História Quinto Constitucional
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História Quinto Constitucional

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circunstâncias poderiam acontecer: ou realmente esse conflito para a intermediação do Estado, essa é uma alternativa, ou ao contrário, essa composição amorteceria os conflitos entre os segmentos e haveria uma pacificação entre a Magistratura, o Ministério Público e a Advocacia. Eu, olhando ao longo do tempo, analisando, se a gente for olhar o que aconteceu de 34 pra cá, sou muito mais tentado a acreditar que essa solução do Quinto Constitucional produziu, foi consenso entre as entidades, entre esses segmentos. Por que eu sou levado a pensar nisso? Eu sou levado a pensar nisso, quero ser aqui muito sincero, porque embora haja grande diferença, grande divergências e divisão a respeito de uma série de temas entre Magistratura e Advocacia principalmente, e também entre Advocacia e Ministério Público, não foi comum nós assistirmos esse conflito ser trazido pra dentro dos Tribunais ou pra dentro do Poder Judiciário por esses representantes. Não se tem noticia de que essa participação, essa oxigenação tenha levado, como muitos defendem no Quinto Constitucional que isso traria um arejamento das idéias dentro do Tribunal, traria uma experiência externa, uma experiência que seria importante para Magistratura, porque seria uma visão diferente, seria uma visão de quem não ficou o tempo inteiro seguindo uma carreira pública, mas pelo contrário, tenha talvez uma visão mais ampla. O Ministério Público da mesma forma, é uma experiência diferente da nossa. E isso, muito pregavam que seria um fator importante na mudança de postura do Poder Judiciário. Seria um fator de abertura do Poder Judiciário. Eu particularmente tendo a achar que isso não aconteceu, primeiro porque eu considero que o Poder Judiciário é um poder conservador, e não encontrei exemplos ao longo da história que essa força que ingressou nos tribunais tenha cumprido esse caráter de arejamento, de contestação e uma renovação de procedimentos e práticas dentro do Tribunal. Eu falo isso de maneira geral.

Vou citar pra vocês alguns exemplos que são extremados, mas me parece que tenham frustrado um pouco a iniciativa que se imaginava. Eu, nessa experiência como Presidente da AMB, a gente tem a oportunidade conhecer todo o Judiciário. Em alguns Estados que eu visitei, especialmente quando há algum problema em tal Estado, nós comparecemos naquele Estado, eu vou citar um exemplo: existe um Estado no Brasil que o primeiro concurso público da história do Poder Judiciário foi feito em 2005. Nunca tinha havido concurso Público. As nomeações eram feitas aleatoriamente, sem quadro de pessoal, isso até 2005. Eram nomeações feitas a bel prazer. Quando eu fui lá perguntar: como que isso é aprovado no Tribunal de Contas? Não. É aprovado no Tribunal de Contas. Como é que não há desacerto nesse Estado em relação a isso? Não, não há desacerto. Aqui se convive pacificamente com essa situação. Eu estou citando um exemplo grotesco, mas que demonstra bem a posição firme que a OAB tem como instituição, a favor do Concurso Público. Nada obstante o Quinto Constitucional conviveu com isso com toda a tranqüilidade sem nunca ter se levantado contra esse aspecto. Um outro caso, claro que depois eu não vou ficar nessa simplificação, vou aprofundar um pouco mais, e vou explicar porque que eu acho isso acontece, existe um Tribunal que paga uma gratificação para seus juízes para quem tem nível superior. Então o juiz que tem nível superior tem direito a uma gratificação e não vi também – isso contraria a bandeira da Ordem do Advogados - ninguém se insurgindo contra uma gratificação dessa ordem. Eu particularmente, acho que a maioria de nós aqui teria dificuldade em receber uma gratificação por ser juiz e ter nível superior. Então, o que é que eu coloco? É que o sistema pensado, - porque que eu imagino que esse sistema tenha fracassado - porque esse sistema, ele cria uma relação de interdependência, e a gente pode traduzir isso pra cá, se nós formos imaginar que os colegas aqui vão formar uma lista sêxtupla e essa lista sêxtupla vai ter que ser aprovada por essa mesa. Os colegas que seriam nós, ou a OAB, os colegas seguramente sabem que para entrar na lista sêxtupla teriam que ter uma relação e uma certa cordialidade com a entidade dos advogados, que, se não, não vai entrar na lista. Quem faz a lista é o Conselho, então ele tem que ter primeiro uma relação de cordialidade com a OAB. Quero dizer aqui que acho que isso não faz bem, acho o debate interno livre é importante, acho que a liberdade cria uma relação de dependência, porque as pessoas para serem integrantes da listasêxtupla têm que estar - presumo eu -, em acordo com a direção. Mas formada a lista sêxtupla, é preciso que a lista ainda passe pelo crivo do Tribunal. Então vamos que os colegas que participaram dessa lista sêxtupla tenham que passar pela lista do Tribunal e, novamente, eu vejo aí uma relação que é uma relação de interdependência, quase que uma interdependência subalterna, porque a lista tem que ser passada para ser aprovada pelo Tribunal de Justiça e o Tribunal de Justiça tem que selecionar, e vai eliminar quem?. Vai eliminar os três com quem tem menos afinidade e vai indicar os três com quem tem mais afinidade. E depois desse processo, aí começa a corrida ao Executivo e o governador vai escolher quem é o mais próximo que tem o perfil político das suas intenções. Eu acho que esse processo, ele não se realizou pelo menos na medida em que alguns esperavam que fosse se realizar, na medida em que fosse trazer uma visão nova, uma visão moderna, porque o sistema de escolha ele é um sistema que amortece a independência dos indicados, tanto da parte do Ministério Público quanto da parte da advocacia, com essas seguidas composições do processo de escolha o advogado que combate, o advogado que incomoda. Eu me lembro que em Santa Catarina de um advogado que não foi escolhido porque pegaram uma ata em que ele fazia uma crítica, ele fazia uma crítica mais exacerbada que o normal, por isso não entrou na lista. Então acaba havendo um processo, e eu estou falando aqui em termos gerais, acaba havendo um processo de domesticação que vai enfraquecendo aquelas bandeiras que são importantes pra melhoria, pra avanço do Poder Judiciário que são definidas pela OAB. O cidadão passa por uma lista sêxtupla da Ordem, passa por uma lista tríplice do Tribunal e, acaba tendo ainda que buscar apoio político junto ao governador. Se isso, na minha visão, já não trouxe o resultado esperado no âmbito da Justiça Estadual, na minha concepção ela piorou no instante em que a Constituição de 88 entregou ao próprio Judiciário a escolha de seus desembargadores. E nós que também éramos submetidos a um processo político, até a Constituição de 88, em que nós tínhamos uma formação de uma lista tríplice no Tribunal e depois tínhamos de fazer uma disputa política junto ao Executivo - o que inegavelmente dava poder ao Executivo e causava constrangimento -, a partir de 88 nós superamos esse processo e a escolha passou a se dar integralmente no âmbito do Poder Judiciário. Então a possibilidade de os juízes sofrerem a influência política de buscar acesso ao governador, a classe política que eu presencio hoje, percebo ainda na Magistratura Federal do Trabalho, ela ainda está submetida a isso. Existe uma lista tríplice aqui e este é um processo que, agora mesmo, ficou inaceitável com determinação do voto ser aberto e fundamentado. O cidadão entra na lista com voto aberto e fundamentado e, depois o Presidente da República, na Justiça Federal do Trabalho, escolhe um dos três. Escolhe sem levar em consideração, até porque não conhece o mérito daqueles três que compõem a lista. Mas a partir da Constituição de 88, isto ficou ainda mais extravagante porque nós do Judiciário conseguimos o que eu considero um grande avanço, que foi acabar com a interferência do governador nas nomeações do Ministério Público e na Magistratura. Então, nós ficamos com juízes concursados tendo acesso ao Tribunal pelo concurso público e ficamos a cada cinco juízes no Tribunal recebendo um representante