de acordo com o nicho de mercado que quer atingir.
E o quarto método é o misto, justamente por englobar a combinação dos diversos fatores
(Wernke, 2005).
7.2.2 \u2013 CÁLCULO DO CUSTO DE COMPRA
Todos os esforços despendidos para a aquisição das mercadorias, materiais ou serviços
até o momento de sua utilização participam do custo de compra. Assim, compõem os custos
de compra os seguintes fatores:
Figura 22: Cálculo do Custo de Compra no Comércio
Fonte: Wernke (2001).
GESTÃO DE CUSTOS NO COMÉRCIO 
Calculo do custo de compra: 
(+) Custo da fatura (valor constante na NF)
( -) Descontos dados na fatura (incondicionais, mencionados no
corpo da NF. Não são os descontos recebidos por pagamento
no vencimento antecipado da duplicata) 
(+) Despesas acessórias (fretes, seguros, outros)
(+) Impostos não recuperáveis fiscalmente (IPI no comércio)
( -) Impostos recuperáveis fiscalmente (ICMS no comércio)
(=) Custo de aquisição das mercadorias, materiais e serviços. 
Indústria: recupera ICMS e IPI
Comércio: Recupera somente o ICMS.
PIS/COFINS
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C USTOS E FORMA ÇÃO DO PREÇO DE VENDA
A diferença básica entre os cálculos de custo de compra para o comércio e para a
indústria está na recuperação de tributos. O ICMS (Imposto Sobre Circulação de Mercado-
rias e Serviços) e IPI (Imposto de Produtos Industrializados) são recuperáveis fiscalmente no
caso industrial, enquanto somente o ICMS é recuperável quando se trata de comércio. Tam-
bém é preciso observar o PIS (Programa de Integração Social) e Cofins (Contribuição para o
Financiamento da Seguridade Social), que conforme o tipo de mercadoria e o tipo de negó-
cio fazem parte do custo de aquisição.
7.2.3 \u2013 TAXA DE MARCAÇÃO (Mark-up)
Quando falamos em definir o mark-up, tanto na indústria quanto no comércio, a for-
ma de elaboração é a mesma, o que diferencia uma atividade da outra são os impostos e o
custo, que na indústria é o custo de produção (que envolve custos fixos e variáveis), en-
quanto que no comércio é o custo de aquisição. Além destas diferenças tributárias, existe
diferença na nomenclatura, no comércio falamos em despesas. Em função disso, apresenta-
mos os conceitos e a formulação do mark-up para comércio.
Segundo Wernke (2001), a taxa de marcação ou mark-up é um índice aplicado sobre o
custo de um bem ou serviço para formação do preço de venda. Tem
Cristiano
Cristiano fez um comentário
Muito bom!!
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