HDB - Anotação (8)
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HDB - Anotação (8)

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época em que a coisa se evenceu e
proporcional ao desfalque sofrido no caso de evicção
parcial. Como se fará o cálculo da indenização neste
caso? O STJ firmou um precedente no REsp nº
248423. Vejamos:

INDENIZAÇÃO. PERDAS E DANOS.
EVICÇÃO. Perdida a propriedade do
bem, o evicto há de ser indenizado
com importância que lhe propicie
adquirir outro equivalente. Não
constitui reparação completa a
simples devolução do que foi pago,
ainda que com correção monetária.
(REsp 248423/MG, Rel. Ministro
Eduardo Ribeiro, Terceira Turma,
julgado em 27/04/2000, DJ
19/06/2000, p. 146).

 Uma regra que deve ser mencionada e de suma
importância é a do art. 199 III do CC/02, que prevê
que não corre prescrição, pendendo a ação de

evicção, mas somente após o trânsito em julgado da
sentença a ser proferida na ação em que se discute a
evicção.
 Questão tormentosa é a denunciação da lide na
evicção. O art. 456 do CC/02 informa que para que o
evicto exerça seu direito, deverá ele notificar do litígio
o alienante imediato, ou qualquer dos anteriores,
quando e como lhe determinarem as leis do processo.
Seria a denunciação da lide obrigatória, pela leitura do
artigo sim, porém o STJ não utiliza tal fundamentação
afirmando que a mesma será facultativa.

Evicção. Indenização. Denunciação
da lide (falta). 1. Por não se ter
denunciado, quando reivindicada a
coisa por terceiro, não impede se
pleiteie "a devolução do preço de
coisa vendida, se não provado que
o alienante sabia do risco dessa
evicção ou, em dele sabendo, que
não o assumira". Em tal sentido,
precedentes do STJ: REsp´s 9.552 e
22.148, DJ´s de 03.8.92 e 05.4.93.
2. "A pretensão de simples
reexame de prova não enseja
recurso especial" (Súmula 7). 3.
Recurso especial não conhecido.
(REsp 132258/RJ, Rel. Ministro
Nilson Naves, Terceira Turma,
julgado em 06/12/1999, DJ
17/04/2000, p. 56).

Seria admissível a denunciação por saltos, ou

seja, pode ao adquirente denunciar a lide a quem lhe
vendeu o bem ou a quem vendeu a quem lhe vendeu?
Pergunta complicada, não é!

1ª) 29 I CJF - Art. 456: a interpretação do art.

456 do novo Código Civil permite ao evicto a
denunciação direta de qualquer dos responsáveis pelo
vício.

 Contratos aleatórios

Significa que o contrato é de risco, ou seja, de
uma expectativa da ocorrência de evento incerto e

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casual. Carvalho dos Santos aduz que contrato
aleatório é aquele que “nasce de esperanças e
receios” (Carvalho dos Santos. Código Civil, p. 413).

Se o contrato for aleatório, por dizer respeito

a coisas ou fatos futuros, cujo risco de não virem a
existir um dos contratantes assuma, terá o outro
direito de receber integralmente o que lhe foi
prometido, desde que de sua parte não tenha havido
dolo ou culpa, ainda que nada do avençado venha a
existir. Trata-se da venda empito spei/venda da
esperança. O exemplo clássico: uma pessoa compra
toda a colheita de uma fazenda em determinado
período e a fazenda nada produz.

Já se assumir o adquirente tomando a si o

risco de virem a existir em qualquer quantidade, terá
também direito o alienante a todo o preço, desde que
de sua parte não tiver concorrido culpa, ainda que a
coisa venha a existir em quantidade inferior à
esperada. Aqui observamos a venda, empito rei
speratae/venda da esperança em relação a
quantidade. Mas, se da coisa nada vier a existir,
alienação não haverá, e o alienante restituirá o preço
recebido. Exemplo clássico: safra futura.

Estando de frente com coisas já existentes,

mas expostas a risco, assumido pelo adquirente, terá
igualmente direito o alienante a todo o preço, posto
que a coisa já não existisse, em parte, ou de todo, no
dia do contrato. Exemplo: passo um navio por 500 mil
sabendo que o mesmo vale uns 2 milhões de reais.
Poderiam pensar que sou louco, ocorre que o navio
está afundando, e o vendo pelo um valor inferior já
sabendo que o comprador irá assumir um grande
risco, pois a coisa está exposta a risco.

Numa palavra: o dispositivo trata do risco

sobre a existência da coisa, retratando a emptio spei
(venda da esperança, a probabilidade de a coisa
existir), caso em que o alienante terá direito a todo o
preço da coisa que venha a não existir, como sucede
no exemplo clássico da venda de colheita futura,
independente de a safra existir ou não, assumindo o
comprador o risco da completa frustração da safra
(inexistência), salvo se o risco cumprir-se por dolo ou
culpa do vendedor.

Extinção do contrato

a) distrato

O distrato é negócio jurídico que objetiva a
desconstituição do contrato, extinguindo os seus
efeitos. E o desfazimento do acordo de vontades, da
relação jurídica existente, através da manifestação
recíproca dos contratantes (resilição bilateral),
quando ainda não tenha sido executado o contrato.
Os seus efeitos operam-se sem retroatividade (efeito
ex nunc). A forma do distrato submete-se à mesma
forma exigida por lei para o contrato para ter a sua
validade. Não obrigatória a forma, o distrato é feito
por qualquer modo, independente de forma diversa
pela qual se realizou o contrato desfeito.

A resilição unilateral é meio de extinção da
relação contratual, admitida por ato de vontade de
uma das partes, em face da natureza do negócio
celebrado, terminando o vínculo existente por
denúncia do contrato, mediante notificação.
 b) cláusula resolutiva

O contrato se resolve pela cláusula resolutiva

expressa, diante de obrigação não adimplida de
acordo com o modo determinado. A cláusula expressa
promove a rescisão de pleno direito do contrato em
face do inadimplemento.

Quando não houver sido expressa a cláusula
resolutiva, o contratante prejudicado deverá notificar
a parte inadimplente acerca da sua decisão de
resolver o contrato em face da inadimplência do
outro. E ínsita a todo pacto bilateral a cláusula
resolutória tácita.

c) exceção de contrato não cumprido
O princípio exceptio non adimpleti contractus,

decorrente da dependência recíproca (prestações
simultâneas) das relações obrigacionais assumidas
pelas partes, é exercido pelo contratante cobrado,
recusando-se à sua exigibilidade (satisfazer a sua
obrigação) por via da exceção do contrato não
cumprido; quando a ela instado, invoca o
inadimplemento da obrigação do outro. O princípio

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tem incidência quando ocorre uma interdependência,
pela simultaneidade temporal de cumprimento
(termos comuns ao adimplemento) entre as
obrigações das partes, ou seja, as obrigações devem
ser recíprocas e contemporâneas.

Caio Mário, afirma que “se ambas as

prestações são sucessivas, é claro que não cabe a
invocação da exceptio por parte do que deve em
primeiro lugar, pois que a do outro ainda não é
devida; mas, ao que tem de prestar em segundo
tempo, cabe o poder de invocá-la, se o primeiro
deixou de cumprir” (Caio Mário da Silva Pereira.
Instituições, p. 160). Aqui podemos afirmar que
haverá exceção de insegurança, regra prevista no art.
477 do CC/02. Vejamos o caso em que a mesma é
aplicada segundo a lei.

Art. 477. Se, depois de concluído o
contrato, sobrevier a uma das
partes contratantes diminuição em
seu patrimônio capaz de
comprometer ou tornar duvidosa a
prestação pela qual se obrigou,
pode a outra recusar-se à
prestação que lhe incumbe, até que
aquela satisfaça a que lhe compete
ou dê garantia bastante de
satisfazê-la.

Se o cumprimento for defeituoso, estaremos

diante do descumprimento parcial da obrigação
(exceptio non rite adimpleti