História Quinto Constitucional
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História Quinto Constitucional


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SEMINÁRIO: QUINTO CONSTITUCIONAL \u2013  DEBATE E TENDÊNCIAS
       Nosso primeiro painelista é o presidente da AMB, Dr. Rodrigo Collaço, formado em Direito pela Universidade Federal de Santa Catarina, Presidente da Associação dos Magistrados Catarinenses de 1999 a 2003, Coordenador da Justiça Estadual da Associação dos Magistrados Brasileiros de 2001 a2004, Presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros a partir de 16 de dezembro de 2004 para gestão 2004/2007, e nomeado membro do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social da Presidência da República, em fevereiro de 2005. Para sua exposição convidamos o Presidente da AMB, Dr. Rodrigo Collaço. 
       RODRIGO COLLAÇO - Boa noite a todos, queria saudar primeiro todos os colegas aqui presentes na pessoa da colega Denise, presidente da AJURIS, do vice-presidente aqui presente, também, do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, desembargador Vasco Della Giustina. Quero fazer uma saudação carinhosa ao colega Cláudio Baldino Maciel, ex-presidente da AMB, exemplo de uma gestão plenamente exitosa, na qual estou procurando sempre me espelhar, colega Aymoré que é o vice-presidente da AMB na atual gestão, pra mim, uma satisfação muito grande nossa. Colega Guinther Spode que foi Presidente da FLAN e, agora, desenvolve um trabalho importantíssimo nessa área internacional. Em nome deVossa Excelências eu queria saudar a todos os meus colegas aqui, juízes, ao tempo em que eu manifesto minha alegria ao reencontrá-los. Eu que sou vizinho, tenho aqui, sempre muita satisfação de vir ao Rio Grande do Sul, especialmente em falar hoje com a torcida do Grêmio portoalegrense. E cumprimentaria também a todos os membros do Ministério Público na pessoa do Cosenzo que é um colega, um parceiro de lutas. A AMB e a Conamp estão sempre juntas na defesa de prerrogativas da magistratura e do Ministério Público e, em nome do colega, eu saúdo todos os representantes do Ministério Público. Como também quero deixar minha homenagem aos advogados na pessoa do Dr. Marcos Vinícius Furtado Coelho, que se deslocou do Piauí, é uma pessoa brilhante, que todos nós sabemos e que certamente vai dar uma contribuição especial. O Dr. Otávio Augusto, presidente do Tribunal de Justiça Militar, conselheiro Sandro Pires do Tribunal de Contas do Estado, acho que a presença de tão importantes autoridades continua dando pra nós a dimensão que tem a AJURIS no Rio Grande do Sul, porque é uma entidade cuja força se revela nesse instante em que um seminário marcado no dia de um jogo importante como esse e, na seqüência de um desastre em Florianópolis - onde o Avaí foi derrotado pelo Atlético Mineiro ontem por dois a zero \u2013 e, mesmo assim nós temos  aqui um auditório repleto de colegas.
       O que eu queria colocar pra vocês, é que recentemente a AMB tomou uma posição no Conselho de Representantes que é constituído por todos os presidentes de Associação de cada Estado: tomou uma posição contra o Quinto Constitucional. E, por que tomou essa posição? Porque como a colega Denise bem acentuou, é muito difícil pra nós juízes não termos posição sobre tudo. É difícil. E vendo uma reforma do Judiciário tramitando no Congresso Nacional, - e nós já vimos que não só tramitando, como sendo votada, sendo aprovada -, é evidente que nós que pensávamos que o sistema de seleção dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, do STJ, TST, precisavam de algumas alterações, é natural que nós nos debruçássemos sobre todo o arcabouço institucional do Judiciário e, dentro dessa visão, dentro dessa análise nós passamos também a analisar o Quinto Constitucional. É evidente que nós sabemos que no Brasil, nós temos uma formação que valoriza muito as pessoas, a nossa política partidária ela é muito personalista, nós votamos muito mais em pessoas do que em partidos e, é natural, que nessas discussões todos nós deixemos de uma forma ou de outra nos contagiar pela simpatia ou antipatia que temos pelos integrantes do Quinto dentro do Tribunal. Só que o que eu proponho aqui é uma discussão que se afaste disso, até porque eu sei que aqui no Rio Grande do Sul, há uma grande interação entre os juízes que vem do Quinto - tanto da advocacia quanto do Ministérioo Público - com toda a magistratura. Então, esse debate, essas posições, essas considerações, evidentemente que elas não levam em consideração, não levam em conta, nenhuma dessas circunstâncias que são pessoais. O que nós olhamos? Nós olhamos o modelo institucional e procuramos discutir se esse modelo institucional se ele cumpre o seu papel, especialmente o papel para o qual ele foi pensado, se ele pode ser aperfeiçoado, se ele pode ser mantido e, daí por diante. Então eu peço aos colegas que aqui não levem nenhuma das considerações como de natureza pessoal, mas apenas considerações que levem a estruturação institucional do Judiciário. E, para poder falar sobre isso, eu acabei dando uma olhada, uma pesquisada, quando surgiu o Quinto Constitucional no Brasil e me informei, e aqui a maioria deve saber, que o Quinto surgiu na Constituição de 34.  Se eu estiver errado alguém me corrija. Surgiu na Constituição de 1934, mas qual era a realidade do País em 1934? Tivemos a Revolução de 1930. A Revolução de 1930 colocou no poder Getúlio Vargas que era visto como uma grande ameaça às oligarquias que até então dominavam o País. Além dessa ameaça, preocupava a todos no país, o conflito que a industrialização traria à relação capital-trabalho, passaria a ser consultosa no Brasil por um processo de industrialização que começava, e houve a Revolução de 32 em São Paulo. Na Revolução Constitucionalista de 32, Getúlio Vargas assumiu o compromisso de fazer uma nova Constituição e começou a traçar qual o perfil da Constituinte de 34. Para que se tenha uma idéia da importância das corporações profissionais naquele instante, a Constituinte foi escrita por 240 deputados eleitos e por 40 integrantes de carreiras profissionais, sendo que vinte integrantes da representação dos empregados e vinte integrantes da representação dos patrões. Isso dá uma idéia do grau de prestígio que se deu naquele instante às corporações do país, ao mesmo tempo, no âmbito do Poder Judiciário. E qual era o raciocínio? Na verdade, o raciocínio que se tinha aqui era um raciocínio inspirado na Alemanha e na Itália, depois claro, nem o fascismo e nem o nazismo terminou bem, mas o Fascismo, principalmente, imaginava que se os conflitos sociais fossem trazidos para o âmbito do Estado, eles poderiam se manter intermediados, mas bem compostos. Isso reduziria a violência no ambiente social. Então sob essa influência é que se pensou no Brasil que a Constituinte deveria prestigiar também as corporações, as carreiras. Isso foi verdade no âmbito do Judiciário, especialmente pela criação da Justiça do Trabalho com a representação classista. A representação classista é a representação maior do que se imaginava naquele momento trazendo para o Estado, - e os sindicatos, todos, já funcionavam naquela época sob a dependência e autorização do Estado -, então, se trouxessem pro âmbito do esppaço público, os conflitos entre trabalhadores e empregados. O Estado se encarregaria de amortecer esses conflitos. Nós e, por isso, teríamos um desenvolvimento que levaria em conta principalmente os interesses gerais e não os interesses corporativos de A ou de B. Junto com a Justiça do Trabalho e com essa criação classista é que se entendeu, sem paralelo nenhum, até onde eu sei, criar a figura do Quinto Constitucional - que seria acho que sob  essa mesma influência - a idéia, que se existem representações pela Magistratura, pela Advocacia e pelo Ministério Publico, se nós trouxéssemos esses atores que são potencialmente conflituosos para o controle do Estado - e até porque, o Quinto Constitucional passaria pela nomeação dos governantes -, nós teríamos num mesmo raciocínio a condição do Estado de exercer um controle pacificador nos choques dessas instituições. Essa foi então a inspiração da criação doQuinto Constitucional. Eu acho que com essa criação, eu acho que duas