atos processuai no tempo e no espaço
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Ato processual no tempo e no espaço

 	1. É sabido que o tempo tem uma salutar importância para o direito, posto que as relações jurídicas se formam e, para se dissolverem, necessitam do tempo consumido pelo processo, a fim de solucionar as lides.

Todo o processo é realizado pelo procedimento previsto em lei, sendo este uma seqüência de atos coordenados direcionados a um sim, que é a sentença.

	Esses atos têm um momento adequado e útil para serem praticados, vale dizer, não podem ser praticados a qualquer tempo e lugar.
	
Neste contexto é que localizamos os prazos, posto que os atos processuais devem ser praticados no tempo -prazo- previsto em lei, ou ainda determinado pelo juiz, para sua concretização.

2. O CPC de 1973 previu lugar para a prática do ato processual, sendo este, via de regra, a sede do juízo (o fórum). Em casos excepcionais, contudo, poderá ser realizado em outro lugar, desde que o interesse da justiça assim determine, ou ainda em razão de algum obstáculo que impossibilite a realização no fórum. (Art. 176).

	3. Os prazos previstos em lei são os chamados legais, ao passo que os assinados pelo juiz, judiciais. Há ainda os chamados prazos convencionais, quando a lei faculta às partes a estipulação deles (Art. 265, II do CPC), sendo esta modalidade mais escassa.
 	
Para Humberto Teodoro Junior, prazo é o “espaço de tempo em que o ato processual da parte pode ser validamente praticado”.

	
Os atos processuais realizar-se-ão em dias úteis, das seis às vinte horas (Art. 172).

 	
Poderão ser praticados fora deste horário se iniciados dentro do mesmo, assim como poderão ser praticados em domingos, feriados ou dias úteis, fora do expediente, desde que observado o disposto no Art. 5º, XI, CF/88 (Art. 172, §§ 1º e 2). 	
 		

Em regra, durante feriados e férias forenses não se praticam atos processuais. Há, contudo, exceções às regra, como se observa nos incisos do Art. 173.
 	PS: Este Art. 173 se refere apenas ás férias coletivas -forenses-, não as individuais, afetas a cada magistrado. Assim, como as férias forenses foram extintas pela EC nº 45/2004, sendo direcionado apenas às cortes supremas (STJ e STF).

 	Tem aplicabilidade o dispositivo no que se refere aos feriados.

 	Os prazos podem ser:

dilatórios: são prazos destinados ao “aumento” do tempo processual, a fim de possibilitar, por exemplo, a mais ampla e irrestrita defesa.no dizer de Cândido Dinamarco, são aqueles que visam refrear a dinâmica do processo em nome da efetividade da defesa dos direitos.� São chamados de prazos de espera, para evitar que o ato se pratique antes do vencimento do prazo. Podemos citar como exemplos destes prazos a determinação da realização da citação, no processo sumário, em no mínimo dez dias antes da realização da audiência. São chamados também de prazos mínimos;
aceleratórios: são prazos que impulsionam o processo, que delimitam o tempo de sua realização, como por exemplo, a determinação de depósito de rol de testemunhas com antecedência mínima, nos termos do Art. 407, CPC. São os que fixam uma distância máxima, dentro da qual o ato pode ser praticado. São também chamados de prazos máximos;
peremptórios: são os prazos processuais que não comportam dilação por convenção das partes. Via de regra, vêm previstos em normas cogentes. Observe-se que a peremptoriedade não é absoluta, podendo o juiz dilatar qualquer prazo, independentemente da espécie (Art. 182);
dispositivos/ordinatórios: são os prazos processuais que comportam dilação por convenção das partes.

	PS: A lei não diz quais são os prazos peremptórios e os dispositivos. Daí a dificuldade de identificá-los.

próprios: são os prazos que se submetem à preclusão. Os prazos aceleratórios são preclusivos, portanto, próprios;
impróprios: os que não induzem em preclusão. Podemos citar como exemplos desses a não devolução dos autos pelo advogado que os retirou em carga; a parte que não se manifestar nos cinco dias conferidos para fazê-lo com relação aos documentos novos (Art. 398), poderá fazê-lo quando da apresentação das alegações finais ou ainda razões recursais. Os prazos estipulados para juízes e promotores são, também impróprios.

	4.- Curso e contagem dos prazos:
Os prazos têm seu curso contínuo, ou seja, depois de iniciados, não se suspendem ou interrompem se no decorrer dele existir um feriado ou domingo.
Assim, caso o prazo contenha domingos e feriados, mas não se inicie e nem termine em tais datas, a fluência do prazo tem seu curso normal.
Os prazos iniciam-se excluindo o dia do começo e incluindo o dia do fim (Art. 184; 240/241). Assim, se a intimação foi recebida na segunda, o prazo inicia-se na terça. Se recebida a intimação na sexta, o prazo inicia-se na segunda, posto que não há expediente forense aos sábados. Da mesma forma, quando termina em dias onde não há expediente forense, prorroga-se para o primeiro dia útil.
Os prazos em anos contam-se em anos, ou seja, no dia e mês do outro ano. (Ação Rescisória – 2 anos do trânsito em julgado –Art. 485, CPC. Se o trânsito em julgado deu-se em 10.10.2003, o prazo expira-se em 10.10.2005):
Os prazos em meses, contam-se em meses, ou seja, no mesmo dia do começo do mês seguinte. Não importa aqui se o mês tem 30 ou 31 dias. (Suspensão do processo por seis meses em 10.10.2003, o prazo expira-se em 10.4.2006)

Os prazos em dias contam-se em dias. (recebida a intimação da sentença em 10.10.2003, o prazo para apelação expira-se em 25.10.2006)

Há prazos em horas e minutos conta-se em cada fração. Exemplo: prazo para o devedor paga, depois de citado da execução: 24 horas.

5.- Prazo geral: não havendo previsão legal e não sendo assinado prazo pelo juiz, será ele de cinco dias (Art. 185, CPC).

	6.- Preclusão: caso a parte não pratique o ato processual dentro do prazo previsto, extinguir-se-á o direito de praticá-lo, independentemente de qualquer pronunciamento jurisdicional, exceto se a parte provar a impossibilidade de fazê-lo (Art. 183).

 	Não haveria sentido prever prazos se, o seu não cumprimento, em nada importaria à parte.

 	Esta é a chamada preclusão temporal. Ao lado desta, mais duas existem: a lógica, que decorre da incompatibilidade de um ato com outro, que se quereria praticar também (por exemplo: a parte que, por exemplo, aceitar expressa ou tacitamente a sentença ou a decisão não poderá recorrer – Art. 503); a consumativa refere-se á pratica do próprio ato, de modo que se torna impossível realizá-lo novamente.

	7.- Prazos para as partes: o prazo para as partes será aquele previsto em lei. Caso não haja previsão, será aquele que o juiz assinar. Caso não assine, será o prazo geral, de cinco dias (Art. 185).
	A parte pode renunciar ao prazo que a tem direito, sem que para isso precise anuir a parte contrária, como se observa do Art. 186, CPC. Esta renúncia pode ser total ou parcial. Praticado o ato antes de completado o lapso, há renúncia tácita com relação aos dias faltantes.

 	Aumento dos prazos legais por motivo justificado é permitido, como se observa do Art. 187. Vide inciso LXXVIII, Art. 5º, CF/88: LXXVIII - a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação.

 	O Código não esclarece o que poderia ser considerado como “motivo justificado”, sendo conceito vago, cabendo então, ao juiz, diante de cada caso concreto.

	8.- Prazos para o Ministério Público e Fazenda Pública: prazo em quádruplo para contestar e em dobro para recorrer.

 	Na expressão “Fazenda Pública” enquadram-se União, Estados, Municípios, Distrito Federal, autarquias e fundações publicas.

	9.- Prazos para o Juiz: despachos ordinatórios: 2 dias; decisões: 10 dias. (Art. 189).

 	Na expressão “Fazenda Pública” enquadram-se União, Estados, Municípios, Distrito Federal, autarquias e fundações publicas.

 	Como já mencionado, estes prazos são impróprios, ou seja, nenhuma conseqüência ocasiona o seu não cumprimento.

 	Há outros prazos previstos: cinco dias para sentenciar na cautelar, quando não contestada