CCJ0009-WL-AV1-Teoria e Prática da Narrativa Jurídica -Trabalho-02 para AV1 _14-09-2012_
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Curso de Direito
Turma A – Manhã - 2012.1

Teoria e Prática da Narrativa Jurídica
Prof.: Francysco Pablo Feitosa Gonçalves

Disciplina:
CCJ0009

Trab:
002

Alunos:
Andrea Barros, Tânia Valença e Waldeck Lemos

Folha:
1 de 3

Data:
14/09/2012

MD/Direito/Estácio/Período-02/CCJ0009/Trab-002-Trabalho/WLAJ/DP

TRABALHO PARA AV1

CASO CONCRETO
ABANDONO AFETIVO

"O caso que será estudado neste tópico é baseado em um processo real, já julgado pelo STJ (STJ. REsp

757411-MG). O caso é extremamente interessante em diversos aspectos. (.. .) Será que existe um direito
fundamental ao amor? Será que um valor tão íntimo da dignidade da pessoa humana, que é a busca pelo
amor paterno, não merece uma proteção jurídica? Por outro lado, corno obrigar alguém a amar? Será que o amor
não deve ser espontâneo por natureza?

Os fatos são os seguintes: Alexandre, cujos pais são separados, foi criado durante toda a vida por sua mãe.
O seu pai fornecia ajuda financeira: pagava a pensão alimentícia em dia, ajudava no custeio da mensalidade
escolar, no pagamento do plano de saúde etc., porém, nunca participou efetivamente de sua educação ou de sua
vida pessoal. Ou seja, não lhe deu o carinho e o afeto necessários que todo filho merece receber do pai. É preciso
ressaltar que, até os seis anos de idade, Alexandre manteve contato com seu pai de maneira razoavelmente
regular. Após o nascimento de sua irmã, a qual ainda não conhece, fruto de novo relacionamento conjugal de seu
pai, este afastou-se definitivamente. Em torno de quinze anos de afastamento, todas as tentativas de aproximação
efetivadas por Alexandre restaram infrutíferas, não podendo desfrutar da companhia e dedicação de seu pai, já
que este não compareceu até mesmo em datas importantes, como aniversários e formatura. Alexandre
cresceu, tornou-se adulto, mas nunca conseguiu superar o sentimento de abandono causado pela ausência do
pai. Em razão disso, Alexandre ingressou com ação judicial, pedindo ao Judiciário que condenasse o pai a lhe
pagar uma indenização por dano moral por abandono afetivo. Defendeu que a ausência do pai lhe trouxe abalos
psicológicos e sofrimento que devem ser compensados, ainda que financeiramente ( . . . ) . "1

Mesmo tendo apresentado provas, sobretudo documentais (laudos e pareceres psicológicos), do
abandono e dos danos que daí seriam decorrentes. Alexandre foi derrotado em primeira instância.

Alexandre recorreu ao Tribunal de Justiça de Minas Gerais, que lhe deu ganho de causa, decidindo
que "A dor sofrida pelo filho, em virtude do abandono paterno, que o privou do direito à convivência, ao amparo
afetivo, moral e psíquico, deve ser indenizável com fulcro no princípio da dignidade da pessoa humana."2

O pai de Alexandre recorreu ao STJ, que decidiu que "A indenização por dano moral pressupõe a
prática de ato ilícito, não rendendo ensejo à aplicabilidade da norma do artigo 159 do Código Civil de 1916 o
abandono afetivo, incapaz de reparação pecuniária."3

Alexandre, por intermédio de seus advogados, recorreu ao STF alegando violação ao princípio da
dignidade da pessoa humana.

1 - Adaptado de MARMELSTEIN. George. Curso de direitos fundamentais. São Paulo: Atlas, 2008. p.
451-452.

2 - Segundo a Constituição Federal de 1988: "Art. 1° - A República Federativa do Brasil formada pela
união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado
Democrático de Direito e tem corno fundamentos: (...) IIl – a dignidade da pessoa humana.”

3 – Dizia o Código Civil de 1916: "Art. 159. Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou
imprudência, violar direito, ou causar prejuízo a outrem, fica obrigado a reparar o dano."

O Código Civil de 2002 dispõe que:

Art. 186. Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar direito
e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato ilícito.

Art. 187. Também comete ato ilícito o titular de um direito que, ao exercê-lo manifestamente os
limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boa-fé ou pelos bons
costumes.

(...)
Art. 927. Aquele que, por ato ilícito (Artigos 186 e 187) causar dano a outrem, fica obrigado a

repará-lo.

01 - Qual o fato gerador desse processo?

Curso de Direito
Turma A – Manhã - 2012.1

Teoria e Prática da Narrativa Jurídica
Prof.: Francysco Pablo Feitosa Gonçalves

Disciplina:
CCJ0008

Trab:
002

Alunos:
Andrea Barros, Tânia Valença e Waldeck Lemos

Folha:
2 de 3

Data:
14/09/2012

MD/Direito/Estácio/Período--02/CCJ0009/Trab-002-Trabalho/WLAJ/DP

Resposta: Abandono Afetivo.
02 - Você considera possível a defesa da existência de um direito fundamental ao amor?
Resposta: Não.

Visto que todo direito tem sua garantia. O amor é um sentimento, algo que é subjetivo e, portanto, não nos
dá recursos para garanti-lo. O que se deve questionar são os elementos decorrentes da ausência do amor e a
maneira mais adequada de fazer justiça àqueles que tiveram de alguma forma seu bem jurídico lesionado.

Amor significa afeição, ternura, querer bem. Deste sentimento decorrem outros elementos como: proteção,
responsabilidade, compromisso, respeito, assistência afetiva e moral, etc. Trata-se de um sentimento inerente ao
próprio individuo e se concretiza quando estabelecido um vínculo emocional com alguém. É nesse momento que é
possível enviar os estímulos sensoriais e psicológicos necessários para a manutenção e motivação do amor.
Percebe-se então, que não é possível obrigar alguém a dar algo que ele não tem, ou melhor, que ele não sente.

No entanto, a Constituição Federal garante a todos “Direitos e Garantias Fundamentais”, ou seja, a pessoa
natural de direito tem garantido pelo Estado o direito à vida e à sua integridade fisica e moral. Institutos que
podem ser lesionados pela ausência daqueles elementos que decorrem do amor e praticado por quem tinha o
dever legal de fornecer.

É evidente que a ausência daqueles elementos causam lesão ao principal bem jurídico: a vida, cuja
abrangência vai desde o direito de não ser morto como também o direito de ter uma vida digna, a qual se perfaz
pelo pleno direito de ser amparado, tanto materialmente quanto psicologicamente. Um filho que durante sua
formação social e psicológica foi privado da presença paterna passa inevitavelmente por constrangimentos
irreparáveis podendo até causar-lhe danos maiores como, por exemplo, desvio de condutas lícitas.

O ser humano como pessoa livre deve ser responsável por seus atos e responsabilizar-se pelas
consequências trazidas por eles. Por um lado, é notório que não podemos obrigar ninguém a amar, mas qualquer
omissão que venha a causar um dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, como enfatiza o artigo 186 do
Código Civil de 2002, configura ato ilícito. Por outro lado, alguém que teve seu bem jurídico lesionado, seja ele
qual for, deve ser reparado.

A indenização por abandono afetivo tem caráter disciplinador e, uma vez admitida, reconhece o dano
provocado pela falta de afeto e convivência do pai. O papel dos pais não se limita ao sustento, abrange também o
apoio emocional e assistência em geral, portanto, se esse papel não é cumprido por uma ausência injustificada do
pai, surge o dano, que há de ser reparado. O direito deve encontrar soluções justas que harmonize cada realidade.
03 - Suponha que você está em seu escritório e Alexandre lhe procura a fim de processar o pai pedindo a
indenização por danos morais decorrentes do abandono afetivo, produza a narrativa valorada ("dos
fatos") da petição inicial, tomando o cuidado de apresentar os fatos em ordem cronológica

Dos Fatos

Filho de pais separados, o DEMANDANTE, cujo pai é o DEMANDADO, alega que desde muito novo sofre
pelo abandono afetivo de seu genitor. Motivo que o faz pleitear indenização por dano moral.

O DEMANDANTE enfatiza que o DEMANDADO manteve contato de maneira razoavelmente regular até os
seus seis anos de idade,