Apostila UNIJUÍ -Métodos estaísticos e a administração
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Apostila UNIJUÍ -Métodos estaísticos e a administração

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volumes de dados.

1.1.3 interligando o Potencial das dUas ciÊncias

Um candidato ou candidata a um emprego leva, seguramente, vantagem se tiver em sua

bagagem de conhecimento o domínio dos métodos estatísticos, uma vez que essa habilidade pode

ser de grande interesse para as empresas contratantes. A leitura de um gráfico, de uma tabela,

a interpretação e análise de relações e de tendências permitem uma nova linguagem a serviço

da organização empresarial.

Para fazer essa interligação entre a Administração e os métodos estatísticos apresentamos

diferentes níveis de aprofundamento nessa leitura da realidade dos fatos e fenômenos sociais e/

ou naturais:

a. Estatística Descritiva: nesse âmbito, como o próprio nome diz, pretende-se descrever os fenô-

menos. Trata-se de técnicas estatísticas para sistematização, sintetização e apresentação de

fenômenos de forma compreensível, dando visibilidade ao que realmente aconteceu ou acon-

tece. Como compreender os diferentes estágios do nível de pobreza nos municípios gaúchos,

N = 496, sem uma descrição completa de sua localização, magnitude, permitindo avaliar e

traçar metas em relação aos bolsões de miserabilidade no Estado. Qual o gestor público que

não deseja ter à disposição essa descrição do fenômeno ao traçar planos e metas, definir prio-

ridades?

EaD
ruth Marilda Fricke – iara denise endruweit Battisti – antonio Édson corrente

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b. Estatística Inferencial: observamos que o termo “inferência” provém do verbo inferir, quer

dizer, que pretendemos olhar um quadro de resultados e projetá-los para um universo maior.

A inferência reúne um conjunto de métodos que permitem fazer essas projeções com garantia

e conhecimento da margem de erro máxima inerente às inferências realizadas com base em

uma amostra. Como podemos projetar o sucesso do lançamento de um novo produto no merca-

do sem antecipar seu potencial de vendas? Para tal busca é impossível represar o lançamento

esperando que se conheça qual a fatia do mercado que se interessaria pela sua aquisição,

portanto é um caso típico para inferir o resultado populacional mediante uma amostra dos

possíveis clientes.

c. Estatística Aplicada: nos dois itens anteriores passamos uma ideia sobre a existência de um

conjunto de métodos e técnicas estatísticas, construindo descrições e inferências dos dados.

Após o uso das mesmas, estando aptos a traçar um perfil descritivo do nosso conjunto de dados,

vamos aplicar algumas técnicas que revelam relações entre variáveis de forma a mostrar o que

está por trás dessas relações descritivas. Podemos descobrir, por exemplo, que as mulheres

compram preferencialmente determinados produtos; podemos conhecer o quanto a idade pode

estar relacionada à quantidade de gastos com multas de trânsito; podemos avaliar os limites

permitidos de diâmetro de uma determinada peça; podemos avaliar a resposta em termos de

volume de vendas com o passar dos meses...

Nós, seres humanos, e até mesmo os animais e as plantas, temos diferentes formas de nos

expressar. Dependendo da situação, empregamos as mesmas palavras para expressar diferentes

ideias. O mesmo se dá nas diversas Ciências. A palavra “população” na Demografia expressa

os habitantes de uma determinada região; já na Estatística sob a idéia de população agregamos

todos os indivíduos, animais, objetos, lugares, períodos ou máquinas, etc., que apresentam ca-

racterísticas comuns predefinidas que constituem o nosso universo de informantes. Na seção a

seguir vamos apresentar os principais conceitos da Estatística.

seção 1.2

ajustando a linguagem por meio dos conceitos Básicos da estatística

Os principais conceitos da Estatística dizem respeito aos informantes e às informações que

formam as bases do tratamento estatístico. Os métodos estatísticos aparecem, então, intimamente

relacionados com esse contexto, pois permitem conhecer e explorar os fenômenos. Dois são os

âmbitos da perspectiva estatística: INFORMANTES E INFORMAÇÕES.

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MÉtodos estatísticos e a adMinistração

1.2.1 inForMantes

O que queremos dizer com Informantes?

Trata-se da proveniência dos dados, quem os fornece. Nossos informantes podem ser as

empresas, os trabalhadores, os produtos... Eles são a origem das informações. Ao analisar as

empresas posso obter delas uma série de informações que constituirão o objeto da estatística.

Os informantes podem se constituir numa população ou numa amostra.

a. POPULAÇÃO: É o conjunto de todas as unidades que reunimos a partir de características

que as definem e que são o espaço temático de nosso estudo. Segundo o dicionário Aurélio:

“População é o conjunto de habitantes de um território, de um país, de uma região, de uma

cidade, etc.”

Ainda no Dicionário Aurélio (1995, p. 1.115): “Estat. Conjunto, em geral infinito ou com

um grande número de membros, cujas propriedades se investigam por meio das características

dos subconjuntos que lhes pertencem, universo”.

Segundo a Wikipédia Português:

Genericamente, uma população é o conjunto de pessoas ou organismos de uma mesma espécie que

habitam uma determinada área, num espaço de tempo definido. O termo população tem, consoante

a disciplina a que se refere, distintas definições. Em Biologia define-se como um grupo de indivíduos

que acasalam uns com os outros, produzindo descendência. Em Estatística chama-se população ao

conjunto de todos os valores que descrevem o fenômeno que interessa ao investigador (grifo nosso).

Em Sociologia define-se como um conjunto de pessoas adscritas a um determinado espaço, num dado

tempo (p. 1.115).

E assim por diante. Na Geografia, população são os indivíduos que fazem parte de um

mesmo grupo: habitantes de um país, de uma tribo, de uma região, de um Estado, ou ainda mais

específica, economicamente ativa, desocupados, inativos...

Entendemos que na área da Administração, sob o ponto de vista dos métodos estatísticos,

população é um conjunto de instituições, empreendimentos, clientes, negócios, produtos, traba-

lhadores, indicadores, etc. Nesse caso, basta que nosso estudo esteja centrado nessa população,

de forma que como nossos informantes, eles forneçam as informações que estão no entorno de

nossa temática.

Para serem população é necessário que se constituam de um grupo exaustivo de elemen-

tos que são definidos sob as características mencionadas. Um grupo exaustivo quer dizer que é

composto por todas as unidades possíveis que só podem ser avaliadas censitariamente, isto é,

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por meio de um censo, em que nenhuma das unidades fique de fora. As características tornam

único aquele conjunto de dados, de forma que se distingue logo se uma unidade pertence ou

não àquela população.

Vejamos no Quadro 1 alguns exemplos de população:

Quadro 1: exemplos de população e sua descrição estatística

População Características Tamanho Definição

Trabalhadores

Pessoas com 10 anos ou mais que

são a PEA – região Metropol i tana

de Porto Alegre – março de 2008.

N = 1.875

mil pessoas
Ωx : { x ∈ (1 , 2 , 3 ,
. . . . , 1 .875.000}

Empresas

Da construção de I juí registradas

no Cadastro da Prefei tura Muni-

cipal de I juí – 2006.

N = 121
Ωx : { x ∈ (1 , 2 , 3 ,
. . . . , 121}

Produtos
Comercial izados pela empresa X

de I juí – março de 2009.
2 mil i tens

Ωx : { x ∈ (1 , 2 , 3 ,
. . . . , 2000}

Fonte: Elaboração da autora.

b) AMOSTRA: entendemos por amostra quando temos um conjunto significativo da população

que apresenta as mesmas características e que a distingue de outros informantes. Nesse caso,

nenhuma características particular pode dominar a amostra e não estar presente em toda a

população. Por exemplo: se nossa população são os cães de nossa cidade, não pode a amostra

constituir-se só de fêmeas, pois nesse caso acrescentaria uma nova característica, que excluiria

uma parte dos cães da cidade.