HDB - Anotação (8)
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HDB - Anotação (8)

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O conteúdo contratual será submetido a um
controle de merecimento, averiguando se o mesmo se
encontra de acordo com uma ordem social.

 Maria Celina Bodin de Moraes relata muito
bem o assunto afirmando que, “o negócio jurídico, no
direito contemporâneo, deve representar, além do
interesse individual de cada uma das partes, um
interesse prático que esteja em consonância com o
interesse social e geral” (Maria Celina Bodin de
Moraes. A causa dos Contratos. Revista Trimestral de
Direito Civil. RJ. Padma, n. 21, jan/mar 2005, p.100).
Formação dos contratos

1ª) Negociações preliminares: fase de
debates. Não existe formalização de contrato. Em
regra tal fase não vincula as partes a realização da
contratação, mas defendo a vinculação ao deveres
anexos a boa-fé objetiva. Por faltar regulamentação
de tal fase no atual Código a doutrina explica que não
haverá vinculação, porém excepcionalmente pode ser

sustentada a responsabilidade civil extracontratual ou
aquiliana, fundada no princípio de que os interessados
na celebração de um contrato deverão comportar-se
de boa-fé (Maria Helena Diniz, Curso..., p.46).

2ª) Fase de proposta: aqui existe formalização,

sendo chamada de fase de policitação. Tal fase vincula
as partes. Pode se dar entre presentes (facilidade na
comunicação) e pode ocorrer entre ausentes
(dificuldade na comunicação). Atenção!!! Pode ser
indagado no concurso o seguinte: QUAL É A TEORIA
QUE SE APLICA NOS CONTRATOS ENTRE AUSENTES.
VAMOS LÁ!!!!! Regra: TEORIA DA AGNIÇÃO NA
SUBTEORIA DA EXPEDIÇÃO (expedição de resposta
positiva). Exceção: TEORIA DA AGNIÇÃO NA
SUBTEORIA DA RECEPÇÃO (casos previstos nos incisos
do art. 434 do CC/02).

 Deixará de ser obrigatória a proposta quando:

a) se, feita sem prazo a pessoa presente, não foi
imediatamente aceita. Considera-se também
presente a pessoa que contrata por telefone ou
por meio de comunicação semelhante;
b) se, feita sem prazo a pessoa ausente, tiver
decorrido tempo suficiente para chegar a resposta
ao conhecimento do proponente;
c) se, feita a pessoa ausente, não tiver sido
expedida a resposta dentro do prazo dado;
d) se, antes dela, ou simultaneamente, chegar
ao conhecimento da outra parte a retratação do
proponente.

A oferta ao público equivale a proposta

quando encerra os requisitos essenciais ao contrato,
salvo se o contrário resultar das circunstâncias ou dos
usos. Pode revogar-se a oferta pela mesma via de sua
divulgação, desde que ressalvada esta faculdade na
oferta realizada.

Ocorrendo, aceitação fora do prazo, com

adições, restrições, ou modificações, importará nova
proposta.

3ª) Contrato preliminar: apesar de não ser de
regra obrigatória tal fase vincula as partes. Deve
conter todos os elementos do contrato definitivo,
exceto quanto a forma. Pode assumir duas formas: (a)
compromisso unilateral/contrato de opção (apenas

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uma das partes assume o compromisso, apesar de
ambas assinarem o documento); (b) compromisso
bilateral (ambas assinam, ambas assumem). O
contrato preliminar em síntese apertada: contrato
preliminar ou pacto de contrahendo nada mais é do
que uma convenção provisória, contendo os
requisitos do art. 104 do NCC, e os elementos
essenciais ao contrato (res, pretiutn e consensum),
tem por objeto concretizar um contrato futuro e
definitivo, assegurando pelo começo de ajuste a
possibilidade de ultimá-lo no tempo oportuno. Os
requisitos para a sua eficácia são os mesmos exigidos
ao contrato definitivo, excetuada a forma. Nesse
sentido: Súmula 413 do STF: “O compromisso de
compra e venda de imóveis, ainda que não loteados,
dá direito à execução compulsória, quando reunidos
os requisitos legais”. Ele se distingue da simples oferta
ou proposta ou das negociações preliminares em
preparo de contrato.

A lei o admite como contrato inicial ou

incompleto, a exigir a celebração do definitivo, desde
que dele não conste cláusula de arrependimento e
tenha sido levado ao registro competente (art. 463 do
NCC), a tanto que tal exigibilidade permite o
suprimento judicial da vontade da parte inadimplente,
salvo se a isto se opuser a natureza da obrigação (Art.
464 do NCC). Aquele que efetua a quitação e depois
invoca a cláusula de arrependimento estaria violando
a legítima expectativa da outra parte, podendo se
falar em venire contra factum proprium.

A sentença judicial que supre a declaração de

vontade do contratante inadimplente em tutela
específica da obrigação substitui o contrato definitivo.
Dispõe, a propósito, o art. 639 do CPC: “Se aquele que
se comprometeu a concluir um contrato não cumprir
a obrigação, a outra parte, sendo isso possível e não
excluído pelo título, poderá obter uma sentença que
produza o mesmo efeito do contrato a ser firmado”.
Em regra, o da obrigação (v.g., promessa de
casamento), o contrato é resolvido em perdas e
danos, operando-se o disposto no art. 465 deste
Código.

Da Estipulação em favor de terceiro.

 A estipulação em favor de terceiro (pactum in
favo reiri tertii),consiste em um contrato através do
qual convenciona-se que a prestação deverá ser
cumprida pelo promitente em favor de um terceiro
alheio a relação contratual. Exemplo clássico da
estipulação é o contrato de seguro de vida, onde o
estipulante elege o beneficiário (terceiro).
 São os personagens envolvidos:

a) Estipulante: aquele que estipula em favor
de terceiro
b) Promitente: aquele que assume a
obrigação de cumprir a prestação em favor de
terceiro.
c) Beneficiário: é o terceiro que, embora
alheio à relação contratual, é o destinatário
da prestação a ser cumprida pelo promitente.

Tal contrato excepciona o princípio da relatividade

contratual, pois o terceiro, ora beneficiário, terá
vantagens, inclusive a de exigir do promitente o
cumprimento da obrigação.

Art. 436. O que estipula em favor de terceiro
pode exigir o cumprimento da obrigação.

Parágrafo único. Ao terceiro, em favor de quem
se estipulou a obrigação, também é permitido exigi-la,
ficando, todavia, sujeito às condições e normas do
contrato, se a ele anuir, e o estipulante não o inovar
nos termos do art. 438.

Art. 437. Se ao terceiro, em favor de quem se fez
o contrato, se deixar o direito de reclamar-lhe a
execução, não poderá o estipulante exonerar o
devedor.

Art. 438. O estipulante pode reservar-se o direito
de substituir o terceiro designado no contrato,
independentemente da sua anuência e da do outro
contratante.

Parágrafo único. A substituição pode ser feita
por ato entre vivos ou por disposição de última
vontade.

Da promessa de fato de terceiro

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 José Acir Lessa Giordani, nos ensina que a
promessa de fato de terceiro não consiste
necessariamente em um contrato, pois pode se tratar
de um ato meramente unilateral. (José Acir Lessa
Giordani, Contratos, p. 83). Não se trata de uma
exceção ao princípio da relatividade dos contratos,
pois quem se obriga é o promitente, e não o terceiro,
que somente passa a se vincular perante o
promissário quando expressa o seu consentimento.
Vícios redibitórios (art. 441 ao Art. 446 CC/02)

São vícios que geram a impropriedade do bem
tornando o mesmo inadequado ao fim destinado ou
lhe diminuindo o seu valor. Tal vício é o conhecido
como vício oculto, assim pode ser afirmado que o
Código Civil só deu proteção ao vício oculto. De forma
diversa o Código de Defesa do Consumidor, além de
defender o adquirente em face dos vícios ocultos, o
protegeu também na ocorrência