História Quinto Constitucional
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História Quinto Constitucional

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do Ministério Público, da Advocacia, que passam por um teste corporativo e depois passam pelo Tribunal e, por último, pelo governador. Esse sistema ficou na minha visão mais desarranjado, mas o que me leva ainda, de forma mais definitiva, a achar que AMB tomou a posição certa quando imaginam um Judiciário sem Quinto Constitucional, é a circunstância de que o papel que se dizia cabível aos advogados e aos membros do Ministério Público no sentido de influenciar, de modernizar a administração do Poder Judiciário, ele praticamente agora se opera no Conselho Nacional de Justiça. Por que? Porque no Conselho Nacional de Justiça, que é um órgão de administração do poder central do Poder Judiciário, com competência em todo país, nós temos dois representantes do Ministério Público, Ministério Federal e Ministério Público Estadual e, temos dois representantes da Ordemdo Advogados. E mais, temos o Presidente do Conselho Federal da Ordem com assento junto ao Conselho, temos o Procurador Geral da República também com assento junto ao Conselho. Então, é evidente que as causas corporativas, o que eu acho o que a OAB, o que o Ministério Público tem para trazer de experiência positiva para o Poder Judiciário, ganhou um Foro adequadíssimo, que é o foro do Conselho Nacional de Justiça. Porque se a OAB tem alguma idéia que possa contribuir com modernização do Judiciário, basta que o presidente apresente, ou os conselheiros apresentem, que essa matéria é discutida num âmbito que dá uma efetividade muito maior que uma discussão havida em um Tribunal onde a composição é muito pequena. A cada dez, dois representantes, um da Advocacia e um do Ministério Público, esta é uma representação muito pequena. Então muito mais fácil que esse trabalho - que todos dizem que a grande vantagem que é trazer pro Judiciário essa visão arejada -, este trabalho pode ser feito de  forma institucional, de forma oficial, de forma até eficaz, dentro do Conselho Nacional de Justiça. E aí, eu quero dizer que nesse ponto, falo isso com toda a sinceridade, a contribuição tanto do Ministério Público quanto da OAB considero muito fraca. Eu considero muito fraca, nesse sentido, a contribuição do Ministério Público e da OAB no conselho Nacional de Justiça. Porque eu que assisto todas as seções do Conselho Nacional de Justiça, não vi até hoje nem do procurador Antonio e, nem do presidente do Conselho Federal da OAB, - deles eu estou dizendo-, nenhuma proposta que fosse alterar isso ou alterar aquilo em relação ao Poder Judiciário,  tanto da parte do senhor, como da parte da OAB, não vi. Aliás, tenho até notado uma ausência reiterada dessas representações no Conselho Nacional de Justiça, não tenho visto. Então se o objetivo do Quinto, a justificativa do Quinto é agregar valores ao Poder Judiciário me parece que o Conselho Nacional de Justiça é o foro adequado. Se não há o exercício desse poder lá, é razão para nos perguntarmos porque.

       Então o que é nós tivemos? Nós tivemos uma disputa muito grande durante certo período, por pessoas que advogavam, tinham sucesso na advocacia, mas a nossa previdência privada ela é muito ruim, então as pessoas disputavam uma vaga no Tribunal para poder ter direito a uma aposentadoria integral. Nós temos muitas pessoas que vieram pro Judiciário, ficaram cinco anos e saíram com aposentadoria integral. Eu acho que essa circunstância, como eu sou sincero em dizer que o ambiente em 1930/34 - que justificou a criação do Quinto e um discurso em favor da modernização do Judiciário que é o discurso que mais escuto no sentido de valorização do quinto -, ele não se realizou na pratica. Exatammente por não ter se realizado na prática, é que a posição da AMB é no sentido de extinção do quinto, até para que haja talvez um pouco mais conflituosidade. Eu sou não sou daqueles que defendem que essa integração ela é sempre positiva, acho que muitas vezes é o concurso que promove o avanço, é da tensão que se dá o passo pra frente. Sou muito sincero: diria que tanto a OAB, quanto o Ministério Público e a Magistratura ficariam sem esses vasos intercomunicantes. Se a OAB tivesse toda a liberdade, não tivesse esse componente que a gente sabe que existe – político -, o Ministério Público também não tivesse, e a Magistratura também não,  e que nós convivêssemos aí, num grau maior de tensão, num grau maior de conflito, mas que isso na minha visão, não reverteria em prejuízo nenhum ao Judiciário, em prejuízo nenhum a OAB e, muito menos, ao Ministério Público. Quero dizer também, é evidente que essa não é uma questão que a AMB coloque como extremamente prioritária, é uma questão dentro do que a gente enxerga que seja importante para o Judiciário e, isso efetivamente não tem a prioridade um, não tem mesmo. Existem questões muito mais graves que nós temos que enfrentar, são muito mais urgentes e muito mais capazes de resolver os nossos problemas. Mas como eu enfatizei no começo e, por um vício da função, não é possível não ter posição sobre qualquer asssunto. E olhando o modelo institucional, vendo que apenas no Brasil existe esta questão do Quinto - não existe em nenhuma outra parte do mundo -, eu acho que nós ficaríamos muito melhor com a separação completa dessas funções, uma relação que não contivesse nenhum grau de interesse coletivo, para que pudéssemos exercer de forma mais vigilante um controle recíproco que eu acho muito oportuno que seja assim. Então, colega Denise, em breves palavras, foram as essas razões que levaram a AMB por optar por essa posição de ser contrária ao Quinto, como eu já reiterei aqui, sem despersonalizar o debate, não vai aqui censura a ninguém, nem aprovação a ninguém, apenas analisando o modelo institucional e considerando que na nossa visão a República ficaria mais bem organizada se nós não tivéssemos essa relação de interdependência entre essas três funções. Muito obrigado.